Ibovespa reagiu ao Boletim Focus e aos dados de atividade dos EUA nesta segunda-feira (23).(Imagem: Adobe Stock)
O Ibovespa hoje fechou em baixa de 0,88%, aos 188.853,49 pontos, atento a uma agenda diversificada no Brasil e no exterior. O dia teve como destaque nacional o Boletim Focus – relatório semanal divulgado pelo Banco Central (BC) que reúne as projeções de mercado para os principais indicadores econômicos do País – e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de janeiro.
A mediana do Focus para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 caiu de 3,95% para 3,91%. Em relação à cotação do dólar no fim de 2026, a projeção caiu de R$ 5,50 para R$ 5,45, depois de 18 semanas de estabilidade.
Já a mediana do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro aumentou levemente, de 1,80% para 1,82%, depois de 10 semanas de estabilidade. O relatório ainda indica cortes na taxa básica de jurosSelic no fim de 2026, que caiu de 12,25% para 12,13%, depois de oito semanas de estabilidade.
Na agenda brasileira desta segunda-feira (23), o mercado reagiu aos resultados da Telefônica Brasil (VIVT3). O lucro da empresa cresceu 6,5% no quarto trimestre de 2025 em relação ao mesmo período de 2024, chegando a R$ 1,877 bilhão. Já a Gerdau (GGBR4) divulga seu balanço após o fechamento do mercado.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que a Casa vai priorizar nesta semana a votação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Motta também afirmou que o relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6×1 na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) será indicado no início desta semana.
Nos Estados Unidos, investidores acompanharam desdobramentos das “tarifas mundiais”, citadas por Donald Trump no fim da semana passada. Ainda na agenda, o índice nacional de atividade do Federal Reserve de Chicago (é um dos 12 bancos regionais que compõem o Sistema do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) subiu para +0,18 em janeiro, ante -0,21 em dezembro, segundo pesquisa divulgada pela instituição nesta segunda-feira. O resultado acima de zero significa que a economia americana segue se expandindo acima da média histórica.
À noite, a China divulga a Loan Prime Rate, taxa de referência para empréstimos, importante para o crédito e para o desempenho de commodities.
Ibovespa hoje: veja mais destaques do pregão desta segunda-feira (23)
Mercado exterior reage a anúncio de Trump sobre tarifas
Os mercados internacionais ficaram na defensiva após a Suprema Corte dos EUA derrubar o tarifaço de Trump do ano passado e o presidente americano dizer que aumentará as taxas de 10% para 15%, no que denominou de “tarifa mundial”. A sobretaxa comercial será aplicada contra os países que “têm explorado os EUA por décadas”, segundo ele.
As empresas enfrentam agora uma nova onda de incerteza após a decisão da Suprema Corte e a retaliação de Trump. A China disse ainda que monitorará de perto os planos de Trump para medidas alternativas. O investidor também adota cautela com as tensões geopolíticas.
As bolsas asiáticas, por sua vez, fecharam em alta nesta segunda-feira. Liderando os ganhos na Ásia, o índice Hang Seng avançou 2,53% em Hong Kong, a 27.081,91 pontos, impulsionado por ações de tecnologia. Em Seul, o sul-coreano Kospi subiu 0,65%, a 5.846,09 pontos, renovando máxima histórica pelo terceiro pregão seguido. Na volta do feriado do ano-novo lunar, o Taiex registrou alta de 0,50%, a 33.773,26 pontos.
Os mercados da China e do Japão não operaram hoje devido a feriados. O Ministério do Comércio chinês, disse que está avaliando os efeitos da decisão judicial sobre as tarifas dos EUA e que considerará medidas comerciais alternativas para salvaguardar seus interesses.
Na Oceania, a bolsa australiana contrariou o tom positivo da região asiática e ficou no vermelho. O índice S&P/ASX 200 caiu 0,61% em Sydney, a 9.026,00 pontos.
Enquanto isso, as bolsas europeias encerraram sem direção única em meio às incertezas em relação à política comercial dos EUA. Em Londres, o FTSE 100 fechou em baixa de 0,02%, a 10.684,74 pontos. Em Frankfurt, o DAX cedeu 1,09%, a 24.986,58 pontos. Em Paris, o CAC 40 recuou 0,22%, a 8.497,17 pontos. Já em Milão, o FTSE MIB avançou 0,49%, a 46.699,29 pontos. Em Madri, o Ibex 35 também fechou no campo positivo, marcando alta de 0,52%, a 18.280,80 pontos, assim como em Lisboa, onde o PSI 20 terminou o pregão com avanço de 1,71%, a 9.245,67 pontos.
Tarifa global de Donald Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escreveu na tarde de sábado (21), na sua rede social Truth Social, que irá aumentar de 10% para 15% o que denominou de tarifa mundial. A sobretaxa comercial será aplicada contra os países que “têm explorado os EUA por décadas”.
Eu, como Presidente dos Estados Unidos da América, estarei, com efeito imediato, aumentando a tarifa global de 10% sobre os Países, muitos dos quais têm ‘explorado’ os EUA por décadas, sem retribuição (até eu chegar!), para o nível totalmente permitido e legalmente testado de 15%
No post, o presidente americano diz que a decisão foi feita com base em “uma revisão exaustiva, detalhada e completa da decisão ‘ridícula’, mal escrita e extraordinariamente antiamericana sobre Tarifas emitida ontem, após muitos meses de contemplação, pela Suprema Corte dos Estados Unidos”.
Trump também escreveu que, durante os próximos “poucos meses”, o governo determinará e emitirá as novas “tarifas legalmente permissíveis”. Ele pontuou que as sobretaxas permitirão a execução do projeto de “Tornar a América Grande Novamente” (MAGA, na sigla em inglês). “As novas tarifas continuarão nosso processo extraordinariamente bem-sucedido de Tornar a América Grande Novamente – maior do que nunca”, escreveu.
O efeito foi imediato. O bitcoin operou em forte baixa nesta segunda-feira (23) após a fala do presidente dos EUA. Na sexta-feira (20), a criptomoeda reagiu em alta à decisão da Suprema Corte dos EUA de derrubar o tarifaço do governo Trump.
O dólar fechou em baixa ante outras moedas de economias desenvolvidas. A divisa americana caiu a 154,71 ienes, enquanto o euro avançou a US$ 1,1792 e a libra teve alta a US$ 1,3492. Já o índice DXY do dólar – que acompanha as flutuações da moeda americana em relação a outras seis divisas relevantes – encerrou em queda de 0,08%, a 97,706 pontos.
Petróleo e ouro têm direções opostas
O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr al-Busaidi, confirmou neste domingo (22) que a próxima rodada de negociações entre os EUA e o Irã sobre o programa nuclear iraniano está marcada para quinta-feira (26), em Genebra. Trump disse a assessores que pode ordenar um ataque militar contra o Irã caso as negociações sobre o programa nuclear iraniano fracassem, segundo o The New York Times.
Com isso, os contratos futuros de petróleo fecharam em baixa nesta segunda-feira, revertendo parte dos ganhos da semana passada. O barril do petróleo WTI para abril encerrou em queda de 0,26% na Nymex, a US$ 66,31, enquanto o do Brent para maio cedeu 0,27% na ICE, a US$ 71,11.
Já os preços do ouro avançaram para mais de US$ 5.200 por onça-troy. Na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), o ouro para abril encerrou em alta de 2,85%, a US$ 5.225,6 por onça-troy
Já a prata para março saltou 5,14%, a US$ 86,57 por onça-troy, mantendo o forte desempenho do fim da semana passada.
Esses e outros indicadores ficaram no radar dos investidores nesta segunda-feira e ditaram os humores do Ibovespa hoje.
*Com informações de Luciana Xavier, Silvana Rocha, Sergio Caldas e Karla Spotorno, da Broadcast