Com os dois leilões de recompra e venda de títulos prefixados e atrelados à inflação realizados ontem e nesta terça-feira, 17, a intervenção do Tesouro Nacional no mercado secundário nos últimos dois dias é a maior em pelo menos 13 anos.
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Com os dois leilões de recompra e venda de títulos prefixados e atrelados à inflação realizados ontem e nesta terça-feira, 17, a intervenção do Tesouro Nacional no mercado secundário nos últimos dois dias é a maior em pelo menos 13 anos.
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Em atuação elogiada e que surpreendeu alguns agentes, a autoridade fiscal cancelou os certames regulares desta semana às vésperas da decisão de juros do Comitê de Política Monetária (Copom), ao mesmo tempo em que resgatou títulos após a forte disparada dos juros futuros na semana anterior. O movimento teve como pano de fundo as incertezas trazidas pela escalada do conflito no Oriente Médio, mas foi acentuado por ordens de ‘stop loss’ para conter perdas, que fizeram os juros se deteriorarem mais do que os outros ativos domésticos de risco.
Segundo cálculos da Warren Investimentos, o saldo líquido entre recompras e vendas extraordinárias de papéis já soma R$ 41,94 bilhões. Em março de 2020, em meio à pandemia de covid-19, a diferença entre títulos recomprados e ofertas foi de R$ 33,12 bilhões, calculam o estrategista-chefe de Macro e Dívida Pública da Warren, Luis Felipe Vital, e a estrategista Cecília Manzonni.
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Vital e Manzonni listam em relatório, além da pandemia, outros seis eventos que causaram estresse nas curvas de juros e levaram o Tesouro a atuar para corrigir disfuncionalidades, tais como a greve dos caminhoneiros em maio e junho de 2018 (intervenção de R$ 22,04 bilhões) e a perda do grau de investimento do Brasil em 2015 (intervenção de R$ 1,37 bilhão). Os valores são nominais.
Segundo Vital, a atuação mais robusta neste momento é uma estratégia acertada do Tesouro, que agiu com mais celeridade desta vez, e a tendência é que mais leilões do tipo sejam realizados ao longo desta semana. “Essa gestão é mas ativa e está de olho no mercado”, afirmou o estrategista à Broadcast.
Além da questão do conflito, Vital cita uma sequência de resultados mais fortes que o previsto de atividade e inflação que, em conjunto com a disparada do petróleo, geraram uma forte reprecificação da trajetória da política monetária pelo mercado e virada para posições defensivas nos DIs futuros. “O problema do mercado não foi causado pelo Tesouro, mas ele viu que poderia atuar lá e corrigir a disfuncionalidade. É ali que ele financia a dívida dele, e pode ser mais dinâmico e entrar no mercado sim.”
Há quem tenha cogitado, no entanto, outra possível motivação para a entrada da autoridade fiscal no mercado de renda fixa. O gestor de portfólio Eduardo Cohn, da Heritage Capital Partners, observou em post no LinkedIn que a indústria brasileira de fundos multimercado estava bastante posicionada em aplicações nos juros domésticos, levando em conta o afrouxamento monetário e querendo capitalizar nesse movimento.
“Como sabemos, esses players tendem a montar posições expressivas e operar com elevada alavancagem – e foram todos pegos de surpresa tanto pela guerra em si quanto pelos efeitos nos ativos financeiros”, disse o gestor, destacando que a desalavancagem nas apostas em juros locais ocorreu de forma rápida e intensa, com o mercado migrando de aposta de corte de 50 pontos-base da Selic amanhã para redução de apenas 25 pontos-base.
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“Desta vez, o Tesouro entrou em cena rapidamente. Por um lado, ótimo – trouxe calmaria ao mercado. Por outro, fico com uma pulga atrás da orelha quanto à real intenção por trás do movimento. Afinal, estamos na semana do Copom… Será que estão querendo dar uma “mãozinha” para o BC cortar mais?”, questiona.
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