Ainda na agenda econômica hoje, há a divulgação da bandeira tarifária de energia de fevereiro pela Aneel. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fará hoje uma cirurgia de catarata no olho esquerdo.
A agenda internacional da última sessão de janeiro tem como destaques o índice de preços ao consumidor da Alemanha (CPI) de janeiro, o Índice de preços ao produtor (PPI) dos EUA de dezembro e o índice de gerentes de compras (PMI) pelo ISM de Chicago.
Em paralelo, dirigentes do Federal Reserve falam ao longo do dia: presidente do Fed de St. Louis, Alberto Musalem, e a vice-presidente de Supervisão do Fed, Michelle Bowman. São esperados os balanços da Chevron, ExxonMobil, Verizon e American Express antes da abertura dos mercados.
Ibovespa hoje: os destaques do mercado de ações nesta sexta-feira (30)
Bolsas globais têm direções opostas de olho em sucessão do Fed
O dólar sobe ante os principais rivais em meio à espera de que Trump possa indicar hoje Kevin Warsh para a presidência do Fed. Warsh, ex-diretor do Fed, tem defendido repetidamente a redução das taxas de juros. Nos mercados de apostas da Polymarket e na Kalshi, Warsh aparecia com 93% de chance de ser o escolhido.
Os futuros de Nova York recuam e as bolsas europeias avançam em meio à divulgação de números do PIB da região. Ouro, cobre e prata registram perdas nesta manhã.
Os mercados também monitoram declarações de Trump de que republicanos e democratas no Congresso se uniram para garantir o financiamento da maior parte do governo até setembro, evitando um shutdown (paralisação) parcial até este sábado.
Trump assinou ainda um decreto que impõe tarifas de importação sobre bens de países que vendam ou forneçam petróleo para Cuba. As ações da Apple tinham leve queda após balanços melhores do que o esperado, mas com alerta sobre margens de lucro, o que ampliou as dúvidas sobre os investimentos em inteligência artificial.
Taxa de desemprego pode encerrar 2025 no menor patamar da história
A mediana das estimativas do mercado indica queda da taxa de desemprego para 5,1% no trimestre encerrado em dezembro, ante 5,2% no trimestre móvel encerrado em novembro. As projeções variam de 5% a 5,6%. A estimativa intermediária sugere nível médio de desocupação em 6% em 2025, com expectativas entre 5,2% e 6,1%.
Em linha com a mediana do mercado, o economista Pedro Crispim, da G5 Partners, projeta recuo da taxa de desemprego para 5,1% em dezembro de 2025. Para ele, o desemprego em níveis historicamente baixos foi uma das principais surpresas do ano passado.
“Na virada de 2024 para 2025, a leitura era de que o desemprego subiria, pela política monetária contracionista. Vimos o contrário, com quedas sistemáticas ao longo do ano, inclusive na série com ajuste sazonal”, afirma.
O economista avalia, porém, que ainda há incertezas sobre o que está por trás do nível baixo da desocupação. “Permanece uma incógnita. O Banco Central mencionou recentemente a uberização do trabalho, temos questões estruturais na queda da taxa de participação, o que pode explicar parte desse desempenho mais benigno, mas não sabemos ao certo”, pondera Crispim.
Commodities hoje: petróleo recua e minério beira estabilidade
O petróleo recua, devolvendo parte da forte alta da véspera, apesar da tensão geopolítica. Nesta manhã, o petróleo WTI para março tinha baixa de 1,70%, a US$ 64,31 o barril. Já o Brent para abril cedia 1,41%, a US$ 69,71 o barril.
Entre as commodities hoje, o minério de ferro no mercado futuro da Dalian Commodity Exchange, para maio de 2026, fechou em alta de 0,06%, cotado a 791,5 yuans por tonelada, o equivalente a US$ 113,9.
Os American Depositary Receipts (ADRs, recibos que permitem que investidores consigam comprar nos EUA ações de empresas não americanas) da Vale (VALE3) cediam 3,78% no pré-mercado de Nova York nesta manhã. Já os ADRs da Petrobras (PETR3; PETR4) recuavam 3,22%, em meio à queda do petróleo diante da tensão entre Estados Unidos e Irã.
O que esperar do Ibovespa hoje
A cautela no exterior deve contagiar os ativos locais. O EWZ, principal fundo de índice (ETF, fundo de investimento negociado na bolsa de valores como se fosse uma ação) brasileiro negociado em Nova York operava em queda de 1,46% no pré-mercado nesta manhã.
O Índice Bovespa pode dar continuidade à realização de lucros da véspera, após sucessivos recordes em janeiro, quando acumulou ganhos de 13,66%. O dólar tende a ficar mais volátil em dia de formação da Ptax. A moeda caiu 5,38% em janeiro até ontem e está em R$ 5,19.
Os juros ficam sensíveis à taxa de desemprego da Pnad, após o Caged ter mostrado ontem perda líquida de vagas formais em dezembro acima do previsto. O dado de hoje, no entanto, pode pressionar as taxas para cima se indicar um mercado de trabalho ainda resiliente.
Esses e outros dados do dia ficam no radar de investidores e podem impactar as negociações na bolsa de valores brasileira, influenciando o índice Ibovespa hoje.
*Com informações de Luciana Xavier e Silvana Rocha, do Broadcast