No discurso, que foi revelado antecipadamente pela repórter Eleanor Mueller, do Semafor, em publicação no X, o ex-diretor do Fed menciona estar “profundamente grato” ao presidente dos EUA, Donald Trump, pelo pedido para assumir o cargo de confiança pública. Warsh disse partilhar da crença de Trump de que o crescimento econômico americano e o rendimento líquido real das famílias irão acelerar.
“O potencial de crescimento econômico dos EUA está aumentando. Este é um momento de grandes consequências para a economia da nação, talvez o ponto de virada mais significativo em gerações”, ponderou. “Se os formuladores de política de todo o nosso governo enfrentarem este momento crucial com sabedoria e clareza, a economia americana florescerá“, acrescentou, ao ressaltar que está “particularmente atento” aos desafios e oportunidades que se colocam ao Fed.
Warsh classificou a independência da política monetária como “essencial”, mas disse não acreditar que a independência operacional da política monetária esteja “particularmente ameaçada” quando funcionários eleitos – presidentes, senadores ou membros da Câmara – expressam as suas opiniões sobre as taxas de juro.
A questão da independência do banco central americano se tornou sensível meses atrás, quando Trump realizou diversas duras críticas à abordagem do atual presidente do Fed, Jerome Powell, nas reuniões monetárias, chegando a ameaçar demiti-lo. Trump defendia corte dos juros, enquanto Powell advogava por uma postura mais cautelosa.
“Os banqueiros centrais devem ser suficientemente fortes para ouvir uma diversidade de opiniões de todos os quadrantes… suficientemente humildes para estarem abertos a novas ideias e novos desenvolvimentos econômicos… suficientemente sábios para traduzir dados imperfeitos em perspectivas significativas… e suficientemente dedicados para fazer julgamentos fiel e sabiamente”, disse Warsh, que defendeu ser favorável a uma correspondência “mais clara e limpa” entre os poderes e as responsabilidades do Fed.
No discurso, Warsh disse que, se confirmado como sucessor de Powell, procurará trazer sua experiência anterior no BC, bem como o “espírito questionador de quem vem de fora”. “Manterei o Fed consciente dos seus limites, focado na sua missão e no cumprimento do seu mandato. Serei fiel à Constituição, à Lei do Fed e ao melhor das tradições do Fed”, enfatizou.
É esperado que a audiência de Warsh no Senado comece às 11h (de Brasília) da próxima terça-feira (21). Após a leitura do discurso, ele deve ser sabatinado por integrantes do Comitê.