No exterior, o contexto não ajudou. O Federal Reserve, banco central dos EUA, manteve os juros estáveis, sem oferecer sinal claro de flexibilização, enquanto o conflito no Oriente Médio seguiu como variável imprevisível, contaminando expectativas e pressionando os preços de energia. O barril de Brent, orbitando a casa dos US$ 110, recolocou o setor de óleo e gás no centro das atenções, mas também elevou o custo global, com reflexos diretos sobre inflação e política monetária.
No Brasil, o corte da Selic perdeu parte do brilho. O Banco Central iniciou o ciclo, mas a inflação voltou a dar sinais de resistência, reacendendo o debate sobre a extensão desse movimento. Em paralelo, o ambiente político mais polarizado adicionou uma camada extra de cautela. Abril se consolidou como um mês de ajuste, com menos euforia e mais reprecificação.
Esse conjunto de fatores molda as carteiras de ações recomendadas de maio. O movimento observado não é de guinada abrupta, mas de reposicionamento cirúrgico. Casas de análise passaram a privilegiar empresas com geração de caixa previsível, exposição controlada a juros e capacidade de atravessar um cenário ainda ruidoso sem grandes sobressaltos.
O que as carteiras de maio estão dizendo
Energia, petróleo e utilities seguem com presença robusta, embalados pelo ambiente de preços elevados e previsibilidade de receitas. Nomes como Eneva (ENEV3), Prio (PRIO3), Axia Energia (AXIA3) e Vale (VALE3) aparecem com frequência, refletindo esse viés mais defensivo com pitadas de exposição a commodities.
O setor financeiro continua relevante, mas com seleção mais criteriosa. Bancos tradicionais como Itaú (ITUB3; ITUB4) seguem nas carteiras, ancorados em rentabilidade e distribuição de dividendos, ainda que algumas casas tenham reduzido exposição tática ao segmento.
Por outro lado, há uma rotação visível fora de papéis mais sensíveis a juros. Construtoras e empresas de consumo discricionário aparecem com ajustes pontuais ou redução de peso, movimento alinhado à percepção de que o ciclo de queda da Selic pode ser mais lento do que se imaginava.
Também chama atenção a entrada de nomes ligados a serviços e eficiência operacional, como Totvs (TOTS3) e Fleury (FLRY3), além de apostas oportunísticas em varejo, caso de Lojas Renner (LREN3).
BTG Pactual: ajustes pontuais e entrada de tecnologia
Na carteira 10SIM de maio, o BTG Pactual promoveu uma troca direta. Sai ITUB4 e entra TOTS3, em um movimento que sugere busca por diversificação setorial sem abrir mão de qualidade.
A carteira mantém Petrobras (PETR4) e Localiza (RENT3) como maiores posições, ambas com 15%, sinalizando confiança em geração de caixa e resiliência operacional. Energia e commodities continuam bem representadas com ENEV3 e AXIA3, enquanto nomes como Embraer (EMBJ3) e Nubank (ROXO34) adicionam uma camada de crescimento e exposição internacional.
A composição final reforça a leitura de equilíbrio. Não há concentração excessiva em um único vetor, mas uma tentativa de navegar diferentes cenários sem depender de uma única tese.
| Ações |
| Petrobras (PETR4) |
| Nubank (ROXO34) |
| Axia Energia (AXIA3) |
| Embraer (EMBJ3) |
| Eneva (ENEV3) |
| Localiza (RENT3) |
| Motiva (MOTV3) |
| Totvs (TOTS3) |
| Allos (ALOS3) |
| Cury (CURY3) |
Genial Investimentos: rotação com reforço em commodities e serviços
A carteira Ibovespa 10+ da Genial veio com mudanças mais visíveis. Saíram BTG (BPAC11) e Copel (CPLE3), enquanto entraram JHSF (JHSF3) e GPA (UGPA3). O movimento reduz exposição a financeiro e energia elétrica regulada, ao mesmo tempo em que amplia presença em serviços e distribuição de combustíveis.
A estrutura segue bastante pulverizada, com pesos iguais de 10% por ativo. Permanecem nomes como VALE3, PRIO3, ENEV3 e Vibra (VBBR3), reforçando o eixo de commodities e energia.
Apesar de ter superado o Ibovespa em abril, a carteira ainda fica atrás no acumulado do ano. Isso ajuda a explicar o ajuste mais tático para maio, numa tentativa de capturar novas assimetrias sem romper completamente com a estratégia original.
| Ações |
| Axia Energia (AXIA3) |
| Copasa (CSMG3) |
| Eneva (ENEV3) |
| Itaú Unibanco (ITUB3) |
| JHSF (JHSF3) |
| Prio (PRIO3) |
| SLC Agrícola (SLCE3) |
| Ultrapar (UGPA3) |
| Vale (VALE3) |
| Vibra Energia (VBBR3) |
Planner: carteira mais defensiva e foco em previsibilidade
A Planner adota um tom mais cauteloso. Após queda de 0,90% em abril, pior que o índice, a casa ajustou a carteira com foco em empresas consideradas mais resilientes.
Saíram Direcional (DIRR3), PetroRecôncavo (RECV3) e TOTS3. Entraram FLRY3, LREN3 e PRIO3. A troca revela um movimento claro: menos exposição a construção e petróleo onshore mais volátil, mais aposta em consumo organizado, saúde e óleo com maior eficiência operacional.
Entre as posições mantidas, destaque para CPFL (CPFE3), ITUB4, Sabesp (SBSP3) e Telefônica Brasil (VIVT3). São empresas com geração de caixa previsível e histórico consistente de distribuição de proventos, alinhadas ao momento de maior seletividade.
| Ações |
| CPFL Energia (CPFE3) |
| Itaú Unibanco (ITUB4) |
| Multiplan (MULT3) |
| Porto (PSSA3) |
| Sabesp (SBSP3) |
| Telefônica Brasil (VIVT3) |
| Wiz Co (WIZC3) |
| Fleury (FLRY3) |
| Lojas Renner (LREN3) |
| Prio (PRIO3) |
Monte Bravo: redução de risco e aumento de convicção
A Monte Bravo optou por mexer nos pesos, mais do que na estrutura. Zerou Cyrela (CYRE3), citando sensibilidade a juros e dúvidas sobre o ritmo do setor imobiliário, e reforçou posições em Nvidia (NVDC34) e Google (GOGL34), dobrando a exposição às gigantes de tecnologia.
Também aumentou participação em SBSP3 e AXIA3, enquanto reduziu VALE3 e Aura Minerals (AURA33). O recado é de ajuste fino: menos exposição a volatilidade de commodities metálicas e mais peso em ativos com drivers mais claros.
A carteira segue dividida entre estrutural, momento e oportunidades, com predominância do primeiro bloco, o que indica visão de médio prazo ainda construtiva, mas com execução mais disciplinada.
| Ações |
| Itaúsa (ITSA4) |
| Suzano (SUZB3) |
| Vale (VALE3) |
| Rede D’Or (RDOR3) |
| Sabesp (SBSP3) |
| Axia Energia (AXIA3) |
| Equatorial (EQTL3) |
| Mercado Livre (MELI34) |
| Nubank (ROXO34) |
| Bitcoin ETF (BIYT39) |
| Direcional (DIRR3) |
| Copel (CPLE3) |
| Iguatemi (IGTI11) |
| Localiza (RENT3) |
| Aura Minerals (AURA33) |
| Nvidia (NVDC34) |
| Alphabet Google (GOGL34) |
Andbank: estabilidade e aposta em dividendos previsíveis
O Andbank manteve sua carteira inalterada. Em vez de reagir ao ruído de curto prazo, a casa optou por sustentar posições em empresas com forte capacidade de distribuição de dividendos.
Entre os destaques estão BB Seguridade (BBSE3), ITUB4, CPLE3 e VALE3, todos com yields (rendimentos) relevantes e fundamentos sólidos. A carteira segue equilibrada entre financeiro, energia e commodities, com potencial de valorização médio estimado em 17,8%.
| Ações |
| Axia Energia (AXIA6) |
| BB Seguridade (BBSE3) |
| Bradesco (BBDC4) |
| Copel (CPLE3) |
| Embraer (EMBR3) |
| Itaú Unibanco (ITUB4) |
| Itaúsa (ITSA4) |
| Rede D’Or (RDOR3) |
| Telefônica Brasil (VIVT3) |
| Vale (VALE3) |