Os rebaixamentos recentes de UBS BB e BTG Pactual para o Banrisul (BRSR3; BRSR6) inauguraram uma mudança mais estrutural na leitura sobre o banco, com impacto direto na precificação das ações e nas expectativas para os próximos trimestres.
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Os rebaixamentos recentes de UBS BB e BTG Pactual para o Banrisul (BRSR3; BRSR6) inauguraram uma mudança mais estrutural na leitura sobre o banco, com impacto direto na precificação das ações e nas expectativas para os próximos trimestres.
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No dia 14 de abril, quando os relatórios vieram a público, as ações preferenciais chegaram a recuar quase 10%, em um movimento que marcou uma inflexão clara no humor do mercado. Desde então, o ajuste segue em curso. Nesta segunda-feira (20), por volta das 16h (de Brasília), os papéis preferenciais (BRSR6) caíam 3,18%, a R$ 16,12, enquanto as ações ordinárias (BRSR3) recuavam 0,21%, a R$ 18,62, indicando que a reprecificação não se esgotou no choque inicial.
Embora partam de ângulos distintos, os dois bancos convergem na essência do diagnóstico. O nível de rentabilidade recente, que sustentou a valorização expressiva do papel ao longo dos últimos 12 meses, não deve se manter.
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No caso do UBS BB, o rebaixamento para venda veio acompanhado de uma elevação do preço-alvo, de R$ 12,40 para R$ 15,50. O movimento, que à primeira vista pode parecer contraditório, reflete mais uma atualização de premissas do que uma mudança positiva de tese. O banco reconhece que o retorno sobre o patrimônio (ROAE), próximo de 15% em 2025, ajudou a reancorar a percepção sobre o ativo, mas destaca que esse desempenho foi impulsionado por fatores não recorrentes, como ganhos pontuais e volatilidade nas recuperações de crédito.
A leitura é de que o mercado passou a precificar uma rentabilidade estrutural ao redor de 14%, nível considerado elevado diante de restrições regulatórias e mudanças no perfil de receitas. Entre os pontos de atenção estão a redução da relevância do cheque especial ao longo dos anos, o avanço mais lento das receitas com tarifas e a maior exposição a linhas de crédito mais arriscadas, como empréstimos pessoais sem garantia.
O BTG Pactual, por sua vez, adota um enfoque mais voltado ao ciclo imediato. O banco também rebaixou a recomendação para venda, argumentando que o forte desempenho das ações nos últimos 12 meses reduziu o espaço para novas valorizações e tornou o valuation menos atraente. A expectativa é de uma deterioração da rentabilidade já no curto prazo, com retorno sobre o patrimônio abaixo de 8% e pressão adicional vinda do aumento das provisões em um ambiente macroeconômico mais desafiador.
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