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Analistas veem BC cauteloso em relação à inflação e aos cortes da Selic em 2026

BC reforça riscos de alta para os preços, seja por fatores conjunturais, como a incerteza geopolítica e o petróleo, seja por questões domésticas e estruturais

Por Gabriela Jucá, Gustavo Nicoletta, Letícia Correia e Jean Mendes

26/03/2026 | 14:39 Atualização: 26/03/2026 | 14:39

Analistas destacam que o BC reforça riscos de alta para os preços, devido à fatores como fragilidade geopolítica e petróleo. (Imagem: Adobe Stock)
Analistas destacam que o BC reforça riscos de alta para os preços, devido à fatores como fragilidade geopolítica e petróleo. (Imagem: Adobe Stock)

Os analistas ouvidos pela Broadcast veem o Relatório de Política Monetária (RPM) do Banco Central (BC) como um documento de viés mais cauteloso com a inflação e, por consequência, menos inclinado a um ciclo amplo de queda da Selic (taxa básica de juros) em 2026.

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Em comum, eles destacam que o BC reforça riscos de alta para os preços, seja por fatores conjunturais, como a incerteza geopolítica e o petróleo, seja por questões domésticas e estruturais. Mesmo com o crescimento projetado estável, a autoridade sinaliza a necessidade de calibragem fina para manter a política monetária restritiva por mais tempo.

Na leitura da economista-chefe da Lifetime, Marcela Kawauti, o BC indicou ao longo de todo o RPM preocupações com a possibilidade de piora do quadro inflacionário, ao mencionar “elevação do hiato do produto, aumento de possibilidade de a inflação estourar a meta esse ano, elevação de expectativas”.  Para ela, o relatório também sugere que os riscos externos podem estar subestimados.

“Na página 40, há uma notinha de rodapé em que o BC fala que incorpora somente parcialmente os efeitos da guerra. Ele sabe disso, deixou indicado que existe um upside para esses números. Isso é importante, porque provavelmente os números vão ser um pouco piores”, afirmou a economista, citando a guerra no Oriente Médio como vetor que pode pressionar o cenário.

Kawauti também chama atenção para o recado estrutural embutido no documento, ao apontar que o BC incluiu um box sobre produtividade do trabalho.

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“O BC está chamando a atenção para o fato de que o PIB [Produto Interno Bruto] potencial ainda está aquém do que poderia ser. Se a produtividade do trabalho é aquém da desejada, toda vez que a demanda subir, você tem uma pressão e não consegue uma resposta de oferta na mesma magnitude. Vai ter inflação, e juros altos durante bastante tempo”, disse.

Na prática, o exemplo citado por ela é o próprio diagnóstico de um “PIB potencial” limitado: mesmo que a atividade acelere, a capacidade de oferta não responderia no mesmo ritmo, abrindo espaço para repasses de preços e exigindo política monetária restritiva por mais tempo.

“Mesmo que não fosse a guerra, provavelmente a gente teria um ciclo tímido de queda de juros. Por conta da guerra, esse ciclo pode ficar ainda mais apertado”, completou.

No Banco ABC Brasil, o economista-chefe Daniel Xavier enxerga o BC defendendo a cautela na condução da Selic. “A calibração de juros é diferente de um afrouxamento. A Selic ainda seguirá restritiva mesmo após o encerramento deste ciclo”, afirmou.

Xavier também destacou que o BC reiterou a visão de que o hiato tende a perder força e “migrar para o terreno desinflacionário ao longo do horizonte relevante”, um ponto que suaviza parte do temor inflacionário doméstico.

A economista do C6 Bank Claudia Moreno avaliou que o texto veio um pouco mais duro do que o esperado ao indicar que a inflação não converge para 3% mesmo em horizontes mais longos. “Imaginávamos que outros horizontes subiriam de forma linear, mas subiu mais. Sinalizou um relatório mais duro do que o esperado”, disse, ao comparar com a piora marginal no horizonte relevante – de 3,2% para 3,3% – e com a projeção de 3,1% no terceiro trimestre de 2028.

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*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação da Broadcast

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