A última emissão que vendeu 100% dos títulos foi a da empresa de energia Axia. Depois dela, oito negócios de empresas de primeira linha que emitem regularmente encontraram poucos (quatro venderam entre 11% e 40% dos papéis da operação) ou praticamente nenhum comprador (quatro deles venderam de zero a 2%). Engie, por exemplo, não vendeu praticamente nada do volume de títulos da operação. “Energisa não vendeu nada, CPFL não vendeu nada, e MRS não vendeu nada”, diz uma fonte de mercado próxima das operações. Houve apenas uma exceção: uma empresa do setor de energia que vendeu 58% de seus títulos, a Serena Energia. Contudo, a operação estava atrelada ao CDI, enquanto as outras eram de títulos incentivados, mais longas.
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O valor de todas essas emissões variaram entre R$ 506 milhões e R$ 2,5 bilhões. Como o investidor não sabe se está comprando pelo preço certo em um momento de alta volatilidade, opta por frear as compras. Ou seja, o problema não são as empresas ou características dos títulos, nem mesmo o seu preço, mas sim a conjuntura difícil. Como esses negócios já estavam fechados, tiveram de ir a mercado de qualquer jeito, mesmo diante da rápida deterioração do cenário. Além deles, existem outros que vinham sendo discutidos e provavelmente ficarão em compasso de espera agora até ajustar seu preço, visando atrair uma demanda maior.
Se uma empresa fica sem vender nenhum titulo os bancos coordenadores da oferta, que deram garantia firme pelos ativos, carregam os papéis em seus balanços até que haja uma nova janela para venda dos papéis no mercado. O problema é que os bancos que passam a carregar mais títulos do que gostariam irão optar por não realizar mais negócios até se livrar dessas debêntures.
É um ciclo de mercado. Como muitos investidores continuam a investir em crédito privado por conta de taxas ainda atrativas, os gestores desses fundos precisarão começar a comprar novos títulos em algum momento, o que tende a normalizar o mercado.
Agora, a fase é de parada. O mercado está avaliando o cenário até ter alguma claridade para colocar um novo preço nos títulos.