Itaú chega ao balanço do 1T26 com expectativa de lucro robusto e manutenção da liderança em rentabilidade no setor bancário. (Foto: Adobe Stock)
O Itaú Unibanco (ITUB3; ITUB4) divulga, na noite desta terça-feira (5), os resultados do 1T26, em meio a expectativas elevadas. Após um 2025 considerado histórico, o banco chega à nova temporada de balanços como destaque do setor, mesmo em um ambiente ainda desafiador para o sistema financeiro. No micro, a leitura entre analistas é de continuidade de um desempenho sólido.
“O Itaú chega ao balanço do 1T26 como o grande destaque do setor bancário”, afirma Gabriel Uarian, analista-chefe da Cultura Capital, sobre as demonstrações financeiras do banco. As projeções apontam para lucro recorrente entre R$ 12,3 bilhões e R$ 12,4 bilhões, com retorno sobre o patrimônio (ROE) entre 24% e 24,9%, mantendo a liderança em rentabilidade entre os grandes bancos.
Segundo Urian, após um 2025 considerado histórico, com lucro de R$ 46,8 bilhões e ROE de 23,4%, o guidance para 2026 indica “continuidade de crescimento responsável”.
Essa expectativa é reforçada por Fernando Bresciani, analista de investimentos do Andbank, que também projeta lucro próximo de R$ 12,3 bilhões no trimestre, praticamente estável na comparação com o quarto trimestre (-0,3%), mas cerca de 10% acima do mesmo período do ano passado. “O ROE deve se manter sólido, em torno de 24,5%, levemente acima dos 24,4% anteriores”, diz.
JPMorgan diz que bancos terão qualidade mista
Apesar do otimismo com o banco, o pano de fundo do setor ainda inspira cautela. Relatório do JPMorgan destaca que os resultados dos bancos brasileiros terão mas com qualidade considerada mista, em meio a um cenário macroeconômico ainda mais desafiador.
“Após anos de altas taxas de juros, existem vários sinais de alerta. No entanto, nossa opinião é que os dados por trás dos indicadores são menos negativos do que sugerem os números mais visíveis do mercado”, explica o banco.
Ao mesmo tempo, o JPMorgan chama atenção para a pressão sobre a qualidade dos ativos, com a inadimplência em trajetória de alta (segundo o Banco do Brasil, em março a inadimplência total do sistema financeiro ficou em 4,3%, com recuo mensal, mas ainda acima dos níveis observados um ano antes), ainda que menos acentuada do que sugerem os dados agregados
Bresciani observa que o Itaú “vem adotando há algum tempo uma postura mais seletiva na concessão de crédito”, o que deve se traduzir em indicadores mais saudáveis. A expectativa é de uma inadimplência ao redor de 2%, levemente acima dos 1,9% do trimestre anterior, mas ainda bem inferior à média do sistema.
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A dinâmica de crédito também ajuda a explicar o momento. O mercado projeta continuidade na expansão das carteiras, ainda que em ritmo mais moderado, o que deve sustentar o crescimento da receita de juros. No caso do Itaú, essa linha tende a avançar tanto na comparação anual quanto trimestral, acompanhando a expansão da carteira, estimada entre 8,7% e 9% em 12 meses, segundo Bresciani.
O que o investidor deve ficar de olho
Nesse ambiente, o Itaú parece bem posicionado para navegar o ciclo. Uarian destaca que o banco “tem mostrado execução impecável, com níveis de eficiência e qualidade de ativos superiores”, o que deve sustentar margens e rentabilidade mesmo em um cenário mais desafiador. Ele acrescenta que o investidor deve acompanhar de perto a evolução da margem com clientes, o controle da inadimplência, que pode sofrer “alguma pressão sazonal, mas controlada”, além do crescimento da carteira e das receitas de serviços e seguros.
Na mesma linha, Bresciani diz que a expectativa para o trimestre como a de “um balanço bastante sólido, com destaque para lucro, rentabilidade, qualidade de crédito e crescimento da carteira”, com potencial para ser novamente o resultado mais forte entre os grandes bancos.
Em um setor que ainda convive com pressões sobre qualidade de crédito e custos mais elevados, o Itaú chega ao 1T26 como um teste de consistência e, ao que tudo indica, com espaço para reforçar sua posição de referência em rentabilidade e resiliência.