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Colunista

Os 4 fatores com poder para mudar o quadro negativo do mercado brasileiro

Um olhar para a performance dos ativos de risco e como se posicionar em um ambiente ainda incerto

Por Dan Kawa

28/12/2022 | 15:12 Atualização: 28/12/2022 | 15:12

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Mesmo em um cenário incerto, com juros altos, tributação de dividendos e volatilidade em decorrência das eleições, 2026 oferece oportunidades na Bolsa para quem mira renda passiva com proventos. (Foto: Envato Elements)
Mesmo em um cenário incerto, com juros altos, tributação de dividendos e volatilidade em decorrência das eleições, 2026 oferece oportunidades na Bolsa para quem mira renda passiva com proventos. (Foto: Envato Elements)

Em meu último artigo para este espaço aproveitei a oportunidade para descrever um pouco do que espero para o cenário econômico, local e global, em 2023. Neste derradeiro artigo de 2022, quero olhar um pouco para a performance dos ativos de risco e como se posicionar em um ambiente ainda de baixa visibilidade.

Leia mais:
  • O que é a “bomba econômica” para 2023 e como ela afeta o Ibovespa
  • Ryo: quais setores podem despontar em 2023
  • As seis ações que o investidor precisa manter no radar em 2023
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Vimos recentemente uma melhora evidente de dinâmica dos ativos locais. Por ora, julgo este movimento como um momento cíclico e, em muito, explicado por fatores técnicos. Não acho que estamos observado mudanças de cenário que justificam uma mudança de tendência dos mercados locais. Os investidores pareciam tecnicamente muito posicionados para o lado negativo.

Em um período sazonal de baixa liquidez, esta posição técnica voltada para o lado negativo pode estar funcionando como um vetor de sustentação para um movimento mais positivo de curto prazo, mesmo que não tenhamos mudanças de cenário de longo prazo.

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Não há muita discussão de que a Bolsa do Brasil – e seus demais ativos, como juros e câmbio – está barata. Isso é um consenso. O que precisamos focar, de agora em diante, são nos eventuais triggers (estopins, eventos) que podem mudar a dinâmica e a tendência estrutural, por ora negativa, dos ativos brasileiros. Vamos refletir sobre alguns desses vetores:

Preço/Valuation – Os ativos locais estão em valuations (valor do ativo) historicamente baixos. Se comparados aos pares internacionais, também vemos descontos relevantes de precificação. Preços deprimidos, sozinhos, são capazes de gerar movimentos de curto prazo positivos, como o que me parece que estamos observando neste momento. Contudo, dificilmente mudam tendências de longo prazo. Para que isso aconteça, outros vetores são necessários.

Posição Técnica – Os investidores internacionais hoje não estão posicionados em Brasil. Os fundos de pensão, grandes investidores locais, reduziram substancialmente suas alocações em ativos de maior risco. Os investidores do varejo migraram em peso para posições em renda fixa. O mercado parece pouco alocado em Brasil, no geral.

A posição técnica pode funcionar como um vetor de suporte a movimentos pontuais de recuperação e um pilar de sustentação para alterar tendências, mas precisa ser seguida de mudanças fundamentais de cenário. Sem isso, dinâmicas diferentes raramente são sustentáveis.

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Taxa de Juros – O Brasil foi o país que iniciou primeiro e fez o ciclo de ajuste (de alta) de juros mais rápido e acentuado do mundo. Essa estratégia acabou “expulsando” o investidor da Bolsa e “empurrando” ele para ativos de renda fixa. Além disso, causou um aperto não desprezível das condições financeiras locais.

A taxa de juros é um dos – senão o principal – componentes para determinar o crescimento econômico de um país e uma variável fundamental para calcular o “valor justo” ou “valor intrínseco” dos ativos locais – em especial, das ações da Bolsa.

Juros altos favorecem investidores mais cautelosos e uma perspectiva econômica de menor crescimento. Juros baixos, por outro lado, estimulam o crescimento econômico e os investidores a buscarem “alternativas” de maior risco.

Uma virada no ciclo de juros do país pode ajudar a determinar uma mudança estrutural da dinâmica dos ativos locais, em especial, da Bolsa. No Brasil, em muito, isso dependerá da trajetória do quadro fiscal que será escolhido pelo novo governo eleito.

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Política Econômica – Um sinal de ortodoxia econômica seria o maior vetor de mudança para o quadro geral dos ativos domésticos neste momento. O cenário prospectivo ainda é desafiador do ponto de visita de crescimento, inflação e fiscal.

Como comentado no último artigo, espero desaceleração do crescimento e inflação mais baixa, porém ainda acima da meta do Banco Central (BC). As medidas fiscais que estão sendo tomadas no governo de transição assustam pelo excesso de gastos, sem aparente contrapartida de receitas.

No geral, neste momento, temos valuations atrativos e posição técnica saudável para alocações favoráveis ao Brasil, mas ainda nos falta triggers fundamentais para mudanças estruturais de tendências locais.

Em 2009 a Bolsa – e os ativos brasileiros – estava barata e se recuperou com a injeção de liquidez global dos bancos centrais após a crise imobiliária dos Estados Unidos. Em 2016 o impeachment foi o trigger para a recuperação de um mercado com preços baixos, posição técnica saudável e enormes oportunidades de investimentos.

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Nos próximos meses precisamos estar atentos a quais serão os eventuais triggers (ou ausência deles), dado que o valuation barato está dado e a posição técnica é claramente saudável, para determinarmos a direção estrutural dos ativos locais.

Neste ínterim, teremos uma visibilidade mais comprometida, o que tende a trazer volatilidade no mercado do brasileiro.

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