Por volta das 9h30 (de Brasília), o Brent para julho subia 0,33%, a US$ 100,39 por barril, enquanto o WTI para junho avançava 0,31%, a US$ 95,10. Mais cedo, durante a madrugada, os contratos chegaram a oscilar com mais força após relatos de novos ataques no Estreito de Ormuz.
A commodity interrompe, ao menos temporariamente, a sequência de três pregões consecutivos de queda que havia levado o Brent novamente para abaixo de US$ 100, em meio à desmontagem do prêmio geopolítico acumulado durante a escalada do conflito.
Tensão volta ao radar
O novo ruído veio após uma troca de ataques entre forças americanas e iranianas na região de Ormuz, principal corredor marítimo do petróleo global. Teerã acusou os Estados Unidos de violarem o cessar-fogo depois de ofensivas contra um petroleiro iraniano, enquanto o Comando Central americano afirmou ter reagido em “autodefesa” após ataques iranianos a embarcações dos EUA.
O episódio recolocou volatilidade nos preços justamente quando o mercado começava a consolidar uma leitura mais otimista sobre um eventual acordo entre Washington e Teerã.
Apesar disso, Donald Trump minimizou os confrontos e afirmou que a trégua “segue funcionando”, classificando os ataques como um “tapinha de amor”. A declaração ajudou a evitar uma reação ainda mais forte do “ouro negro”.
Além dos ataques, o Irã informou nesta manhã a apreensão do petroleiro Ocean Koi, no Mar de Omã, sob acusação de prejudicar as exportações iranianas de petróleo. O episódio reforça o ambiente de instabilidade na principal região energética do mundo.
Mercado tenta recalibrar risco
A oscilação recente do petróleo mostra como o mercado segue altamente dependente do fluxo de notícias diplomáticas e militares. Em poucos dias, o Brent saiu de níveis acima de US$ 110 para abaixo de US$ 100, antes de voltar a rondar essa faixa após os novos episódios de tensão.
O temor sobre interrupções no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% da oferta global da commodity, dita grande parte das movimentações. Qualquer sinal de bloqueio, ataque a embarcações ou ruptura da trégua imediatamente reacende preocupações com oferta e logística.
Ao mesmo tempo, investidores monitoram os efeitos do choque energético sobre inflação e juros globais. A Agência Internacional de Energia (AIE) já indicou que pode liberar mais reservas estratégicas para conter uma disparada dos preços caso o conflito volte a escalar.
Payroll também entra na conta
Nesta sexta-feira, o mercado divide atenções entre a geopolítica e o payroll dos Estados Unidos, principal relatório de emprego da economia americana. O dado ganhou peso adicional porque o Federal Reserve, banco central dos EUA, já admite que os efeitos da guerra passaram a influenciar diretamente a trajetória da política monetária.
Com petróleo ainda elevado e riscos inflacionários no radar, investidores tentam entender até que ponto a atividade americana continua resistente e qual espaço o Fed terá para conduzir os juros nos próximos meses.
Na Bolsa brasileira, o setor de petróleo segue no centro das atenções. Os American Depositary Receipts (ADRs, que permitem negociar ações estrangeiras em bolsa estadunidense) da Petrobras (PETR3; PETR4) operavam em leve alta no pré-mercado americano, acompanhando a recuperação moderada do Brent.