No trimestre, a companhia registrou faturamento de US$ 23,1 bilhões, com crescimento anual e avanço nas principais operações globais. O Ebitda, indicador que mede a geração de caixa operacional, ficou em torno de US$ 1,7 bilhão e superou as estimativas do mercado. Já o lucro líquido veio abaixo do esperado, pressionado pelo resultado financeiro.
A leitura das casas converge na fotografia do trimestre, mas ganha nuances quando o foco se desloca para a qualidade desse resultado.
O Citi avalia que a surpresa positiva veio concentrada. A Seara foi o principal destaque, com margem Ebitda de 16,6%, sustentada por um portfólio de maior valor agregado e disciplina de preços. Nos Estados Unidos, a divisão de carne bovina também chamou atenção ao operar com margem positiva, ainda que próxima do zero, afastando o cenário de prejuízo que parte do mercado considerava provável. Para o banco, porém, o fato de o desempenho estar concentrado em poucos segmentos limita uma leitura mais abrangente de melhora operacional.
A Genial Investimentos enfatiza que o problema não está na demanda, mas na oferta. O rebanho restrito em mercados-chave mantém o custo do gado elevado e comprime margens, mesmo em um ambiente de receitas recordes. A casa vê 2026 ainda pressionado e trabalha com uma inflexão mais relevante apenas adiante, conforme o ciclo pecuário evolua.
Já o Itaú BBA destaca a capacidade da JBS de atravessar esse cenário apoiada na diversificação. A presença em diferentes geografias e proteínas permite compensações internas que sustentam a geração de caixa e a desalavancagem. Esse equilíbrio, na visão do banco, mantém a tese de investimento atrativa mesmo em um ambiente mais desafiador.
A Ativa Investimentos segue linha semelhante ao reconhecer a força da receita, mas aponta que os ciclos operacionais ainda devem manter pressão sobre as margens no curto prazo. O crescimento, portanto, não se traduz integralmente em lucro.
A XP Investimentos adota um tom mais contido. Classifica o trimestre como razoável, com Ebitda acima do esperado, mas receita e lucro aquém das projeções. Ainda assim, reconhece surpresas positivas, como o desempenho da Austrália e a margem positiva na operação de carne bovina nos EUA.
Apesar das diferenças de ênfase, as recomendações estão alinhadas. Citi, Genial e Ativa reiteram compra, apoiados na geração de caixa, no controle da alavancagem e em possíveis catalisadores, como inclusão em índices internacionais e reprecificação frente aos pares globais.
Às 11h45 (horário de Brasília), os papéis da JBS (JBSS3) avançavam nas duas praças em que são negociados. Em Nova York, a ação da companhia subia 7,49%, a US$ 16,93. Já na B3, os Brazilian Depositary Recepits (BDRs, recibos que permitem ao investidor brasileiro negociar), em reais, ações listadas no exterior, também acompanhavam o movimento. Os JBSS32 avançavam 8,51%, a R$ 88,76.