PagBank lucra R$ 575 mi no 1º tri, com crédito em alta e resultado pressionado
Expansão da carteira, puxada por capital de giro e consignado, sustenta receitas, mas Selic elevada ainda pressiona o resultado e limita avanço da rentabilidade
O PagBank encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 575 milhões e 34 milhões de clientes. (Imagem: Adobe Stock)
O PagBank, banco digital e empresa de pagamentos, registrou lucro líquido recorrente de R$ 575 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 4% em relação a igual período do ano anterior. Na comparação com o quarto trimestre de 2025, o resultado caiu 15,2%.
A receita líquida somou R$ 3,3 bilhões no período, alta de 6,4% na base anual. O retorno sobre patrimônio líquido anualizado (ROAE) ficou em 15,8%, elevação de 80 pontos-base (8 pontos porcentuais) em relação ao fim de março de 2025.
“Tivemos um trimestre de resultado sólido, especialmente considerando o pano de fundo marcado por um contexto macroeconômico volátil”, disse o Superintendente de Relações com Investidores do PagBank, Daniel Pioner, em entrevista coletiva na sede da empresa, em São Paulo.
O lucro bruto do PagBank alcançou R$ 1,889 bilhão, o que representa um aumento de 0,8% na comparação anual. Pelo guidance (projeções) em vigor, a empresa espera ter crescimento na faixa entre 6% e 9% nessa linha este ano.
Segundo o CFO da empresa, Gustavo Sechin, o lucro bruto foi penalizado pela pressão da Selic elevada, que só voltou a cair em abril, ainda em ritmo lento.
“A partir do segundo e terceiro trimestres, o custo financeiro se torna mais comparável àquele que observamos no momento da ascensão [dos juros]”, explicou.
O PagBank fechou março com 34 milhões de clientes, alta de 6% ante dezembro ante o final do primeiro trimestre de 2025.
A carteira de crédito do banco fechou o primeiro trimestre em R$ 5 bilhões, um avanço de 36% ante igual período do ano passado. Na comparação trimestral, houve incremento de 9%.
O crescimento foi impulsionado principalmente pela carteira de capital de giro, que registrou salto anual de 191%, a cerca de R$ 500 milhões. Em consignado, o aumento foi 29%, a R$ 3,5 bilhões, enquanto o portfólio de cartão de crédito somou R$ 1 bilhão, alta de 26%.
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Enquanto amplia os negócios bancários, o PagBank mantém a meta de ampliar a carteira de crédito para R$ 25 bilhões até 2029. Para este ano, a projeção é de um crescimento entre 25% e 35%.
Pelo conceito expandido, que inclui operações de antecipação de recebíveis, a carteira avançou 11% no comparativo anual, para R$ 51 bilhões.
“A próxima fronteira sob o ponto de vista de aumento da rentabilidade é a plataforma de serviços bancários”, afirmou o CEO do PagBank, Carlos Mauad, em entrevista coletiva na sede da empresa, em São Paulo.
Pelo critério de atrasos acima de 90 dias, a inadimplência do PagBank atingiu 3,05% no primeiro trimestre, de 2,9% em dezembro de 2025 e 2,3% no final do primeiro trimestre do ano passado. “A inadimplência, sazonalmente, costuma vir mais esticada no primeiro trimestre”, ressaltou Mauad.
Ainda no negócio bancário, os depósitos somaram R$ 41,6 bilhões no trimestre, alta de 22,9% na base anual e de 2,4% em relação ao quarto trimestre de 2025.