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Comportamento

Emancipação feminina depende da educação financeira, dizem líderes

Para executivas de B3, Anbima e Fin4She, dinheiro dá liberdade para mulheres tomarem suas próprias decisões

Por Jenne Andrade

29/03/2023 | 10:52 Atualização: 29/03/2023 | 10:52

Há menos de 70 anos, mulheres não podiam tomar decisões financeiras. Foto: Envato Elements
Há menos de 70 anos, mulheres não podiam tomar decisões financeiras. Foto: Envato Elements

Até a aprovação do Estatuto da Mulher Casada (Lei nº 4.121), em agosto de 1962, as mulheres nessa condição eram consideradas incapazes pelo antigo Código Civil. Isso significava que elas precisavam pedir autorização ao marido para trabalhar, aceitar heranças, administrar bens ou abrir contas em bancos.

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Portanto, só recentemente a população feminina ganhou o direito a lidar com as finanças e tomar as próprias decisões – o que, possivelmente, serve como um dos motivos pelos quais hoje há menos mulheres que homens no mercado financeiro, apesar da grande evolução da participação delas entre investidores na última década.

Esse foi um dos assuntos discutidos por Ana Buchain, diretora-executiva de Pessoas, Marketing, Comunicação e Sustentabilidade da B3, na abertura do evento Young Women Summit, encontro promovido pela Fin4She e Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), em parceria com o E-Investidor. O evento reuniu mais de 100 mulheres ligadas ao mercado financeiro na Arena B3, na Capital paulista, na última segunda-feira (27).

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“Emancipação financeira simboliza o direito à liberdade, ou seja, a liberdade de tomar as próprias decisões, a possibilidade de sair de situações de abuso e a chance de sonhar com uma vida que era impensável para quem não fosse homem há um tempo. Educação financeira é um dos meios mais potentes para promover a emancipação feminina”, afirma Buchain, que destacou o compromisso da B3 com a promoção da diversidade de gênero.

O assunto foi reafirmado por Tatiana Itikawa, superintendente de representação de mercados da Anbima, Christianne Bariquelli, superintendente de educação na B3, e Carol Cavenaghi, co-fundadora da Fin4She, durante o painel “Sempre é tempo de aprender e se desenvolver”, que encerrou o evento.

Cavenaghi ressaltou que a educação financeira é essencial para as mulheres conquistarem a independência, que não significa apenas ter um trabalho estável e um salário. “Ser independente financeiramente significa ter educação financeira, uma boa relação com o dinheiro. As mulheres trabalham o mesmo que os homens ou mais, mas por vezes não tem o controle do dinheiro, não tomam as decisões de gestão. Esse empoderamento econômico é muito importante para nossas escolhas”, afirma Cavenaghi.

É preciso também desconstruir a visão difundida no mercado de que a maternidade é um problema para a carreira das mulheres, quando muitas vezes pode ser a solução. Cavenaghi, por exemplo, estruturou a Fin4She, empresa com foco em equidade de gênero, durante a licença maternidade.

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Itikawa, da Anbima, tem uma história parecida. Começou a carreira no mercado financeiro há mais de 20 anos, quando as mulheres nesse segmento eram ainda mais raras. Entretanto, não se intimidou e construiu sua trajetória – que inclui ter sido mãe enquanto fazia mestrado e uma troca de emprego durante a licença maternidade. “A gente dá conta e a gente consegue fazer isso sem babá”, afirma Itikawa. “Esse é um mundo que sempre foi muito mais masculino e ainda é, mas estamos conquistando cada vez mais espaço mostrando que podemos ser profissionais excelentes.”

Por último, as profissionais deram conselhos para as mulheres que querem fazer uma transição de carreira ou empreender no mercado. “Se prepare financeiramente para isso. Até porque, quando você tenta uma coisa nova, talvez você tenha que dar uns passos para trás na questão financeira”, ressalta Bariquelli, superintendente de Educação na B3.

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