Os novos contratos foram assinados a despeito da não aprovação do Regime de Tributação Especial para Data Centers (ReData), que é amplamente aguardado pelo setor.
De acordo com Chris Torto, CEO da Ascenty, para os US$ 1,2 bilhão investidos em infraestrutura, serão mais de US$ 5 bilhões alocados em equipamentos para processamento (incluindo as unidades mais modernas, as unidades de processamento gráfico, ou GPUs). É neste investimento, feito pelas empresas clientes dos data centers, que a eventual vantagem tributária será vista.
O projeto Sumaré 3 é o de maior destaque. Segundo a Ascenty, é o primeiro data center da América Latina concebido desde a origem exclusivamente para cargas de trabalho de inteligência artificial. Com capacidade inicial de 90 MW – expansível para outros 90 MW -, a unidade ficará ao lado de dois prédios já operacionais da empresa. As obras começaram em março de 2026 e a entrega está prevista para o terceiro trimestre de 2027.
A instalação operará com um único cliente global de tecnologia, que não foi revelado. O projeto usará sistema de resfriamento líquido direto (liquid cooling) nos processadores, o mais avançado para a computação voltada à IA.
A arquitetura de refrigeração tem consumo de água em circuito fechado, sem uso contínuo de água externo. As instalações da Ascenty já são 100% neste modelo, de acordo com Marcos Siqueira, líder da área de receitas e estratégia na companhia.
Em paralelo, a Ascenty amplia o campus de Vinhedo. O data center Vinhedo 2 terá sua capacidade elevada de 50 MW para 80 MW. O Vinhedo 3, com 80 MW e dedicado a cargas de IA para um único cliente, está em construção. Os projetos Vinhedo 4 e Vinhedo 5, com 45 MW cada, foram anunciados como planos de expansão, sem contratos assinados ainda.
Para viabilizar o fornecimento de energia à região, a Ascenty investiu US$ 50 milhões na construção de uma linha de transmissão de aproximadamente 32 quilômetros, ligando uma subestação da CPFL em Santa Bárbara do Oeste até Sumaré.
As novas unidades devem apresentar a métrica de eficiência energética em Data Centers (PUE, na sigla em inglês) de 1,45, em uma escala de 1 a 2 em que quanto menor o valor, mais eficiente é o sistema.