A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã chega à quarta semana, dividindo as atenções com indicadores e eventos importantes, como a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), o Relatório de Política Monetária, a coletiva do presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de março. Também estão no radar do mercado financeiro balanços corporativos, como os da Braskem (BRKM5) e JBS (JBSS3).
No exterior, os investidores acompanham na semana os índices de gerentes de compras (PMIs) da Europa e dos EUA, o discurso da presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, e decisões de política monetária de bancos centrais como os do Chile, África do Sul e México.
No cenário internacional, as bolsas europeias fecharam mistas após o anúncio do presidente dos EUA, enquanto os índices de Nova York encerraram em alta.
O petróleo fechou em queda, o dólar cedeu frente à maioria das moedas e os rendimentos dos Treasuries (títulos públicos norte-americanos) terminaram em baixa, enquanto o ouro caiu mais de 3%.
A cautela havia se intensificado após Trump ameaçar no sábado (21) atacar e destruir usinas elétricas do Irã caso o país não reabrisse o Estreito de Ormuz em 48 horas. Em resposta, a Guarda Revolucionária iraniana havia afirmado que poderia fechar completamente a via e atingir infraestruturas energéticas no Oriente Médio. O anúncio do presidente norte-americano nesta manhã de segunda-feira, no entanto, mudou o cenário.
O dólar hoje fechou a sessão desta segunda-feira (23) com queda de 1,29%, a R$ 5,2407, acompanhando a onda de desvalorização da moeda americana no exterior. O dia foi marcado pelas declarações do presidente Trump que sugerem a intenção dos EUA em não promover uma escalada na guerra com o Irã. Pela manhã, em publicação na Truth Social, Trump disse que houve conversas “muito boas e produtivas” com o Irã para o fim das hostilidades entre países no Oriente Médio, o que o levou a ordenar o adiamento por cinco dias de qualquer ataque à infraestrutura enérgica do país persa.
À tarde, Trump reiterou que há “boa chance” de acordo entre os países. Autoridades iranianas negaram abertura de negociações com os EUA, o que moderou parcialmente os ganhos das divisas emergentes. Depois de subir 1,79% última sexta-feira na casa de R$ 5,30, o dólar chegou a bater a mínima hoje de R$ 5,2157. A moeda americana ainda acumula ganhos de 2,08 frente ao real em março, após queda de 2,16% em fevereiro.
O que aconteceu no Ibovespa hoje
No Brasil, os ativos locais reagiram ao anúncio de contenção dos ataques na guerra do Oriente Médio, diante de agenda doméstica mais fraca, que ganha tração a partir de terça-feira (24) com a divulgação da ata do Copom.
O EWZ, principal Exchange Traded Fund (ETF) brasileiro negociado em Nova York, subiu mais de 5%, enquanto as American Depositary Receipts (ADRs) da Vale e da Petrobras registraram ganhos de 5,41% e 2,75%, respectivamente. No Brasil, as ações VALE3 avançaram 2,57% e as ações PETR4 subiram 0,79%.
No radar político e institucional, seguiram as discussões sobre nomes para a diretoria do Banco Central: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já teria decidido indicar nomes sugeridos por Gabriel Galípolo para as vagas abertas, o que deve manter Guilherme Mello na Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, segundo o jornal O Globo. Lula também criticou no domingo o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), afirmando que o órgão tem sido omisso na busca por soluções de conflitos.
Mercados globais viram em reação à interrupção de ataques no Irã
O petróleo foi o principal destaque do dia entre os ativos. Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o WTI para maio fechou em queda de 10,28% a US$ 88,13 o barril. Já o Brent para junho recuou 9,86% a US$ 95,92 o barril, na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).
Em Nova York, os índices subiram, refletindo a queda do petróleo diante dos anúncios do presidente dos EUA sobre a guerra no Irã. O Dow Jones avançou 1,38%, o S&P 500 subiu 1,15% e o Nasdaq teve alta de 1,38%.
Na Europa, em Londres, o FTSE 100 fechou em baixa de 0,24%, a 9.894,15 pontos. Em Frankfurt, o DAX subiu 0,96%, a 22.595,25 pontos. Em Paris, o CAC 40 ganhou 0,79%, a 7.726,20 pontos. Em Milão, o FTSE MIB avançou 0,81%, a 43.189,80 pontos. Em Madri, o Ibex 35 computou alta de 1,07%, a 16.900,10 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 subiu 0,25%, a 8.778,51 pontos.
No mercado de renda fixa, os rendimentos dos Treasuries encerraram em baixa. O juro da T-note de 2 anos caiu a 3,843%, o da T-note de 10 anos recuou a 4,342% e o do T-bond de 30 anos teve queda a 4,914%.
No câmbio, o dólar perdeu força frente a outras moedas de economias desenvolvidas. O euro subiu a US$ 1,1619 e a libra avançou a US$ 1,3439. O índice DXY do dólar, que acompanha as flutuações da moeda norte-americana em relação a outras seis divisas relevantes, teve queda de 0,7%, a 98,950 pontos.
Na Ásia, os mercados fecharam em forte queda, pressionados pela escalada da guerra no Oriente Médio e pela alta do petróleo, além da manutenção das taxas de juros por grandes bancos centrais, o que reforçou a cautela global. O Kospi, da Coreia do Sul, despencou 6,49%, enquanto o Nikkei, do Japão, caiu 3,48%. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 3,54%, e em Taiwan, o Taiex recuou 2,45%. Na China continental, o Xangai Composto caiu 3,63% e o Shenzhen Composto cedeu 4,19%.
Na Oceania, o S&P/ASX 200 registrou queda de 0,74%.