A Moody's rebaixou a nota de crédito da CSN (CSNA3) para Caa1, indicando risco substancial para a companhia. (Imagem: Adobe Stock)
A Moody’srebaixou a nota de crédito da Companhia Siderúrgica Nacional, CSN (CSNA3), de B2 para Caa1 (risco substancial) na escala global, mantendo perspectiva negativa para a companhia e suas emissões de dívida. A decisão reflete, segundo a agência, a deterioração do perfil financeiro da empresa, marcada por elevada alavancagem, pressão de liquidez e riscos crescentes de refinanciamento.
“A perspectiva negativa reflete a avaliação de que a companhia ainda depende de medidas concretas de desalavancagem para estabilizar sua estrutura de capital e reduzir os riscos financeiros”, destaca.
Também foram rebaixadas para Caa1, as notas sênior sem garantia da CSN Resources SA e da CSN Inova Ventures.
Em relatório, a Moody’s acrescenta que a CSN continua registrando queima de caixa e enfrenta dificuldades para reduzir o endividamento em meio à volatilidade do mercado financeiro e ao enfraquecimento dos preços do aço e do minério de ferro.
“A CSN pode precisar recorrer a operações de refinanciamento consideradas trocas em situação de dificuldade financeira para lidar com os vencimentos de dívida de curto e médio prazo”, frisa a classificadora.
Ações para reduzir a dívida e aliviar o caixa
Em janeiro, a CSN anunciou planos para vender uma participação minoritária em ativos de infraestrutura e o controle de sua divisão de cimento, em operação estimada entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões. Os recursos seriam destinados à redução da dívida da holding. Enquanto essas vendas não forem concluídas, porém, a Moody’s considera que os indicadores de crédito permanecerão pressionados.
Em abril, a companhia contratou um empréstimo-ponte de US$ 1,2 bilhão para reforçar o caixa. Mesmo assim, a agência vê risco elevado de liquidez diante dos vencimentos de aproximadamente R$ 28,6 bilhões até 2028 e da expectativa de fluxo de caixa livre negativo.
Nos 12 meses encerrados em março, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da CSN ficou em R$ 8,8 bilhões, praticamente estável em relação há um ano. Já a alavancagem ajustada recuou de 6,1 vezes para 5,8 vezes, mas deve seguir elevada nos próximos trimestres, segundo a Moody’s.