A mediana do Boletim Focus para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 aumentou pela nona semana consecutiva, de 4,89% para 4,91%, distanciando-se ainda mais do teto da meta perseguida pelo Banco Central (BC), de 4,50%. Já a projeção para a taxa Selic no fim de 2026 permaneceu em 13% pela terceira leitura consecutiva.
Segundo Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, o mercado começou a semana dividido entre dois vetores. “De um lado, a continuidade do impasse no Oriente Médio, que voltou a pressionar o petróleo e os juros. Do outro, a força das empresas de tecnologia, especialmente do setor de semicondutores, que ajudou a sustentar parte do apetite por risco no exterior”, afirma.
Em Nova York, S&P 500, Dow Jones e Nasdaq subiram 0,19%, 0,19% e 0,1%, respectivamente. Dentre as ações em destaque, a Intel avançou 3,62%, enquanto a Micron subiu 6,50% e a Qualcomm valorizou 8,42%.
Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta pela segunda sessão consecutiva. O barril do WTI para junho subiu 2,78% na Nymex a US$ 98,07, enquanto o do Brent para julho teve alta de 2,88% na ICE a US$ 104,21.
As ações da Petrobras (PETR3;PETR4) encerraram no campo positivo: os papéis ordinários (PETR3) avançaram 1,4%, enquanto os preferenciais (PETR4) subiram 1,66%. A Vale (VALE3) também ajudou a limitar as perdas do dia, com alta de 2,41%.
A temporada de resultados corporativos continua na semana. “Em balanços, Itaúsa (ITSA4) e Petrobras devem vir fortes. Braskem (BRKM5) segue como ponto de atenção. Banco do Brasil (BBAS3) tende a um resultado mais fraco, enquanto Cosan (CSAN3) pode trazer atualizações sobre o processo de reestruturação após a entrada do BTG Pactual (BPAC11), diz Fernando Bresciani, analista de investimentos do Andbank.
O dólar hoje terminou o pregão em baixa de 0,05% a R$ 4,8914, no menor patamar de encerramento desde 15 janeiro de 2024, quando fechou a R$ 4,8662. “Esse movimento está diretamente ligado ao carry trade (estratégia que busca lucrar com a diferença de juros entre países). Com os juros brasileiros elevados e um ambiente externo ainda carregado de incertezas, o capital estrangeiro encontra aqui uma oportunidade bastante atrativa de retorno. Esse fluxo fortalece o real e pressiona o dólar para baixo”, explica Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da casa de análise Top Gain.
As maiores altas do Ibovespa hoje
As três ações que mais valorizaram no dia foram Minerva (BEEF3), Vale (VALE3) e Braskem (BRKM5).
Minerva (BEEF3): 4,88%, R$ 4,3
As ações da Minerva (BEEF3) registraram a maior alta do Ibovespa hoje e saltaram 4,88% a R$ 4,3.
A BEEF3 está em alta de 13,16% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 24,43%.
Vale (VALE3): 2,41%, R$ 83,45
Quem também se saiu bem foi a Vale (VALE3), com alta de 2,41% a R$ 83,45. A mineradora seguiu o avanço do minério de ferro, que subiu 0,73% em Dalian e 1,01% em Cingapura.
A VALE3 está em alta de 2,8% no mês. No ano, acumula uma valorização de 15,97%.
Braskem (BRKM5): 2,34%, R$ 9,2
As ações da Braskem (BRKM5), por sua vez, avançaram 2,34% a R$ 9,2. A petroquímica divulga seu balanço do primeiro trimestre na quarta-feira (13) após o fechamento do mercado.
A BRKM5 está em alta de 0,55% no mês. No ano, acumula uma valorização de 16,6%.
As maiores quedas do Ibovespa hoje
As três ações que mais desvalorizaram no dia foram C&A (CEAB3), Cogna (COGN3) e Rede D’Or (RDOR3).
C&A (CEAB3): -7,69%, R$ 11,29
As ações da C&A (CEAB3) lideraram as perdas do Ibovespa hoje e tombaram 7,69% a R$ 11,29. Papéis cíclicos, mais sensíveis aos ciclos econômicos, foram pressionados no pregão pela alta dos juros futuros.
A CEAB3 está em baixa de 0,27% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 11,52%.
Cogna (COGN3): -6,38%, R$ 2,64
Os ativos da Cogna (COGN3) recuaram 6,38% a R$ 2,64, também penalizados pelo avanço dos juros futuros.
A COGN3 está em baixa de 5,04% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 15,92%.
Rede D’Or (RDOR3): -6,11%, R$ 35,97
Na lista de destaques negativos do Ibovespa hoje, as ações da Rede D’Or (RDOR3) tombaram 6,11% a R$ 35,97.
A RDOR3 está em baixa de 6,25% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 11,12%.
*Com Estadão Conteúdo