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Mercado

‘O seguro é como se fosse uma máscara hoje em dia’, diz Jorge Nasser

Presidente da FenaPrevi e da seguradora de vida e previdência do grupo Bradesco Seguros comenta os efeitos da pandemia

Por Valéria Bretas

16/11/2020 | 12:45 Atualização: 16/11/2020 | 18:35

Jorge Pohlmann Nasser, presidente da Federação das Empresas de Previdência Aberta (FenaPrevi) e da seguradora de vida e previdência do grupo Bradesco Seguros (Crédito: Divulgação Fenaprevi)
Jorge Pohlmann Nasser, presidente da Federação das Empresas de Previdência Aberta (FenaPrevi) e da seguradora de vida e previdência do grupo Bradesco Seguros (Crédito: Divulgação Fenaprevi)

Depois de perder força nos meses de março, abril e maio – durante o auge da crise -, a indústria de previdência privada engatou um bom ritmo de recuperação. As contribuições em ativos de previdência somaram R$ 12,6 bilhões em agosto, um crescimento de 9,5% ao registrado no mesmo mês de 2019, segundo dados da FenaPrevi.

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A captação líquida (diferença entre novos depósitos e resgates) também fechou o mês no campo positivo, com R$ 6,5 bilhões, valor 21% maior em relação ao saldo do ano passado.

“Infelizmente aprendemos com a dor, mas agora os brasileiros estão mais dispostos a falar sobre seguro e previdência privada”, diz Jorge Pohlmann Nasser, presidente da FenaPrevi e da seguradora de vida e previdência do grupo Bradesco Seguros.

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Em entrevista ao E-Investidor, Nasser diz ainda que o grande desafio da indústria está na capacidade de transformar a atual predisposição em uma ação de fato. “Estamos otimistas com esse novo comportamento em relação ao planejamento do patrimônio e à proteção das famílias.”

Veja os principais trechos da conversa:

E-Investidor: A cultura do seguro ainda é pouco difundida no Brasil. Essa conscientização é mais comum em outros países?

Jorge Pohlmann Nasser: Há países com uma penetração maior do seguro de vida, principalmente pelo nível de renda quando é mais alto ou por uma questão cultural mesmo. Nós ainda vivemos em um ambiente em que o brasileiro vai em uma concessionária para comprar um carro zero, escolhe tudo o que precisa para o veículo com muita calma e a maior preocupação é não sair do local sem confirmar o seguro. Mas se você perguntar para essa mesma pessoa se ela tem um seguro de vida, provavelmente a resposta será não. Esse é um comportamento de um país que vê a aquisição de bens como prioridade imediata. Aprendemos com a crise que, além dos bens, a segurança é necessária para a proteção das famílias. É isso que vai garantir patrimônio na ausência da pessoa que era a provedora daquela família.

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Muitos evitam o seguro de vida por achar que a apólice pode ser cara. Como avaliar o que é caro ou barato?

Ser caro é um pouco de mito. Se você tem uma necessidade adequada ao seu momento de vida e com a sua reserva financeira, o que é caro? As pessoas vão em um restaurante e pagam os 10% pela taxa de serviço e pagam com gosto quando são bem atendidas. O caro ou barato está atrelado em atender ou não a sua expectativa. Há um leque fantástico de produtos no mercado e com valores que podem variar de R$ 10 até R$ 5 milhões. Tudo vai depender da necessidade, do tipo de cobertura que a pessoa está buscando e da capacidade da seguradora de apresentar o real valor daquela proposta para o cliente. Há também uma infinidade de novas empresas entrando no mercado e, mesmo com as atuais de maior porte, é possível encontrar produtos mais competitivos pela capacidade de escala que elas têm.

O que o consumidor precisa avaliar antes de contratar um seguro de vida ou fazer um plano de previdência?

Existem alguns itens básicos para analisar na previdência e no seguro de vida. A primeira questão é identificar momento de vida: sou solteiro, estou iniciando no mercado de trabalho e não tenho filhos ou dependentes que envolvam outras despesas extras? Posso iniciar um plano de previdência. Casei e agora tenho alguém que vive comigo? Já é a hora de ter futuro planejado e conquistar patrimônio para que essa pessoa consiga honrar algumas despesas na minha ausência. Esse é um patrimônio que você compra com um seguro de vida, por exemplo. Pagando pouco por mês, a pessoa garante uma cobertura que é equivalente ao patrimônio que ela não conseguiu constituir ao longo da vida. É importante avaliar ciclos. Se proteção não é mais um problema, a pessoa pode pensar um pouco mais em renda para a aposentadoria. É necessário analisar onde você se encontra nesse ciclo de vida de evolução pessoal e profissional.

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É necessário revisar a cobertura contratada?

Faça uma revisão constante do que você adquiriu. As pessoas acabam se acomodando com o preço estável, mas é importante avaliar se faz sentido continuar com aquela cobertura que você contratou anos atrás. Com o tempo, é uma sensação de falsa proteção que acontece às vezes. As pessoas precisam estar atentas se o produto ainda faz sentido para a atual fase da vida em que ela se encontra. Esse é o grande segredo.

O setor conseguiu equilibrar as contas durante a crise. Qual é o maior desafio agora?

Se hoje você se lembra de colocar uma máscara para sair de casa, faça o exercício de pensar se já tem proteção para você e para a sua família. Ter a consciência de que é necessário se proteger de outras formas é tão importante quanto. O seguro é como se fosse uma máscara hoje em dia. Esse é o nosso maior desafio. Trazer conhecimento para as pessoas sobre a formação da cultura previdenciária e da reserva de longo prazo.

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