O Santander (SANB11) avalia que Brasil e América Latina podem ganhar espaço entre investidores globais com uma rotação fora de ativos ligados à inteligência artificial na Ásia, hoje vistos como excessivamente concentrados.
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O Santander (SANB11) avalia que Brasil e América Latina podem ganhar espaço entre investidores globais com uma rotação fora de ativos ligados à inteligência artificial na Ásia, hoje vistos como excessivamente concentrados.
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A leitura contrasta com o fluxo recente: só em maio, investidores estrangeiros retiraram R$ 11,4 bilhões da B3, mostrando que a mudança de percepção ainda não se traduziu em alocação.
Para o banco, a região oferece exposição a gargalos físicos que sustentam o avanço da IA — como energia, infraestrutura e commodities — além de valuations mais baixos após a recente queda dos mercados.
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Durante conferência do Santander em Londres, investidores relataram desconforto com o nível de concentração em empresas asiáticas ligadas à IA, especialmente após a forte valorização recente. Segundo o banco, a participação de investidores de varejo nesses papéis elevou a sensibilidade a correções e aumentou a barreira para novos aportes.
Esse movimento ocorre em meio à recente queda dos mercados — o Ibovespa recuou 7,86% no último mês —, o que tornou os ativos latino-americanos relativamente mais atraentes em termos de risco e retorno.
Apesar disso, o Santander pondera que o ambiente macroeconômico ainda limita uma retomada mais consistente dos fluxos. A expectativa de um ciclo menor de cortes de juros e condições financeiras mais restritivas mantém investidores seletivos.
Nesse cenário, a exigência por retorno mais alto tende a favorecer empresas com geração de caixa previsível, enquanto setores mais sensíveis a juros, como consumo e crescimento de longo prazo, seguem pressionados. Já companhias ligadas a energia e commodities mantêm o papel de proteção em um ambiente de maior incerteza.
A queda dos mercados melhorou a relação entre risco e retorno, mas os fluxos estrangeiros ainda não confirmam totalmente essa mudança de percepção. Em maio deste ano, investidores estrangeiros retiraram R$ 11,436 bilhões da Bolsa brasileira.

Segundo o Santander, embora o cenário para América Latina e Brasil esteja melhorando, o mercado segue cauteloso diante da expectativa de um ciclo menor de cortes de juros e de um ambiente de financiamento mais caro.
“O mercado ainda aceita risco, mas está exigindo muito mais comprovação”, afirma o banco.
O Santander acredita que “os mercados já não estão apenas reprecificando o choque do petróleo – estão reprecificando todo o regime macroeconômico ao redor dele”. Segundo o banco, a principal mudança é a transição de um cenário de desinflação com afrouxamento monetário para um ambiente de crescimento mais lento e restrição energética.
“Em nossa visão, petróleo mais caro, juros longos mais altos e um impulso menor e menos confiável de cortes estão sendo tratados cada vez mais como restrições estruturais e não choques temporários”, diz o relatório.
Para as ações latino-americanas, isso significa uma taxa mínima de retorno mais elevada, mantendo a liderança do mercado concentrada em poucos setores. Empresas de crescimento de longo prazo continuam vulneráveis à pressão dos juros, enquanto ações ligadas ao consumo seguem expostas a condições mais apertadas de renda e crédito. Já energia e empresas ligadas a commodities mantêm um papel de proteção macroeconômica.
“As grandes empresas com geração de caixa previsível devem continuar negociando com prêmio, mas o excesso de concentração no complexo global de IA está ficando cada vez mais difícil de ignorar”, enfatiza o Santander.
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