Vários indicadores internos e dos Estados Unidos serão monitorados com as expectativas já voltadas nos mercados para as decisões de juros e os comunicados do Comitê de Política Monetária (Copom) e do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que se reúnem na próxima terça (19) e quarta-feira (20).
Ainda, o ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, participa de evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viaja a Porto Alegre e Lajeado, no Rio Grande do Sul, onde encontrará empresários e anunciará medidas para a reconstrução das cidades atingidas por enchentes.
Os juros dos Treasuries (títulos da dívida estadunidense) recuam, abrindo espaço para ganhos leves dos índices futuros em Nova York, enquanto o dólar está fraco após subir na última quinta-feira, quando a inflação ao produtor (PPI) dos EUA superou todas as expectativas, aumentando as chances de que o Federal Reserve seja mais conservador sobre eventuais cortes de juros mais adiante. Ainda assim, continua prevalecendo a chance de início da redução de juros em junho.
Na Europa, sem indicadores na região, as bolsas acompanham nesta sexta-feira a melhora em Nova York, após ganhos nas bolsas chinesas. A Capital Economics acredita que o Banco Nacional da Suíça (SNB, na sigla em inglês) deve ser o primeiro banco central do G10 a cortar juros em 25 pontos-base na reunião de política monetária na semana que vem. Em relatório, a consultoria pondera que a inflação do país caiu mais que o esperado, a 1,2% em fevereiro, atingindo o 9º mês consecutivo abaixo dos 2% ao ano.
Na Ásia, os mercados acionários chineses subiram. O banco central chinês (PBoC) decidiu manter a taxa da linha de empréstimo de médio prazo em 2,5%, sinalizando que não deverá alterar seus juros básicos na próxima semana. Após o fechamento dos negócios, o regulador chinês de valores mobiliários prometeu endurecer a supervisão dos mercados de capitais e de processos para o lançamento de ofertas públicas iniciais (IPOs) de ações.
O mercado no Brasil hoje
A movimentação dos mercados americanos, principalmente dos rendimentos dos Treasuries, deve influenciar os ajustes dos ativos locais bem como os dados de serviços e do mercado de trabalho interno. A mediana do mercado indica contração de 0,5% para o volume de serviços prestados no País em janeiro, na margem, após expansão de 0,3% em dezembro, enquanto na comparação anual a mediana é de expansão de 1,6%, ante contração de 2,0% no mês anterior, apurou o Projeções Broadcast.
No caso do Caged, a mediana indica criação líquida de 85.428 postos com carteira assinada em janeiro, após fechamento líquido de 430.159 em dezembro, e para a mediana em 2024 é esperada geração líquida de 1.174.867 vagas.
Às vésperas da reunião do Copom de março, o cenário base de ao menos três novos cortes de 0,50 ponto porcentual da Selic é majoritário entre os economistas do mercado, mas aumentou a expectativa sobre possíveis mudanças nas sinalizações do Copom sobre o plano de voo, diante das surpresas recentes com a inflação de serviços, além dos dados fortes do varejo no País em janeiro.
Petrobras e Vale na Bolsa
Na Bolsa, as atenções seguem em Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3; PETR4), que podem voltar a ser pressionadas pela queda de 3,46% do minério de ferro em Dalian, na China, e também do petróleo nesta sexta-feira. Ruídos sobre Petrobras também podem pesar. A estatal informou, nesta quinta-feira (14) à noite, que não há qualquer decisão ou data definida para distribuição de dividendos extraordinários aos acionistas.
Em reunião que durou mais de duas horas, na quinta-feira, na sede da Associação de Investidores do Mercado de Capitais (Amec), a situação da Petrobras foi discutida por representantes de mais de 30 fundos de investimento com grande relevância no mercado de capitais e o mote do encontro foi a preocupação generalizada dos investidores com relação aos riscos à governança corporativa da estatal, que, inclusive, se sobrepôs à discussão em torno da decisão da retenção dos dividendos extraordinários.
Também serão monitoradas as teleconferências sobre os resultados trimestrais publicados por várias empresas, ontem à noite, incluindo Lojas Renner (LREN3) e Yduqs (YDUQ3).
Agenda desta quinta-feira
A Pesquisa Mensal de Serviços (9h) e os dados do Caged, ambos de janeiro, ficam na mira local. No setor corporativo, estão previstas teleconferências sobre os balanços do 4º trimestre de Cyrela, Eztec, Lojas Renner, entre outras empresas. O grupo Lide promove evento sobre varejo (8h). A MRV realiza o seu Investor Day (15h). Ainda, o ministrochefe da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, participa de evento na Fiesp (8h).
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, recebe o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira (10h) e o diretor- Presidente da UNICA, Evandro Gussi (15h). O chefe do Departamento de Promoção da Cidadania Financeira do Banco Central (BC), Luis Gustavo Mansur Siqueira, falará com a imprensa sobre as prioridades do Grupo de Trabalho Inclusão Financeira (12h30).
O diretor de Administração do BC, Rodrigo Alves Teixeira, reúne-se, por videoconferência, com representantes do Sinal, entre outras lideranças de servidores da instituição (15h). Começa o seminário sobre Transição Energética e Margem Equatorial no Maranhão, com a presença do presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, e a ministra do Meio Ambiente Marina Silva.
Nos Estados Unidos, são esperados o índice de atividade industrial Empire State de março (9h30), a produção industrial em fevereiro (10h15) e a pesquisa da Universidade de Michigan sobre o sentimento do consumidor e as expectativas de inflação (11h). No Reino Unido, o economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane, ministra aula em Londres (11h30).