Presidente do Fed de Nova York alerta sobre ambiente de incerteza com a guerra no Irã e cita elevados níveis de inflação
John Williams projeta que a inflação retorne à meta de 2% apenas em 2027 e reforça a dependência de dados para ajustar a política monetária frente aos riscos geopolíticos
Em discurso nesta segunda-feira (4), o presidente do Federal Reserve de Nova York, John Williams, destacou que os riscos para o pleno emprego e a estabilidade de preços nos EUA aumentaram. (Imagem: Adobe Stock)
O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de Nova York, John Williams, alertou que o futuro “é difícil de prever” diante do ambiente de incerteza e que os riscos para ambos os lados do mandato do BC americano – que prevê pleno emprego e estabilidade de preços – aumentaram, em discurso preparado para o Simpósio de Primavera do Grupo Cynosure, nesta segunda-feira (4).
Para Williams, a extensão e a duração dos efeitos das interrupções no fornecimento e dos preços mais elevados da energia, decorrentes do conflito no Oriente Médio, são fatores-chave que irão moldar as perspectivas econômicas globais, mas não há como saber como a situação se desdobrará.
Segundo ele, os elevados níveis de inflação, os sinais contraditórios do mercado de trabalho e a crescente incerteza decorrente da guerra criam “um conjunto incomum de circunstâncias”. Apesar disso, o presidente do Fed de Nova York defendeu que a atual postura da política monetária está “bem posicionada” para equilibrar os riscos aos duplo mandato.
O cenário-base de Williams é de que a inflação fique em torno de 3% este ano, antes de cair para a meta de 2% em 2027, à medida que os efeitos das tarifas e dos preços da energia forem diminuindo.
Ele ressaltou que a inflação subjacente “permaneceu estável até o momento”, e ainda não há sinais de que os efeitos indiretos significativos das tarifas se propaguem para o restante da economia. Williams também celebrou o fato de as expectativas de inflação continuarem bem ancoradas, apesar dos choques.
Williams acredita que o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA crescerá entre 2% e 2,25% neste ano e no próximo e espera que a taxa de desemprego se mantenha na faixa recente de 4,25% a 4,5%.
“Estou firmemente comprometido em apoiar o pleno emprego e em reduzir a inflação para nossa meta de longo prazo de 2%, de forma sustentável”, afirmou. “Ao avaliar a trajetória futura da política monetária, minhas opiniões, como sempre, serão baseadas na evolução do conjunto dos dados, nas perspectivas econômicas e no equilíbrio dos riscos para a consecução do duplo mandato”, acrescentou.