Após lançar pré-candidatura ao governo de São Paulo, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad toma café com jornalistas para balanço da gestão. No exterior, após decisões de juros com tom hawkish (indicação de política com taxas de juros mais altas e inflação mais controlada), investidores acompanham fala de Joachim Nagel, do banco central alemão e do Banco Central Europeu (BCE).
Cenário externo
As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em baixa, com as chinesas liderando perdas após o Banco do Povo (PBoC) manter os juros, em linha com a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Banco Central Europeu (BCE), Banco da Inglaterra (BoE) e Banco do Japão (BoJ).
Na mesma direção, as bolsas de valores europeias e os índices futuros em Nova York recuam, pressionados pela guerra no Oriente Médio e pela persistente alta do petróleo Brent, que ronda os US$ 110, embora o barril WTI tenha registrado viés de baixa mais cedo.
A commodity segue pressionada, apesar da articulação de Europa, Japão e Canadá para liberar o fluxo no Estreito de Ormuz e da sinalização dos EUA de possível flexibilização de sanções ao petróleo iraniano. Porém, o porta-voz do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica do Irã, Ali Mohammad Naini, foi morto em um ataque aéreo nesta sexta-feira (20), o que pode dar fôlego à retaliação de Teerã.
Nesse ambiente, os juros dos Treasuries (títulos públicos dos EUA) e o dólar ante pares rivais sobem, com a sinalização do Fed de possível alta de juros ao antecipar os impactos da guerra na inflação, caso o conflito se prolongue.
E o Ibovespa?
A cautela externa tende a ampliar a volatilidade local, embora o petróleo mais alto possa amenizar pressões no câmbio e na B3, também afetada pelo vencimento de opções sobre ações, units, Exchange Traded Funds (ETFs, fundos de índice negociados em bolsa) e Brazilian Depositary Receipts (BDRs, títulos emitidos no Brasil que representam ações de companhias abertas sediadas no exterior).
Sem eventos relevantes na agenda, o foco recai em falas do presidente Lula e de Haddad, além da decisão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que determinou à Petrobras (PETR3; PETR4) ofertar combustíveis de leilões cancelados. A estatal afirma operar perto do limite e já entregar volumes cerca de 15% acima do acordado.
Devem repercutir ainda a MP que libera R$ 10 bilhões para subsidiar o diesel e a antecipação do 13º do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) – que somam R$ 78,3 bilhões –, elevando alertas fiscais e inflacionários, com possíveis efeitos no ciclo de corte da Selic pelo Banco Central (BC).
A paralisação de caminhoneiros segue suspensa após assembleia e a MP que reforça o piso do frete, criticada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Completa o cenário a saída de Gilson Finkelsztain da presidência da B3 para o Santander Brasil (SANB11), com sucessão envolvendo Luis Masagão, Caio Ibrahim David e José Berenguer.
Mercados: os principais indicadores agora
O petróleo voltou a oscilar na última hora, após cair durante a madrugada, em meio às incertezas da guerra no Oriente Médio, que entrou no 21º dia e ainda sem solução para o fechamento do Estreito de Ormuz. Às 8h10, o petróleo WTI para maio caía 0,21%, a US$ 95,41 na Nymex, enquanto o Brent para o mesmo mês avançava 0,69%, a US$ 109,46 na ICE.
No mesmo horário, o EWZ marcava alta de 0,66%, enquanto as ADRs de Petrobras e Vale oscilavam em 0,30% e -0,81%, respectivamente.
Em Nova York, os índices futuros operam em queda após perdas recentes em Wall Street diante da alta do petróleo: o Dow Jones caía 0,43%, o S&P 500 registrava -0,54% e o Nasdaq recuava 0,72% às 8h10.
Na Europa, as bolsas passaram a cair com a pressão da commodity e a cautela geopolítica, com Londres em baixa de 0,11%, Paris de 2,03% e Frankfurt de 2,82%.
Nos Treasuries, os rendimentos avançam sob influência do Fed e dos riscos inflacionários ligados ao petróleo. Às 8h10, a T-Note de 2 anos caía a 3,865%, a de 10 anos diminuía a 4,297% e o T-Bond de 30 anos ia a 4,866%.
No câmbio, o dólar avança frente a moedas fortes, refletindo a perspectiva de juros mais altos por mais tempo. Às 8h10, o euro caía a US$ 1,156, a libra recuava a US$ 1,338 e o dólar subia a 158,85 ienes. O índice DXY diminuía 0,93%, a 99,153 pontos.
Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em queda, pressionadas pela aversão ao risco, embora o petróleo tenha recuado em parte do pregão. O Xangai Composto caiu 1,24% e o Shenzhen Composto, 1,18%, após o PBoC manter juros. O Hang Seng recuou 0,88% em Hong Kong e o Taiex cedeu 0,43% em Taiwan. Em Tóquio, não houve pregão devido a feriado. Na contramão, o Kospi subiu 0,31% em Seul.
Na Oceania, o S&P/ASX 200 caiu 0,82% em Sydney.
Agenda de sexta-feira (20)
| Horário |
País |
Evento / Indicador |
| 04h00 |
Alemanha |
Destatis: PPI – Fev |
| 07h00 |
Zona do euro |
Eurostat: Balança comercial – Jan |
| 07h30 |
Rússia |
Decisão de política monetária |
| 11h30 |
Brasil |
BC oferta até 50 mil contratos de swap (US$ 2,5 bi) em rolagem |
| 12h00 |
Brasil |
BC oferta até R$ 5 bi em operações compromissadas de 6 meses |
| 14h00 |
Estados Unidos |
Baker Hughes: poços e plataformas em operação |
| 14h30 |
Alemanha |
Joachim Nagel discursa no evento Goslarsches Pancket |
| 16h00 |
Argentina |
Indec: PIB 4º trimestre |
| – |
Japão |
Feriado do Dia do Equinócio (mercados fechados) |
Fonte: Broadcast, Dow Jones Newswires e FactSet