O barril do petróleo WTI para abril fechou em alta de 6,28% na Nymex, a US$ 71,23, enquanto o do Brent para maio aumentou 6,68% na ICE, a US$ 77,74.
A equipe de commodities do Citi estima que o petróleo tipo Brent será negociado na faixa de US$ 80 a US$ 90 por barril nesta semana, considerando os eventos recentes envolvendo EUA, Israel e Irã, além dos riscos geopolíticos e de abastecimento.
Em relatório, os analistas Gabriel Barra, Andrés Cardona, Pedro Gama e Matheus Tostes afirmam que a visão básica do banco é a seguinte: a liderança iraniana deve mudar ou o regime deve se alterar o bastante para pôr fim à guerra em uma ou duas semanas; alternativamente, os EUA podem optar por reduzir a tensão após perceberem a troca de comando e o atraso nos programas de mísseis e nuclear do Irã no mesmo período.
Na mesma linha, Adam Hetts, diretor global de multiativos e gestor de portfólio da Janus Henderson Investors, avalia que o foco inicial do mercado está concentrado no petróleo. Segundo ele, o Irã responde por cerca de 3% a 4% da oferta global, mas o impacto regional já se intensifica, sobretudo pela paralisação praticamente total do tráfego no Estreito de Ormuz.
Para o gestor, apesar da forte reação dos preços, que já superaram a faixa de US$ 70 e podem avançar ainda mais, o movimento ainda não sinaliza, por ora, um cenário de desorganização estrutural do mercado. Ele lembra que, em episódios recentes de tensão entre Irã e Israel, como em abril de 2024 e na guerra de 12 dias em junho de 2025, o Brent oscilou entre US$ 80 e US$ 90 sem provocar danos duradouros aos ativos globais. Um quadro mais preocupante, diz, exigiria uma escalada prolongada capaz de levar o petróleo de forma sustentada acima de US$ 100, como ocorreu após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.
Hetts pondera, contudo, que uma incerteza persistente pode afetar o sentimento dos investidores, favorecer ativos considerados porto seguro, como títulos do Tesouro americano e moedas fortes, e reacender temores inflacionários globais. Nesse caso, a expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve poderia ser adiada. Ainda assim, o cenário-base da gestora segue sendo de conflito limitado.
A recomendação, segundo ele, é manter portfólios diversificados e foco em tendências estruturais de longo prazo, evitando reações precipitadas à volatilidade de curto prazo.
Bolsas ficam sob tensão provocada por conflito no Oriente Médio
As ações das petrolíferas ExxonMobil e Chevron subiram 1,13% e 1,52%, respectivamente, no final da tarde em Nova York, impulsionadas pelos preços do petróleo. Por outro lado, a situação pressionou papéis de companhias aéreas: United Airlines caiu 2,91%, a Delta Air Lines recuou 2,21% e a American Airlines cedeu 4,21%.
As bolsas europeias fecharam em queda nesta segunda-feira, enquanto investidores acompanharam os desdobramentos dos ataques. Contudo, ações de petrolíferas e do setor de defesa subiram, impulsionadas pelo conflito.
Com foco nos ataques, as bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em baixa hoje. O índice japonês Nikkei caiu 1,35% em Tóquio mas papéis ligados ao setor de defesa como os de Mitsubishi Heavy Industries (+3,61%) e IHI Corp. (+2,97%) avançaram.
Na China continental, o Xangai Composto driblou o mau humor regional e subiu 0,47%, a 4.182,59 pontos, graças a ações de petrolíferas como as de Sinopec e PetroChina, que saltaram cerca de 10% diante da forte reação de alta do petróleo às tensões no Oriente Médio, mas o menos abrangente Shenzhen Composto caiu 0,68%, a 2.744,86 pontos.
*Com informações do Broadcast