Analistas do mercado esperam que a empresa entregue um balanço positivo. As projeções para o lucro líquido variam entre US$ 2,238 bilhões e US$ 2,439 bilhões, enquanto as estimativas de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) vão de US$ 4,471 bilhões a US$ 4,575 bilhões.
As previsões para a receita líquida, por sua vez, encontram-se em uma faixa entre US$ 10,8 bilhões e US$ 11,126 bilhões. Confira a seguir as projeções detalhadas da Ágora Investimentos, BTG Pactual, Genial Investimentos e Itaú BBA para o balanço:
O BBA acredita que a companhia apresentará uma melhora sequencial na divisão de Metais Básicos, enquanto os resultados no segmento de Ferrosos devem permanecer estáveis em relação à forte base do terceiro trimestre de 2025.
O banco calcula que, em Metais Básicos, o Ebitda deva crescer 38% na comparação trimestral, para US$ 945 milhões. Na divisão de níquel, o indicador deve ficar em US$ 136 milhões, acima dos US$ 114 milhões do terceiro trimestre, principalmente devido a maiores receitas com subprodutos e volumes mais fortes.
Já o segmento de cobre tem Ebitda estimado em US$ 848 milhões, crescimento de 38% em relação ao trimestre anterior, impulsionado por preços mais elevados de cobre e ouro e por volumes de vendas mais robustos.
Para a divisão de Ferrosos, o banco estima Ebitda de US$ 3,95 bilhões, estável na comparação trimestral, já que volumes de vendas ligeiramente menores e custos um pouco mais altos devem compensar os maiores preços realizados.
Operações de cobre e níquel em destaque
Em termos de receita, a Genial avalia que o crescimento trimestral deve ser liderado pelas operações de cobre e níquel, em função de maiores embarques. No caso do cobre, o preço realizado mais elevado também deve contribuir para o resultado.
Na divisão de Ferrosos, a corretora estima uma queda de 0,8% na receita de finos de minério de ferro ante o trimestre anterior, refletindo conversão de vendas mais fraca e um intervalo entre produção e vendas maior do que o antecipado.
No que se refere ao lucro líquido, a Genial vê o resultado voltando ao terreno positivo na comparação anual, após o prejuízo registrado no quarto trimestre de 2024. “O resultado deve ser sustentado por um Ebitda mais forte e pela normalização das despesas financeiras extraordinárias”, afirma.
A corretora relembra que os últimos meses de 2024 também foram marcados por uma valorização expressiva do dólar em relação ao real, o que elevou o saldo da dívida em moeda americana da empresa.
Casas cortam recomendação para Vale
Os analistas se dividem nas recomendações para a ação. A Genial rebaixou o papel para “manter” no final de janeiro, com preço-alvo de R$ 90, após mais de três anos com indicação de compra. A corretora avalia que não há fragilidade na tese de investimento da empresa, mas considera que ela já se materializou nos preços da ação.
O papel da Vale acumula valorização de 83,11% nos últimos 12 meses. Na quarta-feira (11), o ativo superou o patamar histórico de R$ 90.
O BB Investimentos também rebaixou a recomendação da empresa para neutra no final de janeiro, com preço-alvo de R$ 75. Embora espere resultados robustos à frente para a mineradora, a casa optou por se reposicionar após o rali das ações.
O que diz quem ainda recomenda compra?
A Ágora, por outro lado, manteve recomendação de compra e ampliou o preço-alvo de VALE3 de R$ 83 para R$ 102 em relatório divulgado na quarta-feira (11).
Mesmo com a redução do desconto no valuation em relação aos pares, a corretora avalia que a companhia continua atraente sob a ótica de geração de caixa. O rendimento estimado de fluxo de caixa livre para 2026 é de 8%, acima da média de 5% observada entre os concorrentes.
“Embora o preço do minério de ferro permaneça como principal risco no curto prazo, o valuation descontado, a disciplina na alocação de capital e a visão construtiva para a divisão de metais básicos seguem fornecendo suporte para a tese”, afirma a Ágora.
O Itaú BBA é outro que indica compra, com preço-alvo de R$ 100. A casa entende que a companhia continuará se beneficiando da tese de desvalorização do dólar globalmente, com investidores em busca de ativos reais, como os metais.
O BBA também avalia que o ritmo de desalavancagem da Vale deve acelerar a partir de 2026, abrindo espaço para dividendos extraordinários. Considerando apenas o pagamento mínimo de dividendos (com retorno médio de 6%), o banco projeta que a dívida líquida expandida recuará para US$ 14,5 bilhões em 2027 e US$ 12,5 bilhões em 2028 – abaixo do intervalo-alvo da empresa – criando, assim, espaço para distribuições extraordinárias.
O BTG, por sua vez, pontua que a empresa “virou a página” em relação a questões do passado – como a tragédia de Brumadinho – e está recuperando a confiança dos investidores. “A tese fundamentalista está tão sólida quanto nos lembramos”, avalia.
Isso, combinado a fundamentos mais fortes do que o esperado para o minério de ferro, cobre e níquel – além de uma sazonalidade favorável à frente –, sustenta um viés positivo no curto prazo, na visão do banco. O BTG acrescenta que a vantagem da Vale em geração de fluxo de caixa livre frente às concorrentes australianas segue relevante e ainda não está totalmente precificada.