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Colunista

O bom investidor na máxima do ouro: estratégia versus o FOMO

Euforia com a disparada do metal precioso desperta 'FOMO' e dúvidas; disciplina e estratégia importam mais do que seguir a manada

Por William Eid

06/11/2025 | 14:15 Atualização: 06/11/2025 | 17:44

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O metal dourado dobrou de preço em dois anos e gerou euforia no mercado. Entenda por que o 'FOMO' pode ser perigoso, os fatores que impulsionam o metal e como investir com disciplina. (Imagem: Adobe Stock)
O metal dourado dobrou de preço em dois anos e gerou euforia no mercado. Entenda por que o 'FOMO' pode ser perigoso, os fatores que impulsionam o metal e como investir com disciplina. (Imagem: Adobe Stock)

Sempre que um ativo sofre uma alta acelerada de preço, ele aparece na mídia em destaque. Em geral com muito destaque. É o caso do ouro atualmente.

Leia mais:
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Veja o gráfico a seguir para entender melhor essa alta.

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Em dois anos o valor do ouro duplicou. Saiu de USD 2 mil a onça troy (31,1 gramas) para USD 4 mil, causando uma euforia que há tempos não víamos.

Notícias diárias nos principais jornais, lançamento de um sem-número de produtos associados ao ouro, sendo que no Brasil temos fundos de investimentos, ETFs (fundo negociado em bolsa de valores que busca retorno semelhante a um índice de referência), COEs (investimento que combina ativos de renda fixa e renda variável em um único produto) e o que mais a imaginação das instituições financeiras for capaz de criar.

E fica a pergunta: é hora de comprar ouro?

Direcionadores do preço do ouro

Em primeiro lugar é importante saber quais são os principais direcionadores do preço do ouro.

O primeiro e mais conhecido é a instabilidade mundial. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, trouxe uma instabilidade que não víamos há tempos. A destruição de décadas de esforço em prol do multilateralismo, a opção pelas canhoneiras ao invés da diplomacia e o “America First” (“América primeiro”, em tradução livre) são o combustível perfeito para a instabilidade atual.

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Mas além dele temos uma série de conflitos ao redor do mundo que também assustam investidores, a começar pelas guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, passando pelo apetite da China por Taiwan, guerra civil na Síria e no Iêmen, bem como conflitos na África, em particular em Mali e Burkina Fasso.

Sem falar nas ameaças do Trump à Venezuela e à Nigéria, ambos grandes produtores de petróleo. Ninguém dá ponto sem nó.

Em segundo lugar temos a atuação dos bancos centrais. Desde a crise de 2008 os bancos centrais vêm comprando ouro. E continuam, até para sair da dependência que todos os países têm do dólar norte-americano.

Recente pesquisa do Official Monetary and Financial Institutions Forum (Fórum Oficial de Instituições Monetárias e Financeiras) mostra que pelo menos um terço dos 75 principais bancos centrais do mundo pretende continuar a comprar ouro nos próximos dois anos.

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Mas como sempre há fatores que jogam contra. O principal vem da redução dos juros nos EUA, que embute um potencial rali nas ações americanas. No passado, mercados acionários em alta implicaram em queda no preço do ouro.

O investidor e o FOMO

As pessoas compram na alta principalmente pelo que é conhecido como FOMO – “fear of missing out” ou “medo de ficar de fora”. Afinal, se todo mundo está comprando e aparentemente ganhando, por que eu não vou comprar?

Aliado a isso há o comportamento de manada, extensamente documentado na literatura. Os investidores tendem a andar juntos.

Mas são comportamentos racionais? Claro que não.

O interessante é que grandes altas muitas vezes implicam em grandes correções. São as bolhas ou quase bolhas. Já vivemos diversas delas, mas é difícil ir contra a maré. O investidor tem que ter muita disciplina para não correr riscos excessivos.

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E vale lembrar que o ouro não gera renda e que seu valor vem da percepção de segurança. Mas há um ditado que não pode ser esquecido:

“Ouro se compra antes da tempestade, não no meio dela.”

Estratégia e disciplina

Isso vale para um sem-número de ativos e para todas as bolhas.

Investir significa ter disciplina, estabelecer objetivos e segui-los. Ouro pode fazer parte das carteiras? Sim, mas de forma muito moderada e sempre lembrando que ele não traz renda.

Também é importante lembrar que se olharmos os últimos dez anos e compararmos a rentabilidade do ouro com o S&P 500, vamos observar que o precioso metal só ultrapassou o índice bursátil a partir de agosto de 2025, há três meses. No restante do período foi o índice que rendeu mais.

Claro, desempenho passado não garante desempenho futuro, mas é uma das únicas informações que temos.

Conclusão

Em resumo, cuidado com a euforia no mercado, em geral ela traz prejuízos. Paciência e planejamento no mundo dos investimentos é o melhor caminho.

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E finalmente, se alguma coisa está brilhando muito, talvez seja melhor fechar os olhos.

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