BB Seguridade no 1T26: o que o lucro de R$ 2,2 bi esconde? Veja por que bancos evitam BBSE3
Resultado sólido foi impulsionado por efeitos financeiros e menor sinistralidade, mas fraqueza no segmento de seguros limita visão positiva para a ação no curto prazo
Com a alta da Selic e gestão de passivos da Brasilprev, BB Seguridade (BBSE3) reporta forte crescimento no lucro líquido do primeiro trimestre de 2026. (Imagem: Adobe Stock)
Para o Citi, apesar do valuation(valor do ativo) considerado descontado em relação aos pares, o banco tem recomendação neutra para BBSE3, com preço-alvo de R$ 36,00, citando um equilíbrio entre fatores positivos e riscos no curto prazo.
Já o Banco Safra deixa o preço-alvo mais alto, na casa dos R$ 39,00, e tem recomendação underperform (baixo desempenho) – com um preço atual da ação em R$ 33,85, o potencial de valorização está em 15%.
Segmento de seguros ainda é visto como o ‘patinho feio’
O lucro líquido recorrente do BB Seguridade somou R$ 2,2 bilhões, alta de 11% na comparação anual e 5% acima das expectativas do Citi. Em relação ao trimestre anterior, houve leve recuo de 3%. O desempenho, segundo analistas, foi puxado principalmente pela subsidiária de seguros, a Brasilseg, que registrou sinistralidade (indicador que mostra quanto a seguradora paga em indenizações ante ao que arrecada com prêmios) menor do que o esperado, com índice de 24%. Ainda assim, os prêmios emitidos recuaram 2% em um ano, refletindo a fraqueza no segmento rural.
Make Zein, analista de ações da Suno Research, segue o mesmo raciocínio, apenas acrescenta que os resultados foram puxados também “pela boa performance na emissão de seguro de vida para o produtor rural, que cresceu 19,3%, ajudando a compensar na queda de Vida, Prestamista e Seguro Agrícola“, explica.
Na visão do Safra, o lucro também veio acima das projeções (cerca de 3%), mas com qualidade questionada. O banco destaca que o resultado foi impulsionado principalmente por receitas financeiras mais fortes na Brasilprev e por efeitos pontuais na holding, enquanto outras subsidiárias decepcionaram.
Embora os números tenham superado as projeções, as tendências comerciais no segmento de seguros ainda são vistas como fracas, o que limita uma visão mais construtiva para o curto prazo. O Citi também observa que o resultado operacional, desconsiderando efeitos financeiros, segue acima do ponto médio do guidance(projeções), mas deve convergir nos próximos trimestres.
“Controlar a sinistralidade não foi suficiente para compensar maiores custos de aquisição e despesas administrativas”, aponta o Safra, ao analisar o segmento de seguros.
Apesar disso, o Safra não espera revisões negativas relevantes nas estimativas do mercado financeiro, observando que o desempenho rural não piorou na margem, um ponto de atenção importante para investidores.
Previdência impulsionada por deflação não promete positividade nos próximos trimestres
Já a unidade de previdência, a Brasilprev, teve um trimestre positivo. O destaque ficou com o forte resultado financeiro, impulsionado por efeito de deflação (queda generalizada dos preços) de índices defasados, como o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M). As contribuições brutas somaram R$ 14,6 bilhões, alta de 9% em um ano, com entrada líquida de cerca de R$ 4 bilhões no período – um movimento que reforça a expansão dos ativos sob gestão.
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O Safra enxerga que o efeito pode se inverter. “O principal vento favorável deste trimestre pode se tornar um obstáculo nos próximos”, afirma, destacando que o índice já acelerou em abril.
Brasilcap fica abaixo das estimativas
A área de distribuição, por meio da BB Corretora, apresentou desempenho em linha com o o esperado, com leve crescimento e contribuição relevante das operações ligadas à previdência, enquanto outras unidades, como a Brasilcap, ficaram abaixo das estimativas em função de um resultado financeiro mais fraco.
Os resultados do BB Seguridade (BBSE3) vieram melhores do que o esperado, mas ainda sustentados por fatores não recorrentes, especialmente financeiros, enquanto o motor operacional, principalmente em seguros, segue sem mostrar uma recuperação consistente.