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Mercado

Ibovespa fecha em alta com Focus e IBC-Br no radar, em meio à guerra no Oriente Médio

Cotação do petróleo fechou em queda e desdobramentos do conflito no Oriente Médio adicionaram volatilidade à commodity em semana de decisões de juros no Brasil e EUA

Por Ana Ayub, Isabela Ortiz, Igor Markevich e Beatriz Rocha

16/03/2026 | 4:30 Atualização: 16/03/2026 | 17:37

Investidores monitoraram indicadores no Brasil e no exterior após o Ibovespa encerrar a sexta-feira (13) em queda, pressionado pela alta do petróleo e pelo cenário geopolítico. (Imagem: Adobe Stock)
Investidores monitoraram indicadores no Brasil e no exterior após o Ibovespa encerrar a sexta-feira (13) em queda, pressionado pela alta do petróleo e pelo cenário geopolítico. (Imagem: Adobe Stock)

O Ibovespa hoje iniciou a semana atento ao cenário externo e à agenda de política monetária, com destaque para as decisões de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) e do Comitê de Política Monetária (Copom), que ocorrem na quarta-feira (18). Ao mesmo tempo, investidores seguiram monitorando os desdobramentos da guerra no Oriente Médio, que reforçam a volatilidade do petróleo e aumentam as incertezas nos mercados financeiros globais. O índice da B3 teve alta de 1,25%, aos 179.875,44 pontos.

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Nesta segunda-feira (16), os preços dos barris de petróleo foram influenciados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que cobrou de aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ajuda para liberar o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Autoridades americanas estimam que o conflito no Oriente Médio pode durar de quatro a seis semanas, enquanto a retaliação do Irã já teria retirado mais de 12 milhões de barris por dia do mercado.

Volatilidade domina mercados internacionais

Nos mercados internacionais, os contratos futuros do petróleo fecharam em queda. O WTI para maio recuou 5,28%, a US$ 93,5 o barril, enquanto o Brent para o mesmo mês cedeu 2,84% a US$ 100,21.

Em Nova York, os índices das bolsas fecharam em alta, indicando tentativa de recuperação após as perdas da semana passada. Dow Jones avançou 0,83%, enquanto o S&P 500 subiu 1,01% e o Nasdaq teve alta de 1,22%

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No mercado de renda fixa, os rendimentos dos Treasuries recuaram após terem mostrado tendência de alta durante grande parte da semana passada. O juro da T-note de 2 anos caiu a 3,678%, o da T-note de 10 anos recuou a 4,225% e o do T-bond de 30 anos diminuiu a 4,865%.

No câmbio, o dólar fechou em queda frente a moedas fortes. O euro subiu a US$ 1,1511, libra avançou a US$ 1,3328, enquanto o dólar recuou a 159,16 ienes. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de divisas fortes, caiu 0,65%, para 99,712 pontos.

No mercado doméstico, o dólar encerrou em baixa de 1,63%, cotado a R$ 5,2298.

Bolsas da Europa sobem e índices da Ásia terminam sem direção única

As bolsas da Europa fecharam majoritariamente em alta nesta segunda-feira, diante do alívio nos preços do petróleo, à medida que os investidores acompanharam os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e mantiveram expectativas de uma maior abertura no Estreito de Ormuz. No radar, o mercado monitorou possíveis consequências econômicas da guerra, de olho nas reuniões de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco da Inglaterra (BoE, em inglês), ambas na quinta-feira (19).

Em Londres, o FTSE 100 fechou em alta de 0,55%, a 10.317,69 pontos. Em Frankfurt, o DAX subiu 0,51%, a 23.565,79 pontos. Em Paris, o CAC 40 ganhou 0,31%, a 7.935,97 pontos. Em Milão, o FTSE MIB avançou 0,07%, a 44.347,56 pontos. Em Madri, o Ibex 35 subiu 0,47%, a 17.140,20 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 teve queda de 0,15%, a 9.129,84 pontos.

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O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse acreditar que petroleiros da China e da Índia navegaram pelo Estreito de Ormuz e há expectativas de que outros navios-tanque sigam o mesmo caminho, o que arrefeceu a alta do petróleo e deu fôlego na busca por risco.

Na Ásia, as bolsas fecharam sem direção única, enquanto investidores avaliam dados econômicos chineses acima das expectativas. No primeiro bimestre, tanto a produção industrial quanto as vendas no varejo da China superaram as projeções do mercado. O Nikkei caiu 0,13% em Tóquio, enquanto o Kospi avançou 1,14% em Seul e o Hang Seng subiu 1,45% em Hong Kong.

Destaques do Ibov hoje

No cenário doméstico, o mercado acompanhou a expectativa pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para quarta-feira (18). O conflito no Oriente Médio aumenta as incertezas e reforça apostas de que o início do ciclo de cortes da Selic pode ser cauteloso, possivelmente de 0,25 ponto porcentual, embora parte do mercado ainda espere uma redução de 0,50 ponto.

Na frente política e econômica, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a criticar o nível dos juros reais e reiterou a defesa de uma meta de inflação contínua.

Já o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, afirmou que o governo acompanha a alta do petróleo e destacou medidas para garantir o abastecimento de combustíveis no país. Na sexta-feira (13), a Petrobras anunciou aumento no preço do diesel em R$ 0,38 por litro.

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Na agenda doméstica da semana, investidores também devem monitorar os resultados de empresas como Itaúsa (ITSA4), Natura (NTCO3), Sabesp (SBSP3) e BRF (BRFS3).

Resultado IBC-Br

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) cresceu 0,78% em janeiro, na comparação com dezembro e na série com ajuste sazonal, informou hoje a autarquia. O indicador havia caído 0,15% em dezembro (revisado, de -0,18%). O resultado de janeiro ficou praticamente em linha com a mediana da pesquisa Projeções Broadcast, que apontava para alta de 0,80%. As estimativas do mercado iam de variação zero a crescimento de 1,30%.

O IBC-Br ex-agropecuária, que exclui os efeitos do setor da conta, aumentou 0,86%, após uma queda de 0,27% no mês anterior (revisado, de -0,31%). O indicador próprio da agropecuária caiu 1,49%, após alta de 2,07% em dezembro (revisado, de 2,26%). O índice de serviços cresceu 0,81%, após queda de 0,12% no mês anterior (revisado de -0,26%); o da indústria aumentou 0,37%, após queda de 0,01% em dezembro (revisado, de +0,32%); e o de impostos – equivalente, em linhas gerais, à rubrica de impostos líquidos sobre produtos do Produto Interno Bruto (PIB) – cresceu 0,47%, após baixa de 0,18% em dezembro (revisado de -0,17%).

Interanual

Na comparação com janeiro de 2025, o IBC-Br total cresceu 0,98% na série sem ajuste sazonal – abaixo da mediana da pesquisa Projeções Broadcast, de 1,60%. As estimativas do mercado iam de queda de 0,30% a alta de 3,50%. O índice ex-agropecuária cresceu 0,91% na comparação interanual, após alta de 2,92% no mês anterior (revisado, de 2,94%). O da agropecuária teve alta de 0,65%, depois de ter crescido 6,24% em dezembro (revisado, de 6,35%).

O indicador de serviços cresceu 2,09%, após alta de 3,22% (revisado, de 3,08%). O da indústria caiu 1,17%, depois de ter crescido 1,76% (revisado, de 2,26%). O índice de impostos caiu 1,27%, após alta de 2,52% (revisado, de 2,59%).

Boletim Focus hoje

O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (16) mostrou leve piora nas expectativas de inflação para 2026, ao mesmo tempo em que manteve projeções estáveis para os anos seguintes. A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 subiu de 3,91% para 4,10%, enquanto as projeções para 2027 (3,80%) e 2028 (3,50%) permaneceram inalteradas.

Para a atividade econômica, a expectativa de crescimento do PIB em 2026 avançou marginalmente, de 1,82% para 1,83%, com as projeções mantidas em 1,80% para 2027 e 2,00% para 2028.

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No câmbio, o mercado passou a prever o dólar a R$ 5,40 em 2026, ante R$ 5,41 na semana anterior, e R$ 5,47 em 2027, abaixo dos R$ 5,50 estimados anteriormente, enquanto a projeção para 2028 permaneceu em R$ 5,50. Já para a política monetária, a expectativa para a Selic ao fim de 2026 subiu de 12,13% para 12,25%, enquanto as previsões foram mantidas em 10,50% para 2027 e 10,00% para 2028.

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