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Bolsa x dólar: todo cuidado é pouco

Tudo indica que 2025 será um ano mais inflacionário, sem ajuste fiscal e com juros nas alturas

Por Marco Saravalle

04/02/2025 | 17:27 Atualização: 04/02/2025 | 17:27

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Mercado financeiro (Foto: Adobe Stock)
Mercado financeiro (Foto: Adobe Stock)

Em janeiro, a bolsa subiu 4,86% e o dólar caiu 5,54%. Nesta situação, muitos podem se animar, acreditando que as ações engataram uma trajetória de alta, e o dólar, de queda. É justamente aí que mora o perigo.

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Por enquanto não houve nenhuma melhora de fundamento macroeconômico interno que justifique este movimento. A queda do dólar decorreu principalmente da percepção de que o protecionismo de Trump será menor e menos generalizado do que o anunciado anteriormente. Já a alta das ações brasileiras se justifica pelo fato de elas estarem muito baratas, principalmente quando o dólar operava acima de R$ 6,10.

No entanto, qualquer soluço externo poderá elevar o dólar novamente para cima de R$ 6,00 e penalizar a nossa Bolsa. Aliás, a primeira segunda-feira de fevereiro provou isso, após Trump anunciar um tarifaço contra México, China e Canadá. Rapidamente o dólar bateu R$ 5,90, mas depois recuou para R$5,81, após Trump recuar em relação ao México.

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O ponto é que a nossa moeda está extremamente volátil e sujeita às flutuações externas, justamente porque os fundamentos macroeconômicos do Brasil estão frágeis.

Para 2025, não há expectativa de melhora fiscal. Pelo contrário, R$28 bilhões de despesas entrarão no Orçamento, anulando a economia do já frágil pacote fiscal. Para piorar, o governo já sinalizou que lutará pela isenção de IR para pessoas que ganham até R$ 5 mil, mesmo que não haja compensação de corte de gastos suficiente, e o presidente Lula falou com todas as letras que, se depender dele, não terá ajuste fiscal.

Além da questão fiscal, a projeção de inflação para 2025 está em 5,51%, de acordo com o relatório Focus, e a Selic deverá terminar o ano em 15% a.a.

Tudo indica que 2025 será um ano mais inflacionário, sem ajuste fiscal e com juros nas alturas. Com esse cenário, o crescimento de 2,06% projetado pelo mercado fica até excessivamente otimista.

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É claro que a expectativa de uma safra agrícola recorde pode sempre nos ajudar, mas por enquanto os fatores negativos de risco pesam mais do que os positivos.

Como se já não bastassem os riscos internos, há também possiblidade de a China crescer menos do que o esperado e os EUA terem mais inflação, por conta da imposição de medidas protecionistas por Donald Trump.

Se o cenário mais inflacionário dos EUA se confirmar, a elevação dos juros por lá, ou a manutenção do Fed Fund Rate a 4,5% a.a por um período mais prolongado, se tornará inevitável. Juro mais elevado nos EUA traz pressões para o nosso câmbio, pressionando a inflação e a Selic por aqui.

Outro ponto de atenção é o risco político. Com a queda de popularidade de Lula, o presidente poderá dobrar a aposta para 2026, e pisar no acelerador do gasto, a fim de evitar uma desaceleração ainda maior da economia.

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Com todos esses riscos na mesa, é necessário cautela nos investimentos. Ativos de renda Fixa de menor risco de crédito, como títulos públicos, continuam uma excelente pedida, com prêmios muito atrativos.

É claro que há ações muito baratas, mas os ganhos só viriam, quando ocorrer fundamentos para a queda dos juros (desaceleração da inflação e ajuste fiscal), o que deverá acontecer provavelmente no próximo governo.

É inegável também que muitos ativos nos EUA estão caros, mas ainda é possível encontrar boas promoções. E, mesmo caros, investimentos atrelados ao dólar, principalmente em momentos de incerteza no Brasil, são sempre uma boa pedida.

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