De acordo com fato relevante, a companhia informou a assinatura deste novo acordo de acionistas, com duração de dez anos (renovável por igual período), envolvendo a totalidade da participação dos controladores (38,8%).
Em paralelo, foi proposta uma nova composição para o conselho de administração, que será presidido por Alessandro Carlucci e contará com executivos experientes, alinhados à próxima fase estratégica da empresa.
Os fundadores Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos, além de Fabio Barbosa, passarão a integrar um conselho consultivo, sem funções executivas ou poder de decisão, mantendo sua participação no capital.
Na frente estratégica, a Natura reiterou que a nova fase não prioriza mais o desendividamento acima de tudo, mas também não contempla grandes investimentos.
O foco permanece integralmente na América Latina, com ênfase em expansão multicanal e modernização logística – em linha com as mensagens apresentadas no Investor Day de 2025. A companhia afirmou não estar considerando investimentos em larga escala fora da região.
Além disso, a administração esclareceu que não há cláusulas no novo acordo de acionistas que concedam direitos adicionais à Advent, caso ela venha a superar o limite de 10% do capital.
Bradesco BBI considera que acordo é positivo e tende a reforçar eficiência operacional
O Bradesco BBI avaliou como positiva a nova estrutura acionária e de governança anunciada pela Natura, reiterando recomendação outperform (equivalente à compra) para as ações e preço alvo de R$ 17, com potencial de alta de 84% ante o último fechamento.
Na visão do banco, a possível entrada da Advent tende a reforçar a disciplina de execução, governança e eficiência operacional ao longo do tempo.
Ainda assim, os analistas ponderam que a estrutura da transação – com aquisição via mercado secundário e condições atreladas ao preço médio – levanta dúvidas sobre a viabilidade plena da operação.
Outro destaque, na visão do BBI, foi o compromisso vinculante de investimento da Advent International, que poderá adquirir entre 8% e 10% de participação na Natura a um preço médio de R$ 9,75 por ação.
Caso a operação se concretize, a gestora terá direito a indicar dois membros para o conselho.
Os analistas Pedro Pinto, Gustavo Senday e Lorenzo Marques destacam que o anúncio pode criar um “piso” de valor do ativo (valuation) para o papel no curto prazo, com potencial de convergência das ações ao preço de referência da operação, cerca de 5,5% acima do último fechamento.
Por fim, o banco avalia que a renovação do conselho marca uma nova fase para a Natura, com uma composição mais aderente aos desafios atuais da companhia.
Ao mesmo tempo, a manutenção dos fundadores em papel consultivo é vista como importante para preservar os valores da marca, considerada uma das mais fortes do Brasil e da América Latina.
Citi avalia que o ponto mais relevante do anúncio é a negociação com Advent Internacional
O ponto mais relevante do anúncio da Natura sobre o novo acordo de acionistas é que a Advent International ainda não detém nenhuma participação na companhia.
O banco participou de webinar realizado após a publicação do fato relevante sobre a saída dos fundadores do Conselho de Administração e o compromisso de investimento da Advent.
Os analistas João Pedro Soares e Felipe Husein destacam que, apesar das mudanças de governança, a empresa não pretende alterar sua disciplina de capital, nem suas prioridades de alocação de recursos no curto prazo.
A Advent terá participação apenas quando as compras no mercado secundário se materializarem, com preço-alvo médio de R$ 9,75 por ação, o que implica um prêmio de aproximadamente 5% e múltiplo de cerca de 11 vezes o lucro estimado para 2026 pelo consenso do Visible Alpha.
Quando isso ocorrer, os direitos associados, como a indicação de dois conselheiros, serão ativados.
O Citi também ressalta que não há acordo formal com a empresa além da intenção declarada de adquirir entre 8% e 10% da companhia, embora o banco não descarte um papel mais ativo da gestora americana uma vez que esse patamar seja atingido.
O Citi mantém recomendação neutra com risco elevado para a ação da Natura, com preço-alvo de R$ 11,30, o que implica potencial de alta de 22,3% ante o último fechamento.
Com informações da BroadCast