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Investimentos

Petróleo a US$ 100, inflação no radar e Bolsa mais seletiva; apenas duas carteiras recomendas batem o Ibovespa em março

Mesmo com a queda no mês, Bolsa acumula melhor início de ano em quase duas décadas e amplia diferença entre carteiras; somente XP e Itaú superam o índice

Por Igor Markevich

06/04/2026 | 14:06 Atualização: 06/04/2026 | 14:36

Ibovespa cai em março, mas acumula melhor primeiro trimestre em quase 20 anos; apenas Itaú e XP superam o índice em um mercado mais seletivo. (Imagem: Adobe Stock)
Ibovespa cai em março, mas acumula melhor primeiro trimestre em quase 20 anos; apenas Itaú e XP superam o índice em um mercado mais seletivo. (Imagem: Adobe Stock)

Depois de dois meses de euforia, março forçou uma pausa para a Bolsa brasileira. O Ibovespa recuou 0,70%, aos 187.461 pontos, pressionado por um cenário externo mais hostil e por sinais de desgaste no quadro doméstico.

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Apesar do recente desanimo, com ganho de 16,35% no primeiro trimestre, o índice acumula o melhor desempenho desde o fim de 2020, sustentado por um início de ano marcado por fluxo estrangeiro e reprecificação de ativos locais. O que se viu em março foi menos uma reversão e mais uma mudança de ritmo.

“Não é uma mudança estrutural, e sim uma reação a um ambiente mais adverso com o conflito no Oriente Médio e as incertezas que vieram desde que começou”, afirma Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.

O principal vetor de pressão veio do exterior. A guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã elevou o prêmio de risco global e empurrou o petróleo Brent para acima de US$ 100 por barril, em meio à ameaça de bloqueio do Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte global de energia. O choque reacendeu temores inflacionários, fortaleceu o dólar e redirecionou fluxos para ativos defensivos, esvaziando parcialmente o apetite por mercados emergentes.

No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de março veio acima do esperado, com alta de 0,44%, pressionado pela elevação das passagens aéreas, enquanto a taxa de desemprego avançou para 5,8%. Ao mesmo tempo, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revisou para baixo a projeção de crescimento do país em 2026, para 1,5%, e as expectativas de inflação no Boletim Focus voltaram a subir, reforçando a leitura de um ambiente mais desafiador para juros e atividade.

Esse conjunto de fatores se refletiu diretamente no desempenho das carteiras recomendadas. Em um mês mais seletivo, superar o índice voltou a ser exceção. Das oito carteiras acompanhadas pela Grana Capital, apenas duas fecharam março no campo positivo e acima do Ibovespa.

A liderança ficou com a Top 5 do Itaú, que avançou 1,27% na simulação de um aporte de R$ 100 mil. O desempenho foi impulsionado pela alta de 14,67% da Eneva (ENEV3), em um portfólio que combinou exposição a commodities e ativos domésticos, com nomes como Aura Minerals (AURA33), Axia (AXIA3), B3 (B3SA3) e Nubank (ROXO34).

Na segunda colocação aparece a carteira Top Ações da XP Investimentos, com ganho de 0,19%. A seleção foi beneficiada sobretudo pelo rali das petroleiras, em linha com o choque de preços no mercado internacional, com destaque para Petrobras PN (PETR4), que subiu 23,75%, e Prio (PRIO3), com alta de 21,51%.

Veja o ranking do Grana Capital com a simulação de um aporte de R$ 100 mil:

Instituição Valor (R$) Rentabilidade
Itaú Top 5 101.269,44 1,27%
XP Top Ações 100.186,75 0,19%
Ibovespa — -0,70%
BB Investimentos 98.923,40 -1,08%
Santander 98.735,87 -1,26%
BTG Pactual 98.642,68 -1,36%
Ágora 97.756,53 -2,24%
Planner 97.723,24 -2,28%
Genial 91.743,40 -8,26%

Fonte: Grana Capital

Na outra ponta, a carteira Ibovespa 10+ da Genial teve o pior desempenho do mês, com queda de 8,26%. O resultado foi pressionado por ações mais sensíveis ao ciclo doméstico, como Lavvi (LAVV3), que recuou 22,54%, Alpargatas (ALPA4), com baixa de 19,32%, e Movida (MOVI3), que caiu 11,39%, refletindo o impacto da deterioração das expectativas de juros sobre setores ligados a consumo e crédito.

O recorte do trimestre ajuda a entender a mudança de dinâmica. Embora o saldo de 2026 ainda seja expressivo, a dispersão de retornos aumentou e o ambiente se tornou menos indulgente. Se, em janeiro, o avanço era relativamente disseminado, embalado por fluxo externo, março trouxe de volta um mercado mais dependente de alocação precisa e menos tolerante a erros.

Ranking das corretoras — 2026 (janeiro a março)

Corretora Jan (%) Fev (%) Mar (%) Acumulado (%)
Ibovespa 12,99 4,09 -0,70 16,35
XP Investimentos 12,30 2,70 0,60 15,90
BB Investimentos 12,72 3,00 -0,77 15,21
Planner 8,89 7,91 -1,97 15,19
Itaú 9,20 3,70 1,40 14,90
Santander 13,20 0,50 -1,14 11,83
BTG Pactual 9,70 2,80 -1,00 11,60
Genial 12,99 1,72 -8,09 5,63

Fonte: relatórios das corretoras

A metodologia da Grana Capital considera as carteiras divulgadas no início de cada mês e acompanha o desempenho dos mesmos ativos até o último pregão, levando em conta apenas a variação de preços, sem dividendos ou juros sobre capital próprio. Participam do levantamento Ágora Investimentos, BB Investimentos, BTG Pactual, Genial, Itaú, Santander, Planner e XP Investimentos.

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