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Colunista

O que brasileiros gastam a mais em Portugal por não conhecerem o sistema

Do aluguel ao supermercado, pequenas diferenças no funcionamento de serviços em Portugal podem fazer o orçamento pesar nos primeiros meses de adaptação

Por Valéria Bretas

22/03/2026 | 6:30 Atualização: 22/03/2026 | 18:13

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Brasileiros em Portugal podem gastar mais por desconhecer regras de aluguel, energia, transporte e consumo. Veja erros comuns e como evitar custos extras no início da adaptação. | Imagem aérea de Amarante, em Portugal, via Adobe Stock.
Brasileiros em Portugal podem gastar mais por desconhecer regras de aluguel, energia, transporte e consumo. Veja erros comuns e como evitar custos extras no início da adaptação. | Imagem aérea de Amarante, em Portugal, via Adobe Stock.

Ao fazer a mudança para Portugal, muitos brasileiros pagam mais caro por serviços básicos. Não necessariamente porque os preços sejam mais altos, ou pelo fato de as contas serem em euro, mas porque o funcionamento de algumas coisas é diferente do que estamos acostumados.

Leia mais:
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Existem pequenos macetes que só aprendemos depois de alguns meses vivendo em terras lusas. Alguns aprendi depois que o gasto pesou no meu orçamento. Outros descobri com amigos que tomaram decisões na pressa da chegada e até hoje não conseguiram reverter a situação.

Em geral, eu diria que encontrar onde morar é um dos principais desafios. Primeiro porque conseguir um contrato de arrendamento, como eles chamam o aluguel, tende a ser difícil para quem acabou de chegar, especialmente se os rendimentos de trabalho estão no Brasil ou quando não há um fiador local.

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Quando fui buscar um lugar para morar, tive bastante dificuldade. O mercado imobiliário em Portugal, principalmente em Lisboa, está cada vez mais aquecido, como contei neste outro artigo. Cada anúncio de imóvel com um ou dois quartos recebe dezenas de visitantes disputando a atenção dos proprietários.

Os corretores ficam responsáveis por filtrar os possíveis inquilinos e, nesse processo, a preferência costuma ser para quem já tem histórico no país ou nacionalidade portuguesa. Para outros imigrantes, a situação pode ser ainda mais difícil. Presenciei uma paquistanesa que fingiu ser portuguesa para conseguir conhecer um imóvel porque sequer estava conseguindo agendar visitas.

Na prática, esse processo acaba empurrando as pessoas para arranjos informais com os proprietários. O problema é que aceitar um quarto ou apartamento em subarrendamento, ou sem contrato, pode trazer riscos. Sem um contrato formal, o morador pode ser obrigado a sair rapidamente ou receber um pedido de caução para formalizar a situação depois, gerando pagamentos extras que não estavam previstos. Quando isso acontece sem uma reserva financeira, há quem acabe recorrendo até a crédito para resolver o problema.

Falando em contratos, eles também podem ser uma armadilha. Nos planos de internet, TV e academias, a fidelização é bastante comum no país, às vezes por 12 ou 24 meses. Quem assina o contrato sem prestar atenção pode acabar preso a mensalidades que poderiam ser evitadas.

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E pode confiar que existem alternativas sem fidelização em academias e também em operadoras móveis mais baratas. Neste outro artigo contei um pouco sobre como escolher boas opções. Quando achar que não há alternativas sem fidelização, vale parar e pesquisar um pouco mais. Elas existem.

Pequenos truques que fazem diferença no orçamento

Outro detalhe pouco conhecido aparece nas contas de energia. Em Portugal, a fatura não depende apenas do consumo de eletricidade. Existe a chamada potência contratada, que define quanta energia pode ser usada ao mesmo tempo na casa e influencia a parte fixa da conta mensal. Muitos contratos são feitos com uma potência maior do que o necessário para apartamentos pequenos e, na hora de alugar, a transferência de titularidade é feita sem alterar essa potência. Na prática, isso significa pagar todos os meses por uma capacidade que talvez nunca seja usada. Para quem quer comparar preços, existe inclusive um comparador oficial de tarifas de energia da ERSE, o regulador do setor.

No supermercado, alguns truques também fazem diferença no orçamento mensal. As grandes redes trabalham com campanhas promocionais frequentes, seja por meio de cashback ou com vales para compras futuras.

No Pingo Doce, por exemplo, há uma campanha mensal, normalmente perto do fim do mês, em que a cada 100 euros em compras o cliente recebe um vale de 20 euros para combustível e outros 20 euros para gastar no próprio supermercado na semana seguinte. Na prática, quem gastou 100 euros recebe 40 euros em benefícios para usar depois.

Já o Continente costuma oferecer cupons que devolvem parte do valor da compra em saldo para usar depois, que podem chegar a 15% do valor total da compra. Quem não usa os aplicativos ou não acompanha essas promoções acaba simplesmente pagando mais caro pela mesma compra.

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Na saúde, outra diferença importante aparece na forma como funcionam os seguros. Ao contrário do Brasil, os planos em Portugal trabalham com coparticipação. Isso significa que cada consulta ou exame tem um valor adicional a ser pago e não costuma ser barato. A diferença entre seguradoras pode ser grande, dependendo da tabela negociada para consultas e exames. Portanto, peça a tabela antes de assinar o contrato e entenda quanto você vai pagar por cada atendimento, exame, ida à emergência ou internação.

Agora, uma boa notícia. Para procedimentos sem urgência, o Serviço Nacional de Saúde costuma funcionar bem para marcações e exames, embora o tempo de espera possa variar. Fiz algumas marcações que demoraram cerca de três meses, mas não paguei pela consulta e os exames também foram realizados sem custo, em um caso inclusive de um dia para o outro. Em situações de emergência, porém, a história é diferente. Por isso, ter um seguro pode evitar gastos inesperados.

Outro ponto que pode pesar no orçamento de quem acabou de chegar é o transporte. Aplicativos como Uber e Bolt funcionam muito bem e costumam ter preços acessíveis em comparação com outros países da Europa. Mas o sistema de mobilidade nas cidades portuguesas foi pensado principalmente para quem utiliza o transporte público com passe mensal.

Em Lisboa, por exemplo, o passe Navegante dá acesso aos 18 municípios da Área Metropolitana de Lisboa, seja por metrô, trem, ônibus ou elétricos, por 40 euros por mês. É um valor que compensa rapidamente para quem se desloca com frequência, algo que muita gente só percebe depois de já ter gastado bastante com corridas individuais.

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Com o tempo, esses detalhes deixam de ser surpresa. Aprende-se qual supermercado tem as melhores campanhas, qual operadora vale a pena e qual potência de energia realmente faz sentido para a casa ou apartamento. Os aplicativos entram na rotina, os contratos passam a ser assinados com mais cuidado e algumas decisões deixam de ser tomadas na pressa.

O problema é que quase ninguém chega sabendo disso. Nos primeiros meses, essa curva de aprendizado costuma aparecer direto na fatura do fim do mês. É um custo silencioso de adaptação por desconhecimento. Quanto antes essas regras ficam claras, mais fácil fica evitar gastos desnecessários!

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