O dólar à vista voltou a fechar abaixo dos R$ 5, após o estresse no câmbio registrado no dia anterior. A moeda americana encerrou esta quinta-feira (14) com queda de 0,45% contra o real, a R$ 4,9863.
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O dólar à vista voltou a fechar abaixo dos R$ 5, após o estresse no câmbio registrado no dia anterior. A moeda americana encerrou esta quinta-feira (14) com queda de 0,45% contra o real, a R$ 4,9863.
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É um movimento de correção depois da alta forte de 2,3% na sessão anterior, dia do segundo “Flávio Day” – uma referência ao pregão de 5 dezembro de 2025 quando o senador anunciou sua pré-candidatura à presidência e fez a Bolsa cair 4,3%, o pior desempenho diário desde 2021.
Na quarta-feira (13), uma reportagem do Intercept Brasil revelou um áudio em que o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pedia dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Os recursos seriam utilizados para pagar despesas com o filme Dark Horse, que conta a história de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Veja com detalhes aqui.
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A cotação do câmbio já vinha em alta antes do evento, pressionada por indicadores de inflação nos Estados Unidos que fortalecem as chances de juros mais altos por mais tempo por lá, mas disparou após a notícia sobre Flávio circular no mercado. No fechamento, o dólar à vista subiu 2,31% frente ao real, negociado a R$ 5,0086. Foi a primeira vez que a moeda americana volta a fechar uma sessão acima de R$ 5 desde 23 de abril.
Nesta quinta, o pai do dono do Master, Henrique Vorcaro, foi preso em uma nova operação da Compliance Zero, operação da Polícia Federal. Mesmo assim, os ruídos em Brasília não foram suficientes para levar o dólar à quarta sessão seguida de alta contra o real.
“O dólar devolveu parte da forte alta da véspera, em um movimento de ajuste após o estresse político doméstico envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Depois de o mercado reagir inicialmente ao aumento das incertezas eleitorais e fiscais, o câmbio passou a corrigir parte do movimento, acompanhando também um ambiente externo mais favorável”, diz Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad. “Ainda assim, o mercado seguiu cauteloso, monitorando os desdobramentos políticos locais e o potencial impacto sobre a percepção de risco doméstico.”
Leonel de Oliveira Mattos, especialista em inteligência de mercado da Stonex, explica que após sessões de movimentos tão bruscos e intensos é comum observar uma correção técnica. Na prática, isso ocorre quando investidores aproveitam patamares mais elevados da moeda americana para vender posições e realizar os lucros acumulados.
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“Mesmo em um contexto de fortalecimento global do dólar, vemos no Brasil esse movimento de correção favorecendo a valorização da moeda brasileira, ainda que o real permaneça distante dos níveis observados na abertura da sessão de ontem”, afirma.
Apesar de 2026 ser um ano de eleições presidenciais, que costumam trazer volatilidade aos mercados, o clima vinha mais ameno. As atenções de investidores estavam voltadas a outros fatores e era o cenário macro que prevalecia.
O Ibovespa chegou a operar aos 199 mil pontos em meados de abril – e, ainda que já tenha corrigido parte da alta, segue com um desempenho acumulado no ano de quase 11%. O dólar também acumula uma desvalorização contra o real, fruto sobretudo do alto fluxo de investimentos que entrou no País nos primeiros meses do ano.
Agora predomina no mercado o sentimento de que o ruído político pode finalmente começar a fazer preço.
“Essa alta recente do dólar não reflete apenas ajuste técnico ou movimento global de aversão a risco, mas um aumento perceptível do prêmio político e fiscal embutido nos ativos brasileiros, especialmente após o mercado voltar a precificar ruído eleitoral, fragilidade institucional e piora da percepção sobre o equilíbrio das contas públicas”, diz Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.
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Como Flávio é o candidato da direita com maior intenção de voto nas pesquisas recentes, há entre agentes do mercado um receio de que a candidatura mais forte agora seja enfraquecida. E sem tempo para que outros nomes que a Faria Lima gosta mais, como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) que não pediu desincompatibilização do cargo e portanto não pode concorrer, assumam o posto de candidato.
“Sem dúvida, isso impacta na interpretação do mercado sobre as chances do Flávio nas eleições”, diz Bruno Perri, economista-chefe, estrategista de investimentos e sócio-fundador da Forum Investimentos. “O mercado se ressente não por uma paixão pelo Flávio Bolsonaro, mas porque tem uma preferência bastante explícita por uma mudança de regime para uma candidatura de oposição que traga uma política econômica mais ortodoxa, uma política fiscal mais responsável.”
Apesar do noticiário local ter dominado o pregão desta quinta-feira, lá fora o sentimento também foi mais brando. Ainda não há nenhuma resolução para o conflito no Oriente médio, mantendo o petróleo na casa dos US$ 105 o barril. Mas o encontro do presidente americano Donald Trump e do líder chinês Xi Jinping, em Pequim, trouxe melhora no apetite por risco.
Ambos concordaram que o Irã não pode ter arma nuclear, segundo a Casa Branca após reunião em Pequim. Os líderes também defenderam a manutenção do Estreito de Ormuz aberto para garantir o fluxo global de energia.
O tom mais conciliador entre os governantes dos EUA e da China, com acenos de cooperação econômica e em energia, ajudou a sustentar as Bolsas. Nesse ambiente, os retornos dos Treasuries recuaram e o dólar registrou oscilações moderadas ante outras divisas pelo mundo.
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*Com informações do Broadcast
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