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Investimentos

Tesouro Direto ganha atratividade com juros altos e prêmios elevados após decisão do Copom

A 'abertura da curva' de juros impulsiona prefixados e IPCA+, enquanto Selic segue como opção conservadora em cenário de incerteza global

Por Isabela Ortiz

04/05/2026 | 11:03 Atualização: 04/05/2026 | 11:23

Conflito no Oriente Médio, atuação do Tesouro e postura cautelosa do Copom mexem com a renda fixa. (Foto: Sergio - stock.adobe.com)
Conflito no Oriente Médio, atuação do Tesouro e postura cautelosa do Copom mexem com a renda fixa. (Foto: Sergio - stock.adobe.com)

Os títulos do Tesouro Direto atravessam um momento de atratividade, combinando juros elevados com prêmios historicamente altos. A avaliação ganha força após a decisão mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a taxa básica, a Selic, em 0,25 ponto percentual, para 14,50% ao ano, mas adotou um tom cauteloso e sem sinalizações claras sobre os próximos passos. Nesse contexto, as taxas dos títulos prefixados reagiram em alta, em um movimento conhecido como “abertura da curva” de juros.

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Segundo André Matos, CEO da MA7 Negócios, “os títulos do Tesouro Direto seguem em um dos momentos mais atrativos dos últimos anos para quem busca rentabilidade real”. Ele destaca que papéis como o prefixado 2029 e 2032 já operam próximos de 13,7% ao ano, enquanto os indexados à inflação oferecem ganhos acima de 7% reais em prazos longos, patamares pouco comuns na série histórica.

Esse cenário reflete, em grande medida, a percepção de risco ainda elevada para a inflação. O próprio Banco Central sinalizou que o balanço de riscos segue assimétrico, com pressões persistentes. As projeções do Relatório Focus estimam inflação de 4,9% para 2026 e 4,0% para 2027, ambas acima da meta oficial.

Ambiente internacional adiciona camadas de incerteza

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (o BC dos EUA) optou por manter os juros entre 3,50% e 3,75%, mas surpreendeu pela divisão interna entre seus dirigentes. Para Matos, esse quadro mostra um cenário ainda indefinido para a política monetária global, especialmente quando combinado à alta recente do petróleo Brent, que voltou a superar os US$ 107 em meio a tensões geopolíticas.

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“Daqui para frente, três frentes vão ditar a dinâmica das taxas”, afirma o especialista. A primeira delas envolve os dados econômicos americanos, especialmente atividade e inflação, que podem reprecificar a curva global de juros. A segunda passa pelo desfecho das tensões no Oriente Médio, com impacto direto sobre o petróleo e, consequentemente, sobre a inflação. Já a terceira frente é institucional: a chegada de Kevin Warsh ao comando do Fed em maio, trazendo um perfil considerado pró-corte de juros, mas mais rígido na gestão do balanço da autoridade monetária.

“O carrego está alto, os prêmios estão historicamente elevados, mas a marcação a mercado segue volátil”, afirma Matos.

Em outras palavras, apesar das oscilações no curto prazo, travar taxas nesse nível pode significar garantir ganho real relevante ao longo dos anos.

Tesouro Selic: pouca volatilidade

No caso do Tesouro Selic, a taxa adicional permanece bastante baixa, em torno de 0,0453% ao ano no papel com vencimento em 2028, o que indica pouca volatilidade e manutenção do perfil conservador desse título. O preço unitário gira próximo de R$ 18,2 mil, com aplicação mínima na casa de R$ 182,89, mantendo-se como principal alternativa para reserva de liquidez e proteção contra oscilações de mercado.

Veja um exemplo:

Tesouro IPCA+

Já os títulos Tesouro IPCA+ (sem juros semestrais) seguem oferecendo prêmios expressivos. O papel com vencimento em 2029 paga cerca de IPCA + 7,63%, enquanto os mais longos, como 2040 e 2050, oferecem taxas de 7,10% e 6,94%, respectivamente.

A inclinação da curva, com taxas mais altas nos prazos intermediários, sugere um prêmio maior concentrado no médio prazo, refletindo expectativas de inflação e juros ainda elevados no horizonte mais próximo, com alguma acomodação no longo prazo.

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No segmento de IPCA+ com juros semestrais, o título com vencimento em 2035 apresenta taxa de IPCA + 7,48%, também em patamar elevado. Esse tipo de papel continua sendo mais indicado para investidores que buscam fluxo de renda periódica, embora com maior sensibilidade à marcação a mercado.

Tesouro Renda+

Os produtos voltados a objetivos específicos, como o Tesouro Renda+ (aposentadoria), mostram uma curva longa relativamente estável, com taxas que partem de IPCA + 7,20% em 2049 e vão caindo gradualmente até cerca de 6,96% nos vencimentos mais longos, como 2084. Esse comportamento indica uma ancoragem das expectativas de inflação no longo prazo, ainda que em níveis elevados de juros reais.

Tesouro Educa+

Da mesma forma, o Tesouro Educa+ apresenta taxas reais bastante atrativas, principalmente nos vencimentos mais curtos, como 2030 (IPCA + 7,95%) e 2031 (IPCA + 7,80%). Ao longo da curva, há uma leve queda nas taxas até cerca de IPCA + 7,01% em 2046, reforçando o mesmo padrão observado nos demais títulos: prêmios mais altos no curto e médio prazo.

O quadro atual do Tesouro Direto mostra juros reais ainda elevados, curva levemente inclinada e oportunidades mais interessantes nos prazos intermediários, enquanto o Tesouro Selic segue como instrumento de estabilidade.

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