O gatilho da vez partiu do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG), que autorizou a venda de ações da empresa no âmbito da desestatização. Significa que, a decisão remove um dos principais entraves institucionais do processo e abre caminho para a formalização das etapas definitivas da privatização defendida pelo governo Romeu Zema.
Embora a venda da companhia ainda dependa de etapas políticas e operacionais, o aval do tribunal é visto pelo mercado como um passo relevante porque reduz incertezas jurídicas em torno da operação. Em empresas estatais, especialmente as ligadas a infraestrutura e saneamento, cada avanço formal é acompanhado de perto por investidores justamente por alterar a percepção de risco e o potencial de destravamento de valor.
Capital se movimenta antes da disputa
Além disso, a Bloomberg informou que a Aegea, uma das maiores companhias privadas de saneamento do país, negocia um reforço de capital de até US$ 1 bilhão com acionistas liderados pelo fundo soberano de Singapura GIC e pela Itaúsa. O objetivo seria fortalecer o balanço da empresa para sustentar uma eventual proposta pela Copasa.
A leitura do mercado é que movimentos antecipados de capitalização por parte de potenciais interessados reforçam a percepção de que a privatização ganhou tração concreta. Na prática, isso aumenta as apostas de que a disputa pela Copasa pode atrair grupos relevantes e elevar a expectativa de prêmio em uma eventual venda de controle.
A Aegea já é vista como uma das candidatas naturais em qualquer processo envolvendo ativos estaduais de saneamento. A companhia ampliou presença no setor nos últimos anos e ganhou musculatura financeira após sucessivos movimentos de expansão. Já a Itaúsa aparece como sócia estratégica relevante dentro da estrutura acionária da empresa, enquanto o GIC é um dos maiores fundos soberanos do mundo e já possui histórico de investimentos em infraestrutura no Brasil.
A tese principal se baseia na ideia de que privatizações e aumento de eficiência operacional, expansão de investimentos e melhora de rentabilidade no longo prazo seriam fatores correlacionados. Não por acaso, empresas do setor costumam reagir rapidamente sempre que há avanços concretos em processos de desestatização.
Ainda há muito por vir, mas o mercado começou a enxergar a privatização da Copasa (CSMG3) como algo menos teórico do que há alguns meses. A decisão do TCEMG não bate o martelo sobre a venda da estatal, mas ajuda a transformar uma promessa recorrente do governo mineiro em um processo que, aos poucos, começa a ganhar forma prática.