Apesar da melhora, o CEO da Cosan, Marcelo Martins, disse durante a teleconferência do balanço que é razoável que a companhia deixe de existir em três a cinco anos, com os sócios passando a ter participações diretas nas empresas em que hoje investem via Cosan. A declaração abalou o mercado e causou o tombo de 9,6% nas ações da companhia.
De janeiro a março, a Cosan registrou prejuízo de R$ 1,6 bilhão no primeiro trimestre de 2026, redução anual de 11%. A companhia consumiu mais de R$ 8 bilhões em caixa após antecipar dívidas, em um movimento que busca reduzir riscos financeiros à frente.
Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, a dívida líquida expandida apresentou queda de 34%, como reflexo da entrada dos recursos da capitalização da Cosan no último trimestre de 2025.
O Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (Ebitda, na silga em Inglês) da holding foi de R$ 3,167 bilhões no primeiro trimestre, alta de 60% ante 1T25. A receita operacional líquida, por sua vez, foi de R$ 9,029 bilhões, com queda de 7% frente ao primeiro trimestre de 2025.
Na visão do Safra, a Cosan tem mostrado sinais de que o pior momento da companhia pode estar perto do fim, destacando o Ebitda 3% acima do esperado pelo banco. O avanço foi puxado principalmente por Rumo (RAIL3) e Compass (PASS3) e compensado em parte pelo desempenho mais fraco da Radar.
Apesar disso, o Safra mantém alerta sobre a pressão financeira no curto prazo, o que reflete na queda de dividendos e aumento de pagamentos de juros. Ainda assim, o banco possui visão positiva sobre o ativo, com expectativa de melhora na cobertura de juros nos próximos trimestres e a redução do endividamento.
A leitura do Safra acrescenta que a geração de caixa do trimestre foi prejudicada pelos custos do pré-pagamento de dívida, mas atribuiu melhora no prejuízo líquido em relação ao mesmo período do ano anterior.
O Safra tem recomendação outperform (equivalente a compra) para os papéis da Cosan (CSAN3). O preço-alvo é de R$ 9, um potencial de valorização de 93,55% ante o último fechamento.
Por que os papéis caem?
Apesar da recomendação de compra, o CEO da Cosan afirmou também que a holding pode vender a participação residual que passará a ter na investida de geração e distribuição de combustíveis, a Raízen (RAIZ4), após o novo aporte dos sócios na empresa, que não será acompanhado pela Cosan.
“A premissa básica de todos nós aqui é de que, com o objetivo de reduzir a alavancagem da empresa, obviamente não faz o menor sentido que a Cosan continue sendo um veículo de investimento de portfólio. Ou seja, o crescimento dos negócios e os investimentos serão absolutamente de responsabilidade das empresas que fazem parte do negócio hoje. Então, nesse horizonte de três a cinco anos, acho que é bastante razoável dizer que a Cosan deixará de existir”, afirmou a investidores nesta manhã.
*Com informações da Broadcast