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Colunista

Liderança da mulher precisa estar na pauta do negócio e de aliados homens

CEO da BlackRock no Brasil estreia sua coluna no E-Investidor com defesa da diversidade nas empresas

Por Karina Saade

20/06/2023 | 15:21 Atualização: 20/06/2023 | 15:26

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Foto: Envato Elements
Foto: Envato Elements

Em muitas reuniões, ainda sou a única mulher da sala entre vários homens brancos. Este fator não me deixa intimidada, mas sim pensativa sobre as razões pelas quais, apesar do discurso sobre diversidade e inclusão ganhar força ao longo dos últimos anos, na prática o progresso ainda é pouco expressivo.

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Muitas mulheres são a minha inspiração, mas quando penso em nomes no setor financeiro, infelizmente não são muitas. Afinal, todos sabemos dos desafios de equidade de gênero nesse segmento.

De acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima), do total de profissionais com Certificação de Gestores de Carteiras Anbima (CGA) apenas 7% são mulheres. Outro estudo da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec) mostra que do universo de 1.313 analistas com Certificado Nacional do Profissional de Investimento (CNPI) credenciados, somente 14% são do sexo feminino. Números assim reforçam que ainda estamos longe de um retrato diverso no setor financeiro.

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É necessário ter um olhar positivo com o objetivo de mudarmos este cenário e aumentarmos a participação das mulheres no segmento. Para a BlackRock, esse tema vai além da responsabilidade social: é uma pauta de negócios, porque empresas que têm mais diversidade normalmente apresentam desempenho melhor.

Segundo o Boston Consulting Group, as companhias que estão mais avançadas nessa frente atraem e retêm os melhores talentos com mais facilidade, atendem melhor às demandas de clientes e reguladores e, em alguns casos, diminuem os riscos de litígio. Talvez por conta disso, empresas com lideranças diversificadas possuem receita 19% maior, graças à inovação e melhor tomada de decisão.

Na nossa linha de negócios, as vantagens da diversidade são tangíveis: equipes de investimento mais diversificadas, em que os gestores não pensam da mesma forma, seguem menos as bolhas de mercado e, consequentemente, geram retornos melhores com mais recorrência para os nossos clientes.

Os homens como nossos aliados

Sempre falo que precisamos – e devemos – ser diferentes dos homens, mas isso não quer dizer que vivemos em um cenário nós (mulheres) versus eles (homens). Podemos e necessitamos trabalhar cada dia mais juntos e de forma integrada. Ter a empatia por parte do meio masculino é fundamental para conquistarmos cada vez mais espaço e o reconhecimento necessário no setor. Gostaria de ter cada vez mais homens como nossos aliados, mentores e até como patrocinadores.

Eu mesma já tive o apoio de um patrocinador na BlackRock que foi fundamental no desenvolvimento da minha carreira. Neste contexto, o patrocínio ultrapassa a mentoria. É a relação na qual um alto executivo, por exemplo, acredita no potencial da patrocinada e utiliza sua influência de forma desinteressada para advogar a seu favor por conhecer as complexidades da carreira e da organização. Ou seja, tem que estar disposto a investir seu capital político e ser influenciador.

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Dados mais recentes da BlackRock mostram que as mulheres representam 43,5% do total das contratações. A gestora tem o compromisso de ampliar a presença feminina em cargos de liderança passando de 30% para 32,5% até 2024. Isso mostra que a estratégia de patrocínio pode representar um passo muito importante no desenvolvimento profissional das nossas líderes.

Já tenho visto ótimos exemplos no que se refere ao entendimento dos homens sobre a importância de serem nossos aliados. A geração dos millennials – nascidos na década de 1980 até, aproximadamente, o final do século –, na qual famílias com dupla carreira são mais comuns, é muito mais assertiva e apoiadora do público feminino nas questões de carreira. E não só no setor financeiro, mas no mercado de trabalho em geral.

Intimidação

Voltando ao meu pensamento inicial, às vezes me sinto intimidada pelo conhecimento que está ao meu redor, pois há tantas incertezas no mundo de investimentos que preciso aprender o tempo todo. E parte do meu trabalho consiste em ser humilde em relação ao que sei e ao que não sei e o quanto ainda preciso aprender e ser curiosa.

Mas não me sinto intimidada por ser a única mulher, porque reconheço que trago habilidades diferentes que são muito valiosas para a BlackRock. Muitas delas, geralmente soft skills (habilidades comportamentais), são cada vez mais valiosas em um mundo que estimula a liderança humanizada.

As mulheres precisam incorporar e construir essa confiança. Além disso, também precisam criar parcerias com homens que possam ajudá-las a navegar no mundo financeiro e tornar suas contribuições mais visíveis. Isso não as torna mais fracas, mas sim adaptáveis às condições atuais do ambiente de trabalho e mais capazes de alcançar o sucesso.

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