Ibovespa hoje acompanha projeções do Focus, dados de atividade nos EUA e desdobramentos da “Tarifa Mundial” de Donald Trump
Relatório semanal do BC, indicadores de confiança e atividade na Europa e discurso de representante do banco central dos EUA entram no radar após recorde na sexta (20)
Ibovespa hoje reage ao índice Ifo da Alemanha, Boletim Focus e dados de atividade dos EUA nesta segunda-feira. Na sexta, índice fechou em recorde aos 190 mil pontos. (Imagem: Adobe Stock)
O Ibovespa hoje opera atento a uma agenda diversificada no Brasil e no exterior, com indicadores capazes de calibrar expectativas para crescimento e juros. A última semana de fevereiro tem como destaque nacional o Boletim Focus – relatório semanal divulgado pelo Banco Central (BC) que reúne as projeções de mercado para os principais indicadores econômicos do País – e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15 ) de janeiro.
Na agenda brasileira desta segunda-feira (23) , também estão a divulgação dos números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), e do Governo Central. No âmbito dos balanços, o mercado reage a resultados da Telefônica Brasil (VIVT3) e esperam pelos números da Gerdau (GGBR4) hoje.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumpre agenda na Coreia do Sul. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que a Câmara vai priorizar nesta semana a votação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Motta também afirmou que o relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6×1 na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) será indicado no início desta semana.
Na Alemanha, o índice de clima de negócios Ifo, que mede a confiança de empresários e sinaliza tendências da maior economia da Europa, pode influenciar o humor global. No Brasil, saem a confiança do consumidor da Fundação Getulio Vargas e o Boletim Focus, relatório semanal do Banco Central que reúne projeções de mercado para inflação, Produto Interno Bruto (PIB) e taxa básica de juros.
Nos Estados Unidos, investidores acompanham desdobramentos das “Tarifa Mundial”, citadas por Donald Trump no fim da semana passada. O índice nacional de atividade do Federal Reserve de Chicago (é um dos 12 bancos regionais que compõem o Sistema do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos), que sintetiza o ritmo da economia americana, é divulgado, além de encomendas à indústria e leilões de Treasuries, títulos do tesouro estadunidense.
Também está previsto discurso de dirigente do Federal Reserve (Fed), evento que costuma mexer com as apostas para a trajetória dos juros. À noite, a China divulga a Loan Prime Rate, taxa de referência para empréstimos, importante para o crédito e para o desempenho de commodities.
Ibovespa hoje: veja mais destaques do pregão desta segunda-feira (23)
Mercado exterior reage a fala de Trump
Os mercados internacionais ficam na defensiva após a Suprema Corte dos EUA derrubar o tarifaço de Trump do ano passado e o presidente americano dizer que aumentará as taxas de 10% para 15%, no que denominou Tarifa Mundial. A sobretaxa comercial será aplicada contra os países que “têm explorado os EUA por décadas”, segundo ele.
As empresas enfrentam agora uma nova onda de incerteza após a decisão da Suprema Corte e a retaliação de Trump. A China disse ainda que monitorará de perto os planos de Trump para medidas alternativas. O investidor também adota cautela com as tensões geopolíticas.
Os índices futuros das bolsas de Nova York operam em baixa e, às 8h07 (de Brasília), no mercado futuro, o Dow Jones caía 0,46%, o S&P 500 recuava 0,55% e o Nasdaq tinha queda de 0,67%.
As bolsas asiáticas, por sua vez, fecharam em alta nesta segunda-feira. Liderando os ganhos na Ásia, o índice Hang Seng avançou 2,53% em Hong Kong, a 27.081,91 pontos, impulsionado por ações de tecnologia. Em Seul, o sul-coreano Kospi subiu 0,65%, a 5.846,09 pontos, renovando máxima histórica pelo terceiro pregão seguido. Na volta do feriado do ano-novo lunar, o Taiex registrou alta de 0,50%, a 33.773,26 pontos.
Os mercados da China e do Japão não operaram hoje devido a feriados. O Ministério do Comércio chinês, disse que está avaliando os efeitos da decisão judicial sobre as tarifas dos EUA e que considerará medidas comerciais alternativas para salvaguardar seus interesses.
Na Oceania, a bolsa australiana contrariou o tom positivo da região asiática e ficou no vermelho. O índice S&P/ASX 200 caiu 0,61% em Sydney, a 9.026,00 pontos.
Enquanto isso, as bolsas europeias operam sem direção única em meio às incertezas em relação à política comercial dos EUA. Por volta das 8h00 (de Brasília), o índice pan-europeu Stoxx 600 recuava 0,28%, a 628,80 pontos, depois de fechar em nova máxima histórica na sexta-feira (20)
Às 7h58 (de Brasília), as bolsas de Londres e Paris caíam marginalmente, enquanto a de Frankfurt recuava 0,50%. As de Milão, Madri e Lisboa, por outro lado, subiam 0,71%, 0,84% e 0,52%, respectivamente.
Tarifa Mundial de Donald Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escreveu na tarde de sábado (21), na sua rede social Truth Social, que irá aumentar de 10% para 15% o que denominou Tarifa Mundial. A sobretaxa comercial será aplicada contra os países que “têm explorado os EUA por décadas”.
Eu, como Presidente dos Estados Unidos da América, estarei, com efeito imediato, aumentando a Tarifa Mundial de 10% sobre os Países, muitos dos quais têm ‘explorado’ os EUA por décadas, sem retribuição (até eu chegar!), para o nível totalmente permitido e legalmente testado de 15%
No post, o presidente americano diz que a decisão foi feita com base em “uma revisão exaustiva, detalhada e completa da decisão ‘ridícula’, mal escrita e extraordinariamente antiamericana sobre Tarifas emitida ontem, após muitos meses de contemplação, pela Suprema Corte dos Estados Unidos”.
Trump também escreveu que, durante os próximos “poucos meses”, o governo determinará e emitirá as novas “tarifas legalmente permissíveis”. Ele pontuou que as sobretaxas permitirão a execução do projeto de “Tornar a América Grande Novamente” (MAGA, na sigla em inglês). “As novas tarifas continuarão nosso processo extraordinariamente bem-sucedido de Tornar a América Grande Novamente – maior do que nunca”, escreveu.
O efeito foi imediato. O bitcoin opera em forte baixa nesta segunda-feira (23) após a fala do presidente dos EUA. Na sexta-feira (20), a criptomoeda reagiu em alta à decisão da Suprema Corte dos EUA de derrubar o tarifaço do governo Trump. Às 8h09 (de Brasília), o bitcoin acumulava queda de cerca de 3,4% em 24 horas, a US$ 65.744,04, segundo cotação da Binance.
O dólar, por sua vez, opera em baixa ante outras moedas de economias desenvolvidas. Às 7h36 (de Brasília), o euro subia a US$ 1,1820, a libra avançava a US$ 1,3525 e o dólar recuava a 154,53 ienes. Já o índice DXY do dólar – que acompanha as flutuações da moeda americana em relação a outras seis divisas relevantes – tinha queda de 0,32%, a 97,48 pontos.
Petróleo e ouro seguem em direções opostas
O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr al-Busaidi, confirmou neste domingo (22) que a próxima rodada de negociações entre os EUA e o Irã sobre o programa nuclear iraniano está marcada para quinta-feira, em Genebra. Trump disse a assessores que pode ordenar um ataque militar contra o Irã caso as negociações sobre o programa nuclear iraniano fracassem, segundo o The New York Times.
Com isso, os contratos futuros de petróleo operam em baixa de mais de 1% nesta manhã desta segunda-feira, revertendo parte dos ganhos da semana passada. Às 8h11 (de Brasília), o barril do petróleo WTI para abril caía 1,40% na Nymex, a US$ 65,55, enquanto o do Brent para maio recuava 1,25% na ICE, a US$ 70,41.
Já os preços do ouro avançam para mais de US$ 5.100 por onça-troy. Às 8h12 (de Brasília), o ouro para abril subia 1,79%, a US$ 5.171,70 por onça-troy. Já a prata para março saltava 5,09%, a US$ 86,35 por onça-troy, mantendo o forte desempenho do fim da semana passada.
O que mais esperar do Ibovespa hoje
O sinal negativo que predomina nas bolsas internacionais pode limitar o fôlego do Ibovespa. O EWZ, principal ETF brasileiro negociado em NY, e os ADRs da Vale e da Petrobras operavam há pouco em leve alta no pré-mercado.
Na sexta-feira, a Bolsa teve seu 12º recorde após a decisão da Suprema Corte dos EUA e fechou na casa dos 190 mil pontos. O vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, avaliou que a decisão da Suprema Corte foi positiva para o Brasil.
No radar fica a notícia de que o governo suspendeu a licitação de dragagem no rio Tapajós em resposta à invasão do terminal portuário da Cargill em Santarém (PA), na madrugada de sábado. O governo convocou reuniões para hoje para tratar do tema.
O presidente Lula e o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, anunciaram um plano de ação com o objetivo de estreitar a relação entre os dois países. Além disso, o Brasil e Índia firmaram onze acordos governamentais e institucionais durante a missão do presidente ao país.
Esses e outros indicadores ficam no radar dos investidores nesta segunda-feira e devem ditar os humores do Ibovespa hoje.
*Com informações de Luciana Xavier, Silvana Rocha, Sergio Caldas e Karla Spotorno, da Broadcast