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Petróleo hoje cai quase 7% e devolve prêmio geopolítico enquanto inflação brasileira sobe o tom

Brent cai para a faixa de US$ 93 após avanço nas negociações entre EUA e Irã, enquanto IPCA-15 acima do esperado reforça cautela sobre juros no Brasil

Por Igor Markevich

27/05/2026 | 9:44 Atualização: 27/05/2026 | 9:44

Petróleo recua com expectativa de acordo entre EUA e Irã e possível reabertura de Ormuz, mas IPCA-15 acima do esperado mantém pressão sobre inflação e juros. (Imagem: Adobe Stock)
Petróleo recua com expectativa de acordo entre EUA e Irã e possível reabertura de Ormuz, mas IPCA-15 acima do esperado mantém pressão sobre inflação e juros. (Imagem: Adobe Stock)

A cotação do petróleo hoje voltou a cair em meio à percepção de que as negociações entre Estados Unidos e Irã seguem avançando, ainda que lentamente. O mercado tenta precificar um cenário de distensão no Oriente Médio, com possibilidade de reabertura mais ampla do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no planeta.

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Nesta quarta-feira (27), por volta das 9h30 (de Brasília), o Brent para agosto recuava 4,27%, US$ 92,42, por barril, enquanto o WTI operava US$ 88,40, queda de 5,83%. O movimento prolonga a correção iniciada no começo da semana, depois que investidores passaram a enxergar maior chance de acordo diplomático entre Washington e Teerã.

Ainda assim, o mercado opera em tensão latente. Nos últimos dias, os EUA afirmaram ter atingido embarcações iranianas que estariam instalando minas em Ormuz, enquanto o Irã retaliou com disparos contra aviões americanos. O resultado é um petróleo extremamente sensível a qualquer manchete vinda da região.

Segundo analistas do Deutsche Bank, o fluxo de notícias perdeu intensidade nesta semana, o que diminuiu a percepção de um acordo imediato. Por outro lado, a leitura predominante ainda é de que as conversas seguem “no rumo certo”.

Ormuz segue no centro da narrativa

Na terça-feira, Teerã informou que 25 embarcações cruzaram o estreito em 24 horas sob autorização iraniana, sinal interpretado como tentativa de demonstrar algum grau de normalização do fluxo marítimo. Ainda assim, investidores sabem que basta um novo episódio militar para reacender rapidamente os prêmios de risco.

Esse movimento explica a volatilidade intensa da commodity nas últimas semanas. O Brent saiu de níveis acima de US$ 110 para perto de US$ 93 em poucos pregões, alternando momentos de pânico energético com apostas de cessar-fogo.

A queda do petróleo também ajudou a melhorar parcialmente o humor global nesta quarta-feira. Bolsas internacionais avançavam, os rendimentos dos Treasuries, títulos do Tesouro americano, recuavam e o dólar perdia força frente a diversas moedas, num movimento típico de redução de aversão ao risco.

IPCA-15 impede alívio completo no Brasil

No Brasil, porém, o petróleo mais fraco encontrou um contraponto importante: a inflação.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de maio subiu 0,62%, acima da mediana das projeções do mercado, que apontava alta de 0,56%. Em 12 meses, o índice acelerou para 4,64%, superando não apenas as estimativas, mas também o teto da meta contínua de inflação.

O dado reforçou a percepção de que, mesmo com eventual alívio nos preços de energia, a inflação brasileira opera em um nível desconfortável para o Banco Central.

O mercado recalibrou apostas para a trajetória da Selic justamente num momento em que o petróleo ainda influencia expectativas inflacionárias globais. A commodity perdeu força nesta semana, mas segue longe de níveis considerados benignos para a economia mundial.

Com informações da Broadcast

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