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Mercado

“Base Exchange vai cobrar tarifas mais justas”, diz CEO sobre nova bolsa concorrente da B3

Controlada pelo Mubadala, a Base aguarda aval do BC e da CVM para lançar uma nova Bolsa de ações à vista até 2027

Por Estadão Conteúdo

12/01/2026 | 14:00 Atualização: 12/01/2026 | 11:26

A Base Exchange, controlada pelo fundo Mubadala, planeja lançar uma nova Bolsa de ações no Brasil com clearing própria e custos operacionais mais baixos. (Foto: Adobe Stock)
A Base Exchange, controlada pelo fundo Mubadala, planeja lançar uma nova Bolsa de ações no Brasil com clearing própria e custos operacionais mais baixos. (Foto: Adobe Stock)

Controlada pelo Mubadala, a Base Exchange planeja romper o monopólio da B3 até o início de 2027, ao lançar uma nova Bolsa de ações à vista com clearing (sistema para intermediar e minimizar riscos das negociações) própria.

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Em entrevista exclusiva ao Broadcast, o CEO da Base, Claudio Pracownik, conta que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já encerrou o período de testes e que a avaliação técnica do Banco Central deve começar após o carnaval.

Com estrutura enxuta, tecnologia proprietária e sistemas em nuvem, a Base aposta na redução do custo total das operações. “Vamos ter tarifas mais justas”, afirma.

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A seguir, os principais trechos da entrevista:

Quando a Base Exchange será lançada?

Como isso nunca foi feito antes, é difícil fazer previsão. Os testes do BC devem começar depois do carnaval. Não depende só da gente, mas meu cronograma prevê o primeiro trading no final de 2026. Se não for, será no início de 2027. Porque certas medidas, como a integração tecnológica, só podem ser tomadas a partir da aprovação dos reguladores, não tem como adiantar. Nenhuma corretora pode se integrar à Bolsa sem que a Bolsa esteja autorizada. As companhias abertas só podem levar para os conselhos após a aprovação.

O que ainda está pendente?

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Na CVM, estamos bem acelerados, os testes já foram realizados, o BC participou como ouvinte. Ambos disseram que ficaram satisfeitos. Na CVM, o próximo passo é a decisão do colegiado, mas o processo está em suspenso até que se concluam os testes do BC, nos quais a CVM é ouvinte, porque as operações serão liquidadas na nossa própria clearing (instituição responsável por registrar, compensar, liquidar e garantir as operações).

A clearing é obstáculo à aprovação pelos reguladores?

Não, eu entendo o BC. Estão fazendo exigências para colocar a clearing no mais alto nível e ser um benchmark para futuros entrantes.

Como enxerga o cenário para 2026?

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Se o mercado ficar contente com o vencedor da eleição presidencial, no segundo semestre, poderemos ter uma janela para ofertas públicas (IPOs). A gente gostaria de ter lançado a Bolsa o mais rapidamente possível, mas, olhando o copo meio cheio, a gente viria (após a eleição) num momento mais estável e, quem sabe, mais otimista para aberturas de capital. (…) Sou sempre um otimista, acho que após a eleição teremos uma melhora.

Vocês pensam em fusões?

Isso é assunto do nosso controlador. O cenário atual é de monopólio. Os concorrentes que entraram são tímidos perto do poder da B3. Haverá uma consolidação, em algum momento, pois todos os novos mercados passam por isso, se reorganizam de forma eficiente. Temos potencial para ser consolidador porque temos um acionista relevante. Vamos fazer isso? O conselho de administração vai decidir.

O sr. diz que a existência de uma segunda Bolsa em operação vai atrair mais liquidez. Em quanto estima esse volume?

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Sim, investidores lá de fora comentam que têm mais segurança nas praças onde há mais de uma Bolsa, mais de uma clearing. O investidor pode fazer hedge (proteção para tentar diminuir os efeitos da volatilidade do mercado financeiro sobre seus ativos) de uma posição, entrar, sair do mercado. E tem experiências em que houve aumento do volume de 20% a 25% e redução do custo implícito de 25% a 30% nos anos seguintes à instalação da concorrência.

A Base aplicará tarifas mais baixas?

Este não será o nosso diferencial. Teremos tarifas mais justas. Será decisão do Conselho. (…) Pretendemos ser mais eficientes nas chamadas de margem. É um custo implícito. Quanto dinheiro vou estar chamando? Não posso perder segurança na liquidação, mas estamos propondo ao regulador chamadas de margem que entendemos serem mais eficientes. Estamos propondo a redução de forma opcional no ciclo de liquidação para liberar as garantias mais cedo, liquidar mais rapidamente as operações. Isso diminui o custo de oportunidade e o custo das operações.

Em relação a custos, a nova Bolsa pretende se diferenciar?

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A gente vai ser muito mais barato, porque temos menos pessoas, menos provedores de serviços, e por sermos proprietários (da tecnologia). Temos uma sede mais modesta, não temos museu, não temos CPD (centro de processamento de dados) próprio. (…) A parte financeira está na nuvem, o que aumenta a escalabilidade. É tecnologia de ponta hoje. Daqui a dois anos, quem começar vai ter tecnologia de ponta e vamos ter de correr atrás.

Haverá criptoativos na Base?

Neste momento, não. São ativos com fundamentos econômicos diversos, apetites distintos, e que concorrem com os ativos da Bolsa na alocação de capital. (…) Pode ser que no futuro a infraestrutura relacionada a cripto – blockchain – venha a ser usada, principalmente para a parte de depositária. A necessidade de operar 24×7 foi o criptoativo que trouxe. Serve de parâmetro e de estímulo para certas mudanças.

Com quais ativos a Base vai começar?

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Vamos começar com mercado à vista, de ações, aluguel, cotas de FIIs, ETFs e BDRs. Para a etapa seguinte, estamos prontos para protocolar o mercado de futuros e derivativos. Não protocolamos ainda por orientação do regulador. Isso alongaria o prazo de aprovação da Base. Mas, uma vez que a empresa esteja funcionando com o mercado à vista, vai poder crescer aprovando outros produtos.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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