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Ibovespa hoje fecha em alta com prisão domiciliar de Bolsonaro e ata do Copom no radar

Apreensão com cenário político aumentou, mas não derrubou o índice hoje. Veja o que movimentou esta terça-feira (5)

Por Camilly Rosaboni

05/08/2025 | 8:11 Atualização: 05/08/2025 | 17:47

Jair Messias Bolsonaro, ex-presidente do Brasil, está em prisão domiciliar após decreto de Alexandre de Moraes (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
Jair Messias Bolsonaro, ex-presidente do Brasil, está em prisão domiciliar após decreto de Alexandre de Moraes (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O Ibovespa hoje fechou em leve alta, dando continuidade ao movimento da véspera, apesar do sinal negativo dos índices em Nova York. Nesta terça-feira (5), o índice teve valorização de 0,14%, aos 133.151,30 pontos.

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O movimento de alta foi generalizado entre os segmentos econômicos negociados na Bolsa brasileira e atingiu até mesmo as ações da Petrobras (PETR3/0,8%; PETR4/0,47%), na contramão da queda dos preços do petróleo. Já o minério de ferro subiu 1,2% na China, o que não foi suficiente para evitar a queda de 0,13% da Vale (VALE3).

As atenções do mercado estiveram na ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e no decreto de prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O principal temor é de que o último episódio envolvendo Bolsonaro dificulte as negociações do Brasil com os Estados Unidos em torno das tarifas sobre produtos da pauta de exportação que não foram incluídos na lista de exceções publicada na semana passada.

“Aqui, temos de buscar os 135 mil pontos para o Ibovespa ganhar maior tração, mas certamente os ruídos políticos são inibidores desse movimento”, afirma Alvaro Bandeira, coordenador de economia da Apimec.

Ibovespa hoje: os assuntos que ficaram em foco nesta terça-feira (5)

Operação do dólar hoje

Veja como está a cotação do dólar hoje. (Foto: Adobe Stock)

O índice DXY, que compara o dólar com outras seis divisas, encerrou praticamente estável aos 98,782 pontos. No câmbio local, o dólar hoje fechou em queda de 0,01% a R$ 5,5060.

O que esteva na agenda econômica do dia

O Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), apelidado de Conselhão, se reuniu nesta terça-feira (5), discutindo a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros, ainda dentro do tema que deu o tom do Ibovespa hoje, um dia após o decreto de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

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Durante abertura da 5ª Reunião Plenária do Conselhão no Palácio Itamaraty, o presidente Lula afirmou que o Brasil merece respeito e criticou a postura do presidente de Trump ao anunciar novas taxações contra o País.”O presidente norte-americano não tinha direito de anunciar taxações como anunciou ao Brasil”, disse.

Segundo Lula, Trump poderia ter ligado a ele ou ao vice-presidente Geraldo Alckmin, já que haveria disposição para diálogo. Ele acrescentou ainda que a medida não se trata de uma questão política, mas sim eleitoral.

A agenda econômica hoje trouxe ainda a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e o balanço da Embraer (EMBR3), que reverteu lucro com prejuízo de R$ 53 milhões – veja o calendário completo de balanços desta semana. Após o fechamento do mercado, chega a vez do Itaú (ITUB4) divulgar os seus números do segundo trimestre.

A reunião do Conselhão começou pela manhã, com 286 conselheiros, entre eles a empresária Luiza Trajano, o influenciador Felipe Neto e o sacerdote Júlio Lancellotti.

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Além disso, o Congresso retomou as atividades após duas semanas de recesso. Já o Tesouro fez leilões de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B, títulos públicos com rendimento atrelado à inflação) e Letra Financeira do Tesouro (LFT, título pós-fixado com rentabilidade atrelada à taxa de juros).

Nos EUA, o destaque foi o índice de gerentes de compras (PMI) do setor de serviços dos EUA, medido pelo Instituto para Gestão da Oferta (ISM, na sigla em inglês), que recuou para 50,1 em julho, ante 50,8 em junho, segundo pesquisa divulgada pelo ISM nesta terça-feira. O resultado contrariou a expectativa de analistas consultados pela FactSet, que previam alta do índice a 51,3. A leitura ainda acima da marca de 50, no entanto, indica que o setor de serviços dos EUA se expandiu no mês passado.

O déficit comercial dos Estados Unidos sofreu queda de 16% em junho ante maio, a US$ 60,18 bilhões, segundo dados publicados hoje pelo Departamento do Comércio americano. Analistas consultados pela FactSet previam saldo negativo maior em junho, de US$ 62,8 bilhões.

O déficit da balança de maio foi levemente revisado para cima, de US$ 71,52 bilhões para US$ 71,66 bilhões.

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As exportações dos EUA caíram 0,5% em junho ante maio, a US$ 273,3 bilhões, enquanto as importações recuaram 3,7%, a US$ 337,48 bilhões.

Bolsas globais reagem a PMIs e balanço europeu

As bolsas de Nova York fecharam em queda após a divulgação do PMI de serviços dos EUA medido pelo ISM, que veio abaixo do esperado. Dow Jones cedeu 0,14%, enquanto Nasdaq e S&P 500 recuaram 0,65% e 0,49%, respectivamente.

As bolsas europeias fecharam perto da estabilidade, em meio a balanços positivos da região, como o da petroleira britânica BP — que também anunciou uma grande descoberta de petróleo e gás na costa brasileira, a maior em 25 anos.

O mercado também acompanha os PMIs europeus: o de serviços da Alemanha subiu ao maior nível em quatro meses e voltou à linha de expansão. O PMI da zona do euro também mostrou expansão, mas ficou abaixo do esperado. Já o do Reino Unido caiu, mas superou a prévia.

Nos EUA, a presidente do Federal Reserve de San Francisco, Mary Daly, afirmou que o mercado de trabalho americano está se enfraquecendo, e o momento para cortes na taxa de juros está se aproximando.

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Além disso, os EUA poderão exigir um caução de até US$ 15 mil para alguns vistos de turista e negócios, sob um programa piloto que será lançado em duas semanas, com o objetivo de reprimir visitantes que excedem o tempo de permanência autorizado.

Ata do Copom detalha manutenção da Selic em 15%

Ibovespa reage à ata do Copom, inflação dos EUA e balanço da Petrobras no mercado financeiro desta terça-feira.
Ata do Copom, divulgada nesta terça-feira, reforçou o cenário de “elevada incerteza” e deve refletir no mercado financeiro hoje. (Foto: Adobe Stock)

O Comitê de Política Monetária (Copom) repetiu, na ata da sua última reunião, que antecipa uma “continuação na interrupção no ciclo de alta dos juros”. O objetivo é avaliar se a manutenção da taxa Selic no nível atual de 15% por período “bastante prolongado” é suficiente para fazer a inflação convergir à meta, de 3%.

Na última quarta-feira (30), o Copom decidiu colocar um ponto final no ciclo de aperto monetário depois de dez meses de alta e optou por manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano. Trata-se do maior nível de juros em quase duas décadas.

  • Veja também: Como ficam os seus investimentos com a manutenção da taxa Selic em 15%

O colegiado voltou a mencionar que a elevada incerteza no cenário externo. Os impactos agregados das tarifas para produtos importados do Brasil pelos Estados Unidos sobre a economia doméstica dependem de negociação e percepção de risco, de acordo com a ata do Copom.

“O Comitê enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado”, diz a ata, repetindo um trecho do comunicado.

Petróleo cai, enquanto minério sobe

O petróleo fechou em queda, estendendo robustas perdas das três sessões anteriores, à medida que a commodity segue pressionada após decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+), no fim de semana, de ampliar sua produção em mais 547 mil barris por dia (bpd) em setembro. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para setembro recuou 1,70% (US$ 1,13), a US$ 65,16 o barril. Já o Brent para outubro, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), teve baixa de 1,62% (US$ 1,12), a US$ 67,64 o barril.

Entre as commodities hoje, o minério de ferro no mercado futuro da Dalian Commodity Exchange, para setembro de 2025, fechou em alta de 1,2%, cotado a 798,5 yuans por tonelada, o equivalente a US$ 111,22.

Mercado ecoa prisão domiciliar de Bolsonaro

Na segunda-feira (4), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, decretou a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL).

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Segundo analistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast, a decisão pode acentuar temores de uma nova ofensiva tarifária por parte do presidente dos EUA, Donald Trump, que, de acordo com parte da imprensa, já teria sido informado do ocorrido. O senador Flávio Bolsonaro (PL) disse “ser difícil” os EUA não reagirem.

Embora já fosse aguardada, a notícia tende a ser recebida com desconforto pelos investidores, segundo o analista Artur Horta, da GTF Capital. “Tão indigesta como recebeu as primeiras medidas cautelares contra o ex-presidente”, avalia.

Já para o o economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani, a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro tende a ser recebida com alguma neutralidade pelos investidores em ativos brasileiros. Veja todos os detalhes nesta reportagem.

O que mais mexeu com o Ibovespa hoje?

Os mercados domésticos repercutiram a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por violação de medidas cautelares — o que aumenta os temores de uma nova ofensiva do presidente dos EUA, Donald Trump.

No radar também esteve a ata do Copom. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou na segunda-feira que há espaço para repensar a trajetória do ciclo de cortes da Selic. Ele também mencionou a possibilidade de acordos com os EUA envolvendo minerais críticos e terras raras do Brasil.

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Haddad reforçou ainda que o governo não prevê medidas fora do arcabouço fiscal para reagir ao tarifaço e que o Brasil não pretende retaliar os EUA neste momento, buscando esgotar todas as vias de negociação.

Esses e outros dados do dia ficaram no radar de investidores e impactaram as negociações na Bolsa de Valores brasileira, influenciando o índice Ibovespa hoje.

*Com informações de Luciana Xavier e Silvana Rocha, do Broadcast

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