XP: Brasil segue atrativo mesmo com conflitos geopolíticos afetando o petróleo; veja onde alocar
Casa vê aumento da volatilidade global, mas destaca resiliência do País, fluxo estrangeiro acima de R$ 50 bilhões e oportunidades em meio à reprecificação dos ativos
Alta do petróleo e fluxo estrangeiro sustentam desempenho relativo do Ibovespa em meio à turbulência global (Foto: Adobe Stock)
Em um cenário global ainda marcado por incerteza e choques geopolíticos, com destaque para a guerra no Oriente Médio e seus desdobramentos sobre o petróleo, a XP Investimentos optou por fazer ajustes táticos nas carteiras de abril. Para a casa, a volatilidade aumentou, mas o Brasil segue relativamente bem posicionado no tabuleiro global.
Segundo a XP, “em um ambiente ainda marcado por elevada incerteza e maior volatilidade nos mercados globais […] promovemos ajustes táticos nas carteiras”, refletindo não apenas o novo nível de risco, mas também oportunidades que surgem nesse contexto. A turbulência recente, impulsionada pela guerra no Irã e pelo risco de interrupções no fluxo de petróleo, especialmente no estratégico Estreito de Ormuz, levou a uma reprecificação global dos ativos, com quedas relevantes em índices como o MSCI ACWI (All Country World Index) e o S&P 500.
Apesar disso, o desempenho relativo do Brasil chamou atenção. Enquanto mercados globais recuaram com mais força, as ações brasileiras mostraram maior resiliência. Em dólares, a queda foi mais moderada, sustentada principalmente por fatores estruturais.
“O Brasil segue como um dos principais destinos de fluxo estrangeiro”, destaca a XP, apontando que os aportes já superam R$ 50 bilhões no ano, mesmo em meio à volatilidade, sendo R$ 8,9 bilhões apenas em março.
A atratividade não é casual
A casa elenca uma combinação de fatores que mantém o País no radar dos investidores internacionais:
Elevada exposição ao setor de energia;
Baixo risco geopolítico relativo;
Revisões positivas de lucros; e
Valuations (valor de um ativo) descontados.
Hoje, a Bolsa brasileira negocia a um múltiplo de 9,3 vezes lucro projetado, o que representa “um desconto de 19% em relação aos emergentes e de 45% frente ao MSCI ACWI”. Nesse contexto, a XP manteve seu preço-alvo para o Ibovespa em 196 mil pontos até o fim de 2026.
A alta do petróleo, por exemplo, tende a beneficiar o País. Como principal produto de exportação, o petróleo responde por uma fatia relevante da balança comercial, o que ajuda a sustentar o real e melhora o quadro fiscal. Isso explica, em parte, por que o Brasil continua atraindo fluxo estrangeiro mesmo em momentos de estresse global.
Pontos de atenção
Ainda assim, os riscos não desapareceram, apenas mudaram de forma. O principal ponto de atenção agora está na inflação e na trajetória de juros. Com o petróleo em níveis elevados, cresce o risco de um choque inflacionário persistente. A XP revisou sua projeção de inflação para 2026 de 3,8% para 4,5%, enquanto o mercado já reduz as apostas de cortes na taxa básica. “Os investidores reprecificam a magnitude esperada dos cortes de juros […] de cerca de 250 bps para apenas 100 bps”, aponta o relatório.
Esse movimento tem impactos diretos sobre a Bolsa, especialmente nos setores mais sensíveis ao ciclo doméstico, como construção civil e educação, que lideraram as quedas recentes. Por outro lado, setores ligados a commodities se destacaram positivamente. O segmento de óleo e gás, por exemplo, avançou mais de 20% no mês, impulsionado pela disparada do petróleo, com empresas como Petrobras (PETR4; PETR3) e Prio (PRIO3) entre os principais destaques.
Diversificação é a chave
Diante desse cenário mais complexo, a XP reforça a importância da diversificação. Ativos menos correlacionados com o mercado global ganham espaço, como os fundos imobiliários, que podem funcionar como proteção parcial em momentos de maior instabilidade.
Ao mesmo tempo, a casa promoveu mudanças pontuais em suas carteiras recomendadas. Na Top Ações, incluiu o Nubank (ROXO34), elevou posições em B3 (B3SA3) e Localiza (RENT3) e reduziu exposição a Cyrela (CYRE3) e Itaú (ITUB4). A entrada do Nubank, segundo a XP, reflete “uma combinação rara de crescimento estrutural, maior visibilidade de resultados e valuation atrativo”. Já o aumento em B3 e Localiza está ligado à expectativa de melhora operacional e retomada dos fluxos para renda variável.
Por outro lado, a redução em Cyrela reflete cautela com o setor imobiliário de média e alta renda, pressionado por estoques elevados e incertezas operacionais. No caso do Itaú, apesar da visão positiva de longo prazo, o corte na posição abre espaço para novas alocações dentro do portfólio.
Publicidade
Outro ponto relevante destacado pela XP é o indicador de sentimento, que recuou para níveis próximos ao campo “pessimista”. Historicamente, esse tipo de leitura costuma funcionar como um sinal contrário, ou seja, momentos de maior pessimismo tendem a abrir oportunidades de entrada para investidores.
No pano de fundo, permanece a discussão sobre uma possível mudança de regime macroeconômico. Hoje, o cenário ainda é classificado como de “inflação baixa e juros em queda”, considerado o mais favorável para ações. No entanto, a persistência de choques externos pode levar a uma transição para um ambiente de inflação mais alta ou juros elevados, o que exigiria uma recalibragem mais estrutural das carteiras.