Gosto sempre de relembrar que não é apenas porque subiu que o investimento valeu a pena. Há diversos fatores que podem desmontar essa narrativa, mas dois são principais: tempo e risco.
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Gosto sempre de relembrar que não é apenas porque subiu que o investimento valeu a pena. Há diversos fatores que podem desmontar essa narrativa, mas dois são principais: tempo e risco.
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Esses dois fatores deveriam ser a base de toda premissa. Afinal, imagine que você tenha certeza de que uma ação vai subir. A pergunta seguinte deveria ser: em quanto tempo e qual risco estou assumindo para isso?
Enquanto escrevo este artigo, o Ibovespa está em torno de 177 mil pontos, depois de ter atingido quase 200 mil no meio de abril. Se considerarmos apenas a “recuperação” do índice até esse mesmo patamar que já vimos antes, estamos falando de uma alta de 13%, o que parece muito bom. A questão, como já apresentei, é: em quanto tempo e qual risco assumo para isso?
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Em relação ao tempo, vamos ser honestos: ninguém sabe. Nem eu, nem você, nem qualquer superinteligência artificial. Aliás, ninguém sabe sequer se ele realmente subirá, mas, para este exercício, vamos assumir que sim.
A questão é que saber que algo pode subir 13% não responde todas as perguntas. Caso demore um ano para isso acontecer, é quase certo afirmar que perdeu para a renda fixa atual, já que a Selic (taxa básica de juros) está em 14,5%. Nesse caso, valeu a pena? E se demorar mais? E se ficar “barato por muito tempo”, como já vimos em longos períodos em que o Ibovespa ficou praticamente sem sair do lugar?
O tempo é uma das premissas mais importantes — e também uma das mais difíceis de colocar na conta dos investimentos. Talvez seja até mais difícil do que mensurar o próprio risco.
Quando falamos em risco, podemos assumir algumas premissas, como, por exemplo, a volatilidade média esperada — ou, resumindo aqui para você, o quanto o Ibovespa pode oscilar normalmente. Se ele cair dentro dessa média, quanto posso perder?
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Atualmente, a volatilidade média do Ibovespa está perto de 35%. Seria prudente assumir que esse é o nosso risco e pronto. Já em relação ao tempo, fica difícil adivinhar. Afinal, o Ibovespa é um índice composto por ações de empresas e, se já é difícil analisar uma única empresa, imagine um índice formado por mais de 70.
Ok, acho que a questão do tempo ficou clara.
Agora, o risco… esse é um tema sobre o qual poderíamos falar durante horas. Afinal, o que é risco? Quais são os “poréns” que fazem parte dessa equação?
Entre os diversos fatores que poderíamos abordar aqui, hoje quero trazer uma reflexão simples: “quanto vale” versus “quanto custa”.
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O indicador Preço/Lucro mede, em anos, quanto tempo demorará para você receber seu investimento de volta apenas por meio do lucro das empresas. Um exemplo: a ação custa R$15,00 no momento da compra. Essa empresa gera R$3,00 de lucro por ação ao ano. R$15 ÷ R$3 = 5 anos.
Ou seja, em cinco anos essa empresa terá lucrado exatamente o que você pagou pela ação — no caso, os R$15,00. Pode ser mais ou menos tempo, dependendo única e exclusivamente do lucro da empresa.
Quando olhamos por essa métrica, o Ibovespa tem um P/L médio de 11 anos. Ou seja, se você paga acima disso, está comprando caro; abaixo disso, está comprando barato.
Para ilustrar, na pandemia, esse indicador chegou a 6 anos — extremamente barato. Já em 2018, chegou perto de 18 anos — extremamente caro. A questão aqui é em quanto tempo esse indicador permaneceu nesses patamares? E aí voltamos novamente para a questão do tempo.
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Você pode até pagar 18 anos, mas a recuperação da economia pode ser tão rápida que os lucros das empresas cresçam a ponto de essa conta melhorar muito mais rápido do que você imaginava — e vice-versa.
Mas, sem “chutes”, afinal não trabalhamos com isso por aqui, o Ibovespa hoje está em aproximadamente 11,3 anos, contra uma média histórica de 11 anos. Ou seja: está “justo”, talvez até um pouco caro.
Dito isso, e para finalizar daquele jeito que faz você pensar, deixo a seguinte reflexão:
O Ibovespa pode subir, mas, por esse indicador, ficará cada vez mais caro até que as empresas passem a valer mais. Não sabemos o tempo, mas já saímos de um ponto abaixo da média.
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Dito isso, será que vale investir?
Te recomendo duas coisas: reler o título desta matéria e me seguir no Instagram @vmiziara para mais conteúdos como este, além de acompanhar esta coluna para sempre receber as atualizações em primeira mão.
Um abraço.
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