Nvidia (NVDC34) mostra que surfa sozinha a onda da IA; veja se ainda faz sentido investir na ação
Balanço acima das expectativas reforça liderança na era da inteligência artificial; analistas veem crescimento forte, mas alertam para riscos e volatilidade
Nvidia supera expectativas de Wall Street e reforça liderança global na infraestrutura de inteligência artificial. (Foto: Adobe Stock)
A Nvidia (NVDC34) voltou a surpreender Wall Street. A companhia divulgou na noite de quarta-feira (20) o resultado do primeiro trimestre fiscal de 2027 acima das expectativas, reforçando a percepção de que segue como a principal beneficiada pela corrida global para dominar a infraestrutura de inteligência artificial (IA). Para o investidor brasileiro, os números também reacendem a discussão sobre como acessar a tese de investimentos da empresa e se o papel ainda faz sentido dentro de uma estratégia de longo prazo.
Segundo William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, a empresa “mais uma vez surpreendeu o mercado” ao reportar receitade US$ 81,6 bilhões no trimestre, avanço de 85% em relação ao mesmo período do ano anterior, acima da expectativa de US$ 79,2 bilhões. O lucro por ação ficou em US$ 1,87, também superando o consenso de US$ 1,77. Com base nos resultados, o Safra classificou o papel com desempenho superior e atribuiu um preço-alvo de US$ 300.
O ano fiscal da empresa começa em fevereiro e termina em janeiro do ano seguinte – portanto, o período que vai de fevereiro a abril de 2026 corresponde ao primeiro trimestre do ano fiscal de 2027.
O executivo da Avenue destacou que o crescimento segue fortemente apoiado no segmento de data centers (instalações que abrigam servidores, sistemas e equipamentos de rede), responsável por 92% das vendas totais da companhia. “A NVIDIA continua sendo o player para você desenvolver qualquer ferramental, qualquer modelo de linguagem. Os chips da Nvidia ainda estão na frente, ainda estão na vanguarda”, afirmou.
A avaliação vai ao encontro da leitura da XP Investimentos, que classificou o balanço como “bom”, com surpresas positivas tanto em receita quanto em lucro por ação, impulsionadas principalmente pela arquitetura Blackwell (nova geração de chips e plataformas de IA da Nvidia, sucessora da arquitetura Hopper) e pela demanda robusta por soluções de networking, equipamentos e tecnologias usados para conectar servidores permitindo que eles troquem dados em alta velocidade.
O segmento de Data Centers gerou sozinho US$ 75,2 bilhões no trimestre, crescimento anual de 92%. Pela primeira vez, a empresa detalhou essa divisão entre hyperscalers (grandes plataformas de nuvem e internet) e o segmento chamado ACIE, voltado para nuvens de IA, aplicações industriais, clientes corporativos e projetos soberanos. Para a XP, essa diversificação é um ponto estratégico importante porque reduz a dependência da companhia.
“O crescimento deixou de ser exclusivamente dependente de poucos hyperscalers e passou a refletir uma base de clientes genuinamente mais diversificada”, afirmou a corretora.
Nvidia dobra seu fluxo de caixa livre
Além do crescimento operacional, outro ponto que chamou atenção foi a geração de caixa. A Nvidia registrou fluxo de caixa livre de US$ 48,6 bilhões no primeiro trimestre fiscal de 2027, quase o dobro do observado um ano antes. Parte desse caixa retornou aos acionistas por meio de recompras de ações e dividendos.
O Banco Safra avaliou que os resultados reforçam a tese de crescimento estrutural da empresa por um período mais longo. Segundo o banco, a demanda por infraestrutura de IA está se expandindo para além das big techs, alcançando empresas industriais, governos e companhias que querem operar sistemas próprios de inteligência artificial.
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Para o Safra, a Nvidia conseguiu demonstrar que “pode sustentar um crescimento acelerado da receita por um período mais longo”. O banco também destacou a expansão das linhas de produtos além dos processadores gráficos tradicionais (GPUs), incluindo a CPU Vera e soluções voltadas à inferência em IA.
Outro ponto visto de forma positiva foi a manutenção das margens elevadas mesmo durante a transição tecnológica entre as plataformas Blackwell e Vera Rubin. Segundo o Safra, isso mostra que a companhia segue com forte poder de precificação.
Mas então, Nvidia vale a pena?
Apesar do entusiasmo, os relatórios também apontam riscos para a tese. A XP chamou atenção para a ausência de receitas provenientes da Chinano segmento de Data Center, reflexo das restrições comerciais envolvendo chips avançados. A corretora lembra que Jensen Huang, CEO da Nvidia, já estimou o mercado chinês de aceleradores de IA em cerca de US$ 50 bilhões anuais.
Além disso, cresce a vigilância sobre a concorrência. Empresas como Advanced Micro Devices (AMD), Broadcom e os chips proprietários desenvolvidos por gigantes como Google e Amazon ainda não provocaram perda relevante de participação de mercado, mas seguem no radar dos investidores.
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Para o investidor brasileiro, a Nvidia pode ser acessada principalmente por meio da compra direta das ações no mercado norte-americano, usando corretoras internacionais, ou por Brazilian Depositary Receipts (BDRs, são certificados que representam ações de empresas estrangeiras) negociados na B3. Outra possibilidade é investir por meio de Exchange Traded Funds (ETFs, fundos de investimento negociados diretamente na Bolsa) internacionais ligados ao setor de tecnologia e inteligência artificial, como o XLK, citado pela XP no relatório.
Na prática, especialistas enxergam a Nvidia como uma tese associada ao crescimento estrutural da inteligência artificial e da expansão da infraestrutura computacional global. Ao mesmo tempo, o papel costuma carregar volatilidade elevada, justamente porque negocia com expectativas altas de crescimento futuro.
William Alves, da Avenue, destacou que os números ajudam a explicar a forte valorização acumulada das ações nos últimos anos. “As receitas subiram 1.000%, lucros crescendo 2.700% e projetando mais crescimento ainda pela frente”, afirmou. Segundo ele, a empresa “continua surfando praticamente sozinha os benefícios da IA”.
Ainda assim, os relatórios ressaltam que o mercado financeiro seguirá atento principalmente à execução da nova plataforma Vera Rubin, considerada pela XP o evento de produto mais importante para a companhia nos próximos 12 meses. Qualquer atraso ou problema na adoção da nova arquitetura pode aumentar a volatilidade do papel no curto prazo.