Elon Musk é o atual CEO da Tesla. (Foto: Adobe Stock)
O “império Musk” está crescendo — mas isso pode se transformar em um problema para a Tesla. O aguardado IPO (Oferta Pública Inicial) da SpaceX, previsto para junho, deve dobrar o número de empresas de Elon Musk listadas em Bolsa. A companhia aeroespacial se juntaria à Tesla (TSLA34) como mais uma aposta dos investidores nas ambições futuristas do bilionário em automação, inteligência artificial e exploração espacial. Mas, em vez de enxergar duas oportunidades de investimento ligadas a Musk, parte do mercado vê sinais de alerta para as ações da montadora de veículos elétricos.
“Isso não deve ser positivo para a Tesla”, afirmou Joe Gilbert, gestor da Integrity Asset Management, à Bloomberg. “Acreditamos que o foco de Musk ficará predominantemente voltado para a SpaceX. Ele já provou ser capaz de equilibrar vários projetos ao mesmo tempo, mas parece que a SpaceX virou seu novo bebê às custas da Tesla.”
A Tesla atravessa um período difícil. A companhia registrou no ano passado sua primeira queda anual de receita na história. Apesar de uma melhora nas vendas nos primeiros meses deste ano, as entregas vieram abaixo das expectativas dos analistas, enquanto a produção continuou crescendo mais rápido do que a demanda.
As ações da companhia acumulam queda de cerca de 5% no ano, mas ainda negociam muito acima do que os fundamentos da empresa indicariam, segundo analistas. Nos últimos meses, Musk passou a vender a Tesla menos como uma fabricante de carros elétricos e mais como uma empresa de inteligência artificial e robótica.
O exemplo mais citado por ele é o Optimus, robô humanoide da companhia. Musk já afirmou que o projeto pode representar 80% do valor total da Tesla no futuro — apesar de ainda não existirem evidências concretas de que a iniciativa conseguirá atingir a escala desejada pelo empresário, que fala em produzir até 1 milhão de robôs por ano.
A SpaceX, por outro lado, vive um momento diferente. A empresa aparece como uma das protagonistas nas discussões sobre data centers espaciais para sustentar o crescimento da inteligência artificial e já demonstrou forte potencial de retorno com a Starlink, serviço de internet via satélite que ultrapassou 10 milhões de assinantes.
Além disso, a SpaceX domina parte relevante do mercado global de lançamentos orbitais graças ao uso de foguetes reutilizáveis. Segundo o prospecto do IPO, a empresa teve receita de US$ 18,7 bilhões em 2025, alta de 33% na comparação anual.
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As perdas financeiras também devem crescer à medida que a companhia acelera sua expansão. Ainda assim, a projeção de valor do ativo (valuation) de US$ 1,75 trilhão colocaria a SpaceX acima até mesmo da Tesla, atualmente avaliada em cerca de US$ 1 trilhão. “É sexy”, afirmou Ross Gerber, investidor da Tesla e CEO da gestora Gerber Kawasaki, à Fortune. “Todo mundo gosta de coisas sexy no mercado financeiro.”
Como o IPO da SpaceX pode aumentar os problemas da Tesla
Para parte dos investidores, a SpaceX virar a nova “queridinha” de Wall Street deve aumentar a pressão sobre a Tesla. Segundo Dave Mazza, CEO da Roundhill Investments, muitos investidores compraram ações da Tesla apostando justamente em sua narrativa ligada à inteligência artificial e à robótica. O sucesso da SpaceX poderia enfraquecer essa tese.
A expectativa é que cerca de 30% das ações do IPO sejam destinadas a investidores de varejo — aproximadamente o triplo do padrão tradicional. Isso poderia retirar recursos justamente da base mais fiel de investidores da Tesla.
“A avaliação da Tesla nunca foi justificada apenas pelos veículos”, disse Mazza à Fortune.
“Os investidores pagam pela tese de autonomia e inteligência artificial física. O IPO da SpaceX aumenta essa cobrança, porque agora os investidores terão uma aposta mais pura em inovação ligada a Musk para comparar.”
Outro temor envolve o próprio tempo e energia de Elon Musk. Investidores avaliam que um foco maior na SpaceX poderia reduzir ainda mais sua dedicação à Tesla. As preocupações lembram o que ocorreu no ano passado, quando Musk acumulou funções no governo americano como integrante do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE). Na época, o empresário admitiu dificuldade para administrar tantos projetos simultaneamente.
Mesmo assim, Mazza afirma que esse risco já faz parte do “pacote Musk”. “Essa preocupação já está precificada, porque a atenção dividida de Musk é um risco conhecido há anos”, afirmou. “A questão mais importante continua sendo execução: a Tesla precisa entregar robotáxis e autonomia dentro do próprio cronograma.”
Uma fusão entre Tesla e SpaceX?
Apesar dos riscos, alguns investidores enxergam um cenário positivo para a Tesla no longo prazo. Ross Gerber afirma que o IPO da SpaceX aumentou especulações sobre uma possível fusão entre as empresas, o que ampliaria o domínio de Musk no mercado de inteligência artificial.
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A SpaceX já controla a xAI, startup de IA do empresário, e as companhias trabalham juntas no desenvolvimento da Terafab, uma fábrica de semicondutores no Texas.
Para Gerber, uma fusão simplificaria a decisão dos investidores: quem acredita na visão de Musk compraria ações; quem não acredita ficaria de fora. Ao mesmo tempo, a união poderia ajudar a reduzir parte da pressão sobre a Tesla, especialmente enquanto as promessas envolvendo direção autônoma total seguem sem se concretizar.
“Esse período pode ser muito difícil para a Tesla, ainda mais agora com a entrada da SpaceX”, afirmou Gerber. “No estilo típico de Elon, tudo isso é bastante bagunçado — e uma fusão poderia ser a forma de organizar tudo.”
Esta história foi originalmente apresentada em Fortune.com e foi traduzida com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial e revisada por nossa equipe editorial. Saiba mais em nossa Política de IA.