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Mercado

“Brasil tem que fazer a lição de casa para não ficar vulnerável ao cenário externo”, diz Citi

O banco avaliou o peso das contas públicas para a gestão da inflação e juros no País

Por Matheus Piovesana

13/02/2025 | 10:34 Atualização: 13/02/2025 | 10:34

Bancos mantêm cautela com Brasil. (Foto: Adobe Stock)
Bancos mantêm cautela com Brasil. (Foto: Adobe Stock)

O mercado brasileiro precisa organizar a casa quanto ao gasto público para reduzir os impactos do cenário externo mais incerto, avalia o presidente do Citi no País, Marcelo Marangon. De acordo com ele, é preciso recuperar a confiança dos agentes econômicos com a política fiscal, abalada no final do ano passado com os ruídos em torno do pacote de controle de gastos lançado pelo governo.

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“Temos de fazer a nossa lição de casa o quanto antes no Brasil, através de austeridade fiscal, para ficarmos menos suscetíveis aos impactos globais”, afirmou Marangon ao Broadcast. “O que não podemos é ficar no cenário onde a tenhamos downside [fatores negativos] dos dois ângulos, interno e externo.”

Controle de gastos pode aliviar pressão inflacionária no Brasil

O executivo disse que as medidas de controle de gastos implementadas pelo governo foram bem definidas e estavam na direção correta. Os ruídos vieram da proposta de isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5.000 mensais. Promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a proposta não foi acompanhada de medidas concretas de compensação, o que frustrou o mercado.

De acordo com o presidente do Citi, é preciso dar uma sinalização de controle de gastos para retirar o País de um “ciclo vicioso”, em que o déficit das contas públicas alimenta expectativas de inflação, os juros e, consequentemente, aumentam o custo do serviço da dívida. A importância dessas medidas, disse ele, cresceu diante do cenário internacional mais difícil.

Investidor estrangeiro e o impacto no mercado brasileiro

“A nova política do novo governo americano tem muitos componentes inflacionários, como a questão da migração, das tarifas e de medidas expansionistas”, disse Marangon.

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Recuperar a confiança é importante também para atrair recursos estrangeiros: mesmo tendo visão relativamente mais positiva que o investidor local, o de fora também quer sinais mais concretos de consolidação fiscal. “O investidor estrangeiro tem tirado recursos do Brasil. Mesmo conhecendo o potencial do País, as empresas, tem realocado seus recursos, diante da dinâmica global.”

Marangon disse que para o investidor estrangeiro, o País tem uma série de atrativos, da matriz energética mais limpa ao agronegócio, passando pelo chamado friendly shoring, que é a tendência de centrar cadeias de fornecimento em países com bom relacionamento diplomático entre si.

“Se tomarmos as medidas fiscais adequadas, conseguiremos recuperar a confiança do investidor local, o que vai, naturalmente, impactar o apetite a risco do investidor global”, afirmou ele. “O que vimos, inclusive nas conversas em Davos (no Fórum Econômico Mundial), é que o Brasil não está nas prioridades globais, tendo em vista o momento atual.”

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