Segundo levantamento da Elos Ayta, no acumulado do ano, o Ibovespa sobe 16,26% e lidera com folga o desempenho entre os principais índices. Na sequência aparece o IDIV, com valorização de 13,77%. O SMLL, por sua vez, avança apenas 2,41% em 2026.
Os ganhos da Bolsa brasileira no ano têm sido motivados, principalmente, por fluxo externo, não por fluxo local. Até o dia 29 de abril de 2026, dado mais recente da B3, o saldo de dinheiro gringo na bolsa brasileira está positivo em R$ 58,294 bilhões.
De acordo com Fernando Bresciani, analista de investimentos do Andbank, o investidor estrangeiro tende a se concentrar nas large caps (empresas de maior capitalização), que oferecem maior liquidez e permitem entradas e saídas com mais facilidade, dado o volume negociado. “O índice de small caps acaba ficando para trás, já que depende muito mais do investidor doméstico, que tem participado menos desse movimento”, explica.
Outros fatores ajudam a explicar o descompasso entre o Ibovespa e o SMLL. As petroleiras, de grande peso no Ibov, dispararam diante da escalada dos conflitos no Oriente Médio: em 2026, Petrobras (PETR3;PETR4) sobe 70,13% nas ações ordinárias e 62,45% nas preferenciais, Prio (PRIO3) avança 66,2%, Petrorecôncavo (RECV3) ganha 24,56% e Brava Energia (BRAV3) tem alta de 12,9%.
A guerra também piorou as expectativas para inflação e juros. O último Boletim Focus trouxe a projeção de 13% ao ano para a Selic no fim de 2026 e de 4,89% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Antes do conflito, as estimativas estavam em 12,13% e 3,91%, respectivamente.
A expectativa de juros altos por mais tempo impacta as small caps, que, em geral, são companhias mais dependentes do mercado interno e sensíveis à Selic elevada.
Pague Menos (PGMN3) e 3tentos (TTEN3): as preferidas dos analistas
Dentre as casas consultadas pelo E-Investidor, dois nomes se destacam nas carteiras recomendadas de small caps para maio: Pague Menos (PGMN3) e 3tentos (TTEN3). A primeira empresa teve cinco menções, enquanto a segunda foi citada em quatro portfólios.
A Ágora Investimentos tem uma visão construtiva para as ações da Pague Menos, sustentada por forte momento operacional e valuation atrativo. A empresa está entre as preferências da casa para o setor. “A expectativa para o seu resultado no primeiro trimestre é positiva, puxado por crescimento de aproximadamente 35% no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), mesmo com desaceleração de receita de 15% em base anual”, acrescenta a casa.
Quanto à 3tentos, o BTG Pactual avalia que o aumento pontual das despesas com frete no quarto trimestre de 2025 pressionou o desempenho das ações. No entanto, o balanço do primeiro trimestre de 2026 deve confirmar o caráter não recorrente desse movimento, associado a custos de expansão, e não a uma nova base estrutural, o que reforça a confiança na trajetória de resultados da companhia.
Ágora Investimentos
Para maio, a Ágora retirou as ações da Cury (CURY3) e as da Hypera (HYPE3). No lugar, incluiu os papéis da Copasa (CSMG3) e da Pague Menos (PGMN3).
BB Investimentos
O BB retirou as ações da Bemobi (BMOB3), Simpar (SIMH3) e Tegma (TGMA3), incluindo os ativos da Lavvi (LAVV3), Mahle Metal Leve (LEVE3) e Usiminas (USIM5).
BTG Pactual
O BTG retirou as ações da C&A (CEAB3) e do GPS (GGPS3), incluindo os ativos da Bemobi (BMOB3) e Sanepar (SAPR11).
Itaú BBA
O Itaú BBA fez uma troca na carteira para maio. A casa incluiu a ação da Oceanpact (OPCT3) e retirou o papel da Cury (CURY3).
Santander
O Santander incluiu a ação da Alupar (ALUP11) e retirou o papel da GPS (GGPS3) da carteira de small caps para maio.
Terra Investimentos
A Terra modificou por completo a sua carteira de small caps para maio. Segundo a corretora, o portfólio tem perfil arrojado com proposta de investimento a longo prazo. Veja a seleção de ações:
XP Investimentos
A XP adicionou Alupar (ALUP11) e BR Partners (BRBI11), enquanto removeu Inter (INBR32) e Direcional (DIRR3) da carteira recomendada de small caps para maio.