Ibovespa operou com cautela, refletindo tensões geopolíticas e cenário externo mais avesso ao risco. (Imagem: Adobe Stock)
O Ibovespa hoje operou refém do noticiário sobre os conflitos no Oriente Médio, nesta sexta-feira (24) de agenda esvaziada, enquanto investidores se prepararam para as decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos daqui cinco dias. O Ibov fechou em queda de 0,33% aos 190.745,02 pontos. O dólar, por sua vez, caiu 0,11%, a R$ 4,9982.
Por aqui, o Banco Central não aceitou propostas em leilão combinado de swap reverso e venda à vista (instrumento usado para controle cambial), Além disso, foram monitorados dados do setor externo, com déficit de US$ 6,036 bilhões em transações correntes em março, após um saldo negativo de US$ 5,592 bilhões em fevereiro. O rombo foi maior do que a mediana da pesquisa Projeções Broadcast, que apontava para um déficit de US$ 5,620 bilhões. As estimativas, todas negativas, iam de US$ 7,300 bilhões a US$ 4,100 bilhões.
Nos Estados Unidos, o mercado financeiro acompanhou o índice de sentimento do consumidor nos Estados Unidos elaborado pela Universidade de Michigan, que caiu de 53,3 em março para 49,8 em abril, segundo levantamento final divulgado pela instituição nesta sexta-feira. O resultado ficou acima da previsão de analistas consultados pela FactSet, de queda a 48,5, e da leitura preliminar, de 47,6.
A pesquisa mostrou ainda que as expectativas de inflação em 12 meses subiram de 3,8% em março para 4,7% em abril, levemente abaixo da pesquisa preliminar de março, que mostrou expectativa de 4,8% para o período.
O vaivém de narrativa do presidente dos EUA, Donald Trump, reforçou a volatilidade dos mercados. O petróleo hoje caiu, uma vez que o Estreito de Ormuz segue fechado e não há sinal de avanço em negociações entre norte-americanos e iranianos.
Trump ordenou ataques a qualquer embarcação que esteja instalando minas na importante via marítima e disse ontem que, se não houver acordo, resolverá a questão militarmente, acrescentando que navios do país estão “prontos para partir em direção ao Oriente Médio“.
Trump ordena ataque a qualquer navio que passe por Ormuz (Fonte: Truth Social)
Por outro lado, o presidente dos EUA afirmou que o cessar-fogo entre Israel e Líbano será prorrogado por mais três semanas, o que limita o clima de nervosismo dos investidores.
O que tem influenciado o Ibovespa?
A cautela externa tem influenciado os ativos domésticos. O movimento do petróleo tem sido o principal vetor de abertura da curva de juros, diante das preocupações com a alta dos preços e da maior desancoragem das expectativas de inflação.
A aposta majoritária do mercado é em corte de 25 pontos-base da Selic na próxima quarta-feira (29), mas o investidor está reduzindo a expectativa de um ciclo de afrouxamento monetário mais forte.
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No noticiário interno, o mercado segue avaliando ainda o anúncio de que o governo optou por um projeto de lei que autoriza o uso de receitas extraordinárias com o petróleo para financiar a desoneração de combustíveis.
Também está no radar a Copasa (CSMG3), que inicia hoje (24) o cadastramento e a qualificação dos interessados em sua privatização, com expectativa de que a desestatização ocorra até o fim do próximo mês, movimentando entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões.
Mercados hoje
Os contratos de petróleo caíram depois da quarta sessão consecutiva de alta. O WTI para junho recuou 1,51%, a US$ 94,4, na Nymex, enquanto o Brent para julho desvalorizou 0,22%, a US$ 99,13, na ICE.
Os tickers da Petrobras (PETR3; PETR4) registraram queda de 0,97% e 1,28%, respectivamente. Os da Vale (VALE3), por sua vez, cederam 0,12%.
Os índices de Nova York terminaram sem direção única, em uma recuperação parcial das perdas de ontem em Wall Street, ainda sob impacto da indefinição entre EUA e Irã. O Dow Jones caiu 0,16%, o S&P 500 avançou 0,8% e o Nasdaq subiu 1,63%.
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Na Europa, as principais bolsas fecharam em queda, pressionadas pela incerteza sobre a possibilidade de novas negociações de paz entre EUA e Irã. Londres caiu 0,75%, Paris recuou 0,84% e Frankfurt cedeu 0,06%.
Dólar e Treasuries caem
Os rendimentos dos Treasuries, títulos de dívida pública dos EUA, encerraram em queda, com investidores monitorando o Oriente Médio diante do aparente entrave nas conversas entre EUA e Irã. O juro da T-note de 2 anos cedeu a 3,778%, o da T-note de 10 anos recuou a 4,304% e o do T-bond de 30 anos baixou em 4,913%.
No mercado de câmbio, o dólar hoje fechou em queda frente a outras moedas de economias desenvolvidas, também refletindo o cenário geopolítico. Hoje, o euro subiu a US$ 1,172, a libra avançou a US$ 1,3533 e o dólar caiu a 159,43 ienes. Já o índice DXY, que compara o dólar com outras seis divisas globais relevantes, teve queda de 0,24%, a 98,533 pontos.
*Com informações do Broadcast, Dow Jones Newswires e FactSet