Os quase 200 mil pontos do Ibovespa sugerem um rali generalizado na Bolsa — mas não é o que mostram os dados. Enquanto o índice bate recordes, as small caps seguem para trás, ampliando uma distância que não era tão grande há mais de 20 anos.
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Os quase 200 mil pontos do Ibovespa sugerem um rali generalizado na Bolsa — mas não é o que mostram os dados. Enquanto o índice bate recordes, as small caps seguem para trás, ampliando uma distância que não era tão grande há mais de 20 anos.
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Os índices da B3 reforçam essa leitura: o IDIV (dividendos) sobe mais de 19% e o IEEX (elétricas), 18%; o IFNC (financeiras) avança 20%, enquanto o UTIL (utilities) supera 26%.
Quem ficou para trás foi o índice de small caps, o SMLL, que sobe menos de 10% em 2026. Mais expostos à economia doméstica e dependentes da queda de juros, boa parte desses papéis não conseguiu se recuperar.
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O recorde do SMLL é de 3.224 pontos, registrado em junho de 2021. Hoje, o índice opera perto de 2.530 pontos. Como IBOV batendo o recorde de 199 mil pontos, a diferença nominal entre os dois indicadores chegou ao maior nível em mais de 20 anos, mostra um levantamento da Elos Ayta.
A alta do Ibovespa este ano é protagonizada pelos investidores estrangeiros, que já entraram com R$ 67,3 bilhões na B3. Mas esse fluxo não está vindo especificamente para o Brasil.
A alocação no País vem via Exchange Traded Funds (ETFs) de mercados emergentes, no qual o Brasil tem peso perto de 5%. “O fato da Bolsa ter subido em bloco e até, de certo modo, puxado pelas blue chips e nomes mais líquidos reforça a percepção que, de fato, as estratégias pelas quais os investidores compraram ações no Brasil eram muito mais passivas e temáticas”, diz Ricardo França, head de research da Ágora.
Pelos ETFs, o dinheiro chega primeiro naqueles papéis com maior representatividade no Ibovespa. Não atoa, a maior alta do ano pertence às ações da Petrobras, que representam 12% da carteira teórica do índice e sobem mais de 50% em 2026.
O Itaú BBA define o cenário como “levemente positivo”, mas ressalta que a valorização “permaneceu altamente concentrada”, especialmente no setor de petróleo e gás, que concentrou fluxo estrangeiro, revisões de lucro e desempenho desde o início das tensões geopolíticas.
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O rali do índice tem um motor dominante, o que acaba distorcendo a leitura geral do mercado. Segundo o banco, desde o início do conflito, o Ibovespa acumulou retorno de 4,9%, sendo que 69,5% desse desempenho veio do setor de energia. Sem Oil & Gas, o ganho do índice cairia para apenas 1,5%. A concentração também aparece na contribuição de pontos: energia respondeu por 6.407 pontos do índice, muito acima de qualquer outro setor.
O levantamento do BBA indica ainda que cerca de dois terços das ações seguem negociando abaixo de suas médias históricas de 10 anos. Setores como saúde e papel & celulose têm 100% das empresas negociando com desconto, enquanto consumo, educação e bens de capital – muitas delas, small caps – também seguem descontadas.
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