• Logo Estadão
  • Últimas notícias
  • opinião
  • política
  • economia
  • Estadão Verifica
Assine estadão Cavalo
entrar Avatar
Logo Estadão
Assine
  • Últimas notícias
  • opinião
  • política
  • economia
  • Estadão Verifica
Logo E-Investidor
  • Últimas Notícias
  • Direto da Faria Lima
  • Mercado
  • Investimentos
  • Educação Financeira
  • Criptomoedas
  • Comportamento
  • Análises Ágora
Logo E-Investidor
  • Últimas Notícias
  • Mercado
  • Investimentos
  • Direto da Faria Lima
  • Negócios
  • Educação Financeira
  • Criptomoedas
  • Comportamento
  • Análises Ágora
  • Newsletter
  • Guias Gratuitos
  • Colunistas
  • Vídeos
  • Áudios
  • Estadão

Publicidade

Colunista

A agenda ESG e o G de ganância

Se a adoção do ESG é um caminho sem volta, o que nos impede de avançar rumo a uma economia mais verde?

Por Fernanda Camargo

02/05/2022 | 15:11 Atualização: 02/05/2022 | 15:11

Receba esta Coluna no seu e-mail
Cada letra da sigla ESG representa um critério que as empresas utilizam para reduzir os danos ambientais, sociais e de governança. (Foto: Shutterstock/TH2I Shutter Rich/Reprodução)
Cada letra da sigla ESG representa um critério que as empresas utilizam para reduzir os danos ambientais, sociais e de governança. (Foto: Shutterstock/TH2I Shutter Rich/Reprodução)

O ano é 2004. Por uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU), com a colaboração do governo suíço, foi publicado e endossado por mais de 20 instituições financeiras – entre elas o International Finance Corporation (IFC)  do Banco Mundial – representando coletivamente mais de US$ 6 trilhões sob gestão o relatório “Who Cares Win” (WCW), ou “Ganha Quem se Importa”, em tradução livre, com diretrizes e recomendações sobre como integrar melhor questões ambientais, sociais e de governança (ESG) nas frentes de gestão de ativos, serviços de corretagem e research.

Leia mais:
  • Precificação do carbono: oportunidade ou custo?
  • O planeta está bugado. E o bug somos nós, humanos
  • Critério ESG na seleção de ativos também é obrigação de um gestor
Cotações
13/04/2026 1h03 (delay 15min)
Câmbio
13/04/2026 1h03 (delay 15min)

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Um avanço, ainda que tímido, em uma pauta incipiente de sustentabilidade em um setor estruturalmente e historicamente movido por interesses estritamente financeiros.

Abril de 2022, dezoito anos depois. A matéria do Financial Times intitulada “Investidores dos principais bancos dos EUA se recusam a apoiar propostas climáticas” aponta que, apesar das pressões por políticas mais rigorosas de financiamento de combustíveis fósseis em três grandes bancos dos Estados Unidos (Wells Fargo, Bank of America e Citibank), as resoluções apresentadas pelas instituições foram apoiadas por cerca de apenas 11% a 13% de seus acionistas.

Publicidade

Os números decepcionantes da baixíssima adesão dos acionistas a propostas climáticas no Wells Fargo, no Bank of America e no Citibank não são, de toda forma, representativos da sociedade em geral. Um levantamento mais recente – e animador – da Global Sustainable Investment Alliance, uma aliança de organizações de investimento sustentável que tem a missão de aprofundar o impacto e a visibilidade dessas entidades em âmbito global, mostra que os investimentos sustentáveis somam cerca de US$ 35,3 trilhões nas economias desenvolvidas, ou aproximadamente 36% do total da indústria de investimentos, com tendência de alta.

Nada desprezível, mas longe do montante de investimentos necessários apenas para limitar o aquecimento global a 2⁰C ou menos entre 2015 e 2050 calculados pelo Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), o órgão das Nações Unidas para avaliar a ciência relacionada às mudanças climáticas, e evitar maiores catástrofes ambientais e sociais: mais de US$ 140 trilhões (ou aproximadamente US$ 4 trilhões por ano no intervalo mencionado).

Se a adoção de práticas ESG é de fato um caminho sem volta, se a pressão da sociedade e dos agentes regulatórios, direta ou indiretamente, é uma realidade e se há tantas e incontestáveis evidências científicas dos riscos ambientais e sociais da negligência dos aspectos ESG nos negócios, o que nos impede de avançar efetivamente rumo a uma economia mais verde e justa?

A resposta envolve uma característica essencialmente humana: a ganância.

Publicidade

A ganância está ligada ao ganho pelo ganho, indiferenciado. O ganancioso busca o que o torna mais rico, mais poderoso. E por trás dessa ambição desmedida está a covardia da escolha: por medo de errar, ele não se arrisca a escolher o que deseja e, na dúvida, quer tudo.

Em um contexto de recursos – tempo, dinheiro, energia – limitados, querer e buscar tudo implica, inevitavelmente, em prejuízos à sociedade e ao ambiente.

Um investidor ganancioso vai preferir o máximo lucro no menor horizonte de tempo. Ainda que, para chegar nesse resultado, a empresa investida tenha que, nos bastidores de um discurso de sustentabilidade, adotar práticas comerciais predatórias e antiéticas, pressionar demasiadamente fornecedores e estabelecer metas não realistas para seus funcionários. É o G da ganância superando o G de governança. O mundo está cheio de boas intenções e investidores gananciosos.

Parente próximo da ganância, o “curto-prazismo” também atrapalha o avanço da agenda ESG.  O economista J. W. Mason descreveu o curto-prazismo (ou “short-termism”) como o “foco em horizontes de curto prazo tanto por gestores corporativos quanto por mercados financeiros, priorizando os interesses dos acionistas de curto prazo sobre o crescimento a longo prazo da empresa”.

Publicidade

Sob essa perspectiva, fica claro que um olhar de curto prazo pode ser letal para uma empresa que almeja ser sustentável no sentido de resiliência, longeva e bem-sucedida, e, portanto, prejudicial também à integração de aspectos ESG no processo de investimento.

Muitas instituições financeiras vêm falando muito de ESG, lançando fundos sustentáveis, ou emitindo títulos verdes, mas um dos grandes problemas é que o sistema de metas dos executivos é baseado em resultado de curto prazo e isso não conversa com ESG, com a bioeconomia ou com a sustentabilidade.

Outra questão é que somente os fatores que afetam retornos financeiros são considerados materiais para investidores ESG. Além disso, o S (Social) do ESG segue abandonado, ignorando aquilo que é importante para as pessoas e o para o planeta mas que não afetam o resultado financeiro final.

Reparemos que os compromissos de sustentabilidade assumidos por governos e companhias são de muito longo prazo; mais especificamente, ao menos de acordo com as projeções do IPCC mencionadas anteriormente, 25 a 30 anos. Temos trilhões sendo investidos nestes temas, mas não apenas para o próximo semestre ou ano. É um processo crescente e necessário. Do contrário, poucas serão as metas ambientais ou sociais publicamente assumidas que serão alcançadas. E todos que confiam na ciência sabem as consequências climáticas e sociais às quais estamos nos expondo a cada instante de inércia. Infelizmente, nossa natureza é de muito curto prazo.

Publicidade

Como mudar comportamentos tão enraizados? Com persistência, imposição regulatória e, principalmente, a mudança dentro de cada um, inner change, traduzida em um conceito idealizado pelo investidor e empreendedor Marco Gorini: o “ODS Zero”, ou uma mentalidade transformadora que cada indivíduo deve desenvolver para ter sucesso nessa jornada.

Tema de livro publicado pelo Instituto Capitalismo Consciente do Brasil, o “ODS Zero”, como um paralelo aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU que compõem a Agenda 2030 e endereçam iniciativas para proteger o planeta, acabar com a pobreza e assegurar a paz e prosperidade, diz respeito ao “nosso discernimento em relação às escolhas saudáveis que precisamos fazer, em direção ao propósito que desejamos servir”.

Envolve um elevado nível de pertencimento e consciência, além do reconhecimento dos impactos positivos ou negativos de todas as ações, sem espaço para omissões. Ao nos tornarmos responsáveis por algo maior, que vai além do nosso próprio ego, teremos uma virada de chave na jornada da sustentabilidade.

Neste contexto, ainda, segundo o Instituto Capitalismo Consciente, é preciso redefinir o que é êxito para nós mesmos, para os outros e para o meio ambiente. O desafio é fazer a transição do modelo de negócios e indústrias extrativistas para uma nova economia de serviços, inovadora e sustentável, de modo a preservar e ampliar oportunidades de trabalho e a inclusão social.

Publicidade

Sendo assim, quando buscamos investimentos sustentáveis, é importante ter um olhar de longo prazo, do contrário estaremos incentivando as empresas a tomarem decisões que priorizam apenas o ganho financeiro imediato. Essa cobrança por resultado leva empresas a incorrer em riscos cada vez mais severos, tanto regulatórios (as regras, taxas e impostos virão), como tecnológicos, sociais (consumidores, principalmente de uma nova geração) e principalmente climático.

Ao escolher um fundo, é importante entender como endereçam estes fatores ESG na sua tomada de decisão, como mapeiam e avaliam tais riscos. Além disso, é vital acompanhar o resultado, entender se a mudança aconteceu de verdade.

Por fim, é importante entender se seu investimento está atingindo o resultado que você gostaria. Adoraria chegar nas conferências que tratam do tema ESG ou de Impacto Social e ver no palco central a fala das comunidades afetadas, daqueles que estão recebendo o serviço. Precisamos aprender a ouvir. Muitas vezes, as intenções são boas, mas não era aquilo que a comunidade queria ou precisava.

Enquanto o capital for dominado pela ganância e pelo curto-prazismo, ele não escolherá servir à sociedade e ao meio ambiente, tratando-os apenas como externalidades, mas não como investimentos essenciais à manutenção da vida.

Publicidade

Se isso não mudar, seguiremos engatinhando na pauta de sustentabilidade. Acredito que para isso acontecer, talvez o único caminho seja a ODS Zero.

Sigo otimista. Acredito na evolução.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Compartilhe:
  • Link copiado
Tudo Sobre
  • Banco Mundial
  • Bancos
  • Environmental Social and Governance (ESG)
  • Investimentos

Publicidade

Mais lidas

  • 1

    A última janela para doar bens em vida e reduzir impostos sobre herança em São Paulo

  • 2

    Imposto de Renda 2026: veja o calendário de restituição, quem recebe primeiro e como ter prioridade

  • 3

    Gestoras de “special sits” avançam no Brasil e entregam retornos de até 40% ao ano

  • 4

    ISE da B3: como o índice funciona e o que muda quando uma empresa entra ou sai do índice de sustentabilidade

  • 5

    Ibovespa hoje renova recorde aos 197 mil pontos e dólar cai a R$ 5 pela primeira vez em dois anos

Publicidade

Quer ler as Colunas de Fernanda Camargo em primeira mão? Cadastre-se e receba na sua caixa de entrada

Ao fornecer meu dados, declaro estar de acordo com a Política de Privacidade e os Termos de Uso do Estadão E-investidor.

Cadastre-se e receba Coluna por e-mail

Ao fornecer meu dados, declaro estar de acordo com a Política de Privacidade e os Termos de Uso do Estadão E-investidor.

Inscrição feita com sucesso

Webstories

Veja mais
Imagem principal sobre o Imposto de Renda 2026: recebi o FGTS, preciso declarar?
Logo E-Investidor
Imposto de Renda 2026: recebi o FGTS, preciso declarar?
Imagem principal sobre o Saque-aniversário: perdeu o prazo do saque? Entenda o que acontece com o seu dinheiro
Logo E-Investidor
Saque-aniversário: perdeu o prazo do saque? Entenda o que acontece com o seu dinheiro
Imagem principal sobre o Quer migrar do saque-aniversário para o saque rescisão? Atente-se ao prazo de carência
Logo E-Investidor
Quer migrar do saque-aniversário para o saque rescisão? Atente-se ao prazo de carência
Imagem principal sobre o Imposto de Renda 2026: quem tem direito ao cashback do IR?
Logo E-Investidor
Imposto de Renda 2026: quem tem direito ao cashback do IR?
Imagem principal sobre o Idosos com mais de 80 anos recebem a restituição em 2026?
Logo E-Investidor
Idosos com mais de 80 anos recebem a restituição em 2026?
Imagem principal sobre o O que é o Regime Geral da Previdência Social (RGPS)?
Logo E-Investidor
O que é o Regime Geral da Previdência Social (RGPS)?
Imagem principal sobre o 15 doenças que dão direito à aposentadoria
Logo E-Investidor
15 doenças que dão direito à aposentadoria
Imagem principal sobre o Gás do Povo: veja a duração do vale para família com quatro integrantes
Logo E-Investidor
Gás do Povo: veja a duração do vale para família com quatro integrantes
Últimas: Colunas
Autocuratela: quem decide quando você não pode mais decidir?
Samir Choaib
Autocuratela: quem decide quando você não pode mais decidir?

O caso envolvendo herdeira das Casas Pernambucanas reacende um ponto ignorado por famílias ricas: quem decide quando você não pode mais decidir?

11/04/2026 | 06h00 | Por Samir Choaib
Entre mísseis e commodities: Brasil resiste — mas não está imune ao mundo fragmentado
Eduardo Mira
Entre mísseis e commodities: Brasil resiste — mas não está imune ao mundo fragmentado

Choque geopolítico mexe com petróleo, inflação e juros, enquanto o país se beneficia de commodities e diferencial de taxas — mas segue exposto aos efeitos indiretos da crise

10/04/2026 | 14h50 | Por Eduardo Mira
OPINIÃO. Metade do Brasil trabalha para sustentar os benefícios sociais da outra metade
Fabrizio Gueratto
OPINIÃO. Metade do Brasil trabalha para sustentar os benefícios sociais da outra metade

Aumento de gastos públicos voltados à distribuição de dinheiro pode reduzir a capacidade de financiar setores produtivos, impactando a geração de empregos

09/04/2026 | 13h26 | Por Fabrizio Gueratto
Balanço das empresas da B3 em 2025: lucro cresce, mas concentração e eficiência dividem o diagnóstico
Einar Rivero
Balanço das empresas da B3 em 2025: lucro cresce, mas concentração e eficiência dividem o diagnóstico

Resultado das empresas revela um cenário de crescimento relevante, mas com qualidade desigual

08/04/2026 | 13h38 | Por Einar Rivero

X

Publicidade

Logo E-Investidor
Newsletters
  • Logo do facebook
  • Logo do instagram
  • Logo do youtube
  • Logo do linkedin
Notícias
  • Últimas Notícias
  • Mercado
  • Investimentos
  • Educação Financeira
  • Criptomoedas
  • Comportamento
  • Negócios
  • Materias gratuitos
E-Investidor
  • Expediente
  • Fale com a redação
  • Termos de uso
Institucional
  • Estadão
  • Ágora Investimentos
Newsletters Materias gratuitos
Estadão
  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram
  • Youtube

INSTITUCIONAL

  • Código de ética
  • Politica anticorrupção
  • Curso de jornalismo
  • Demonstrações Contábeis
  • Termo de uso

ATENDIMENTO

  • Correções
  • Portal do assinante
  • Fale conosco
  • Trabalhe conosco
Assine Estadão Newsletters
  • Paladar
  • Jornal do Carro
  • Recomenda
  • Imóveis
  • Mobilidade
  • Estradão
  • BlueStudio
  • Estadão R.I.

Copyright © 1995 - 2026 Grupo Estado

notification icon

Invista em informação

As notícias mais importantes sobre mercado, investimentos e finanças pessoais direto no seu navegador