A sessão desta segunda-feira (23) no exterior começou com menor apetite por risco após o anúncio de majoração temporária das tarifas globais de importação pelos EUA, reacendendo incertezas no comércio e levando investidores a reduzirem exposição a ações em Nova York. O dólar segue perdendo força frente a pares de países desenvolvidos, os rendimentos dos Treasuries, títulos do tesouro estadunidense, cedem, enquanto ouro e petróleo avançam — este último amparado por tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Fala recente de dirigente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, reforçou que qualquer flexibilização seguirá dependente de dados, adicionando ruído ao curto prazo. Na agenda da semana, o PPI (índice de preços ao produtor) nos EUA e decisões de política monetária na China ajudam a manter a volatilidade elevada. Em síntese, combinação de dólar mais fraco, commodities firmes e bolsas americanas pressionadas dita o tom do dia.
Por aqui, o Ibovespa hoje chegou a ensaiar nova máxima histórica intradia na casa dos 191 mil pontos, mas perdeu fôlego em linha com o exterior, com suporte relativo de blue chips (ações de empresas com grande valor de mercado) ligadas a commodities. O real se destaca entre emergentes e testou mínimas desde maio/24, com o dólar recuando 0,42% cotado aos R$ 5,15, favorecido por fluxo, diferencial de juros (carry) e pela recuperação do petróleo.
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Nos Depósitos Interfinanceiros (DIs), a curva tem leve viés de baixa: o curto prazo já precifica um corte de 0,5 p.p. na Selic em março, enquanto a ponta longa segue sensível às expectativas de inflação e ao quadro fiscal. Na agenda local, Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) e Caged, somados à retomada da safra de balanços, podem calibrar o ritmo dos juros e o apetite por risco nos próximos dias.
Nesse sentido, às 14h20, o Ibovespa recuava 0,89% aos 188.842 pontos.
Entre as ações que compõem o Ibovespa, Petrobras (PETR3; PETR4) avança com o Brent em alta, enquanto o setor bancário pressiona o índice sob um pano de fundo externo mais cauteloso, mas Banco do Brasil (BBAS3) oferece algum contraponto com Juros Sobre Capital Próprio (JCP) no radar. Telefônica Brasil (VIVT3) figura entre as altas apoiada por resultados sólidos do 4T25.
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